Novak Djokovic vence Arthur Rinderknech nesta sexta-feira, em Londres, e escreve mais um capítulo na história de Wimbledon. O sérvio de 39 anos faz 7/5, 6/4, 1/6 e 7/6 (7-4), em 3h15, alcança a 105ª vitória no torneio e iguala o recorde de Roger Federer no tradicional gramado britânico.
Recordes em série na grama londrina
O resultado coloca Djokovic, atual número 7 do mundo, no mesmo patamar de Federer em número de triunfos entre os homens em Wimbledon. Só Martina Navratilova, com 120 vitórias, aparece à frente na estatística geral.
O sérvio também empata outro número do suíço: chega à 18ª aparição nas oitavas de final em Wimbledon na Era Aberta. Em todos os Grand Slams, soma agora 71 classificações para as oitavas, ampliando um recorde que já lhe pertence e reforçando a consistência em alto nível ao longo de quase duas décadas.
Aos 39 anos e 51 dias, Djokovic entra em uma lista restrita. Torna-se apenas o quarto homem da Era Aberta a atingir as oitavas em Wimbledon depois dos 39, ao lado de Pancho Gonzales, Ken Rosewall e do próprio Federer. Em um circuito cada vez mais físico, o feito dá corpo à narrativa de longevidade que hoje define a fase final da carreira do sérvio.
Como Djokovic virou um jogo perigoso
O placar mostra mais equilíbrio do que domínio. Assim como na estreia, Djokovic volta a perder um set, sofre pressão do saque pesado de Rinderknech, cabeça 25, mas mantém o controle nos momentos decisivos.
No primeiro set, quebra o saque do francês duas vezes, cede uma quebra, mas lidera os pontos importantes e fecha em 7/5. No segundo, administra um único break a favor e confirma todos os serviços para fazer 6/4, com apenas oito erros não forçados e 18 bolas vencedoras nas duas parciais iniciais.
O roteiro muda no terceiro set. Rinderknech sobe um degrau, encaixa o primeiro saque, anota 13 winners, comete só dois erros e domina as trocas curtas. Djokovic vence apenas 44% dos pontos com o próprio saque, leva duas quebras e assiste ao 6/1 que recoloca o francês no jogo.
A quarta parcial se transforma em batalha de sacadores. Os dois confirmam os serviços com segurança, não há break-points para nenhum lado, e o tiebreak se impõe como desfecho natural. No 4-5, Rinderknech tenta um forehand na paralela e erra por pouco. O detalhe rende o primeiro match-point ao sérvio.
O ponto final resume a dureza da partida. Rinderknech sobe à rede, executa um voleio difícil e escorrega. Djokovic corre na diagonal, alcança a bola curta, bate cruzado e também cai. Os dois ficam no chão, a bola pinga dentro, e a Central vibra com a vitória do sete vezes campeão de Wimbledon.
Respeito dos rivais, devoção dos fãs
A classificação às oitavas não mexe apenas com estatísticas. Gera reação imediata de torcedores e alimenta o debate sobre o lugar de Djokovic na história do tênis, em especial na grama. Em comentários nas redes e fóruns especializados, fãs exaltam a capacidade de encontrar soluções mesmo em dias turbulentos.
“Somente o rei absoluto da grama Djoko é capaz de arrumar um jeito de vencer essa partida dificílima!!!”, escreve um torcedor, depois do sufoco no quarto set. Outro destaca o nível do adversário e a resistência do sérvio. “Jogador muito habilidoso, com um saque bastante poderoso e uma boa movimentação. Deu trabalho pro GOATaço, mas felizmente e para desespero dos haters, este prevaleceu!”, diz José Afonso.
Goldovic, outro fã, resume a leitura de parte da arquibancada: “GOATAÇO! Gente, o francês jogou muito, o pai do esporte mostrou que está com o físico em dia e aí meu amigo não tem ninguém que segure!”. O tom exagerado é típico de torcedor, mas ajuda a explicar por que, mesmo aos 39, Djokovic continua no centro da conversa.
Enquanto o sérvio empilha recordes, os emergentes precisam lidar com a barreira extra de enfrentar um multicampeão em seu ambiente favorito. Rinderknech, que vinha em ascensão, esbarra na experiência de quem domina o jogo sobre a grama. O mesmo vale para o russo Roman Safiullin, próximo rival nas oitavas, e para o brasileiro João Fonseca, superado pelo russo em sets diretos.
Impacto no circuito e próximos capítulos
Cada rodada com Djokovic em quadra tem peso que ultrapassa o resultado esportivo. A permanência de um nome desse tamanho no torneio movimenta patrocinadores, mídia esportiva e o mercado de apostas, que gira em torno de ídolos reconhecíveis. A narrativa de caça a recordes, sempre comparada às marcas de Federer, mantém aceso o interesse global pelo circuito.
Para Wimbledon, a presença de um sete vezes campeão nas fases agudas reforça o prestígio do evento e ajuda a sustentar o apelo junto a novas audiências, inclusive em mercados como o brasileiro, ainda embalado pela campanha de Fonseca. Para Djokovic, a vitória sobre Rinderknech é mais do que uma passagem às oitavas: é mais um passo na tentativa de ampliar a coleção de títulos no All England Club e de consolidar a imagem de maior jogador da era dos Grand Slams.
O duelo com Safiullin, que vive boa fase e volta a se aproximar do top 100, testará a capacidade do sérvio de manter o nível físico após duas partidas em quatro sets. Se avançar, Djokovic seguirá reescrevendo números em Londres e alimentando a discussão sobre até onde um corpo de 39 anos pode competir em igualdade com rivais dez ou quinze anos mais jovens. Se tropeçar, abrirá espaço para que um novo nome aproveite a brecha e ganhe luz em um palco dominado há mais de uma década pela mesma figura.
Enquanto a chave masculina afunila, uma pergunta orienta os próximos dias na grama londrina: Djokovic ainda tem mais um título em Wimbledon dentro do próprio corpo ou estamos vendo, em câmera lenta, o fim de uma era que ele se recusa a encerrar?