De Márcio Garcia a Gabriel Kater: como o galã se reinventou

A evolução dos galãs reflete as mudanças e inovações no mercado audiovisual brasileiro.
Redação NC News
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Aos 56 anos, Márcio Garcia deixa a televisão em 2024 com o contrato encerrado na Globo e reaparece como empresário à frente de um império avaliado em R$ 500 milhões. No mesmo período, o americano Lorenzo Lamas, 68, finaliza o sexto divórcio enquanto assume um romance com Heather Locklear. Já o brasileiro Gabriel Kater, 26, vira galã de novelas verticais e enfrenta o preconceito para encontrar estabilidade financeira nas telas do celular.

Galã investidor: Márcio Garcia troca estúdio por holding

O percurso de Márcio Garcia ajuda a explicar por que a palavra galã já não cabe apenas no figurino de novelas das nove. Ele estreia em 1993 na MTV Brasil, ganha projeção em tramas como “Tropicaliente” (1994), “Anjo Mau” (1997), “Celebridade” (2003), “Caminho das Índias” (2009) e “Amor à Vida” (2013), apresenta atrações como Vídeo Show, Gente Inocente e Tamanho Família e comanda, na Record, o Melhor do Brasil entre 2005 e 2008.

Seu último trabalho fixo na TV ocorre em 2022, à frente do The Voice Kids. O contrato com a Globo termina em 2024, encerrando um ciclo iniciado em 2009. Depois de três décadas de estúdio, ele reduz a exposição e mergulha nos negócios. Assume a vice-presidência do LIDE Miami, grupo que conecta empresários da América Latina e dos Estados Unidos, e estrutura a MGM Participações, holding que transforma capital de imagem em capital de investimento.

A MGM reúne 11 empresas em áreas como tecnologia, energia sustentável, saúde, gastronomia, telecomunicações e estética. Segundo dados da própria companhia, o faturamento consolidado passa de R$ 500 milhões em 2024. A lógica é usar visibilidade, networking e mídia como moeda para entrar em startups e negócios em crescimento.

Fora das câmeras, o patrimônio imobiliário reforça a transição. Márcio vive em uma mansão de cerca de 6 mil metros quadrados no Joá, zona oeste do Rio, com 18 banheiros, sete suítes, piscina semiolímpica, cinema, minigolfe, boate e academia. O imóvel entra no mercado em 2024 por R$ 250 milhões e hoje está anunciado por R$ 100 milhões. Ali, o ex-galã de novela mora com a nutricionista Andrea Santa Rosa e dois dos quatro filhos.

O reposicionamento profissional tem impacto simbólico. Em vez de disputar o próximo papel, Márcio senta à mesa com investidores e executivos. A figura do galã, antes presa ao rótulo de “rosto bonito da TV”, passa a incluir o empresário que monetiza a própria trajetória e busca longevidade além das tramas.

Galã de papel: divórcios e romance mantêm Lorenzo Lamas em cena

No outro extremo do continente, Lorenzo Lamas mantém o título de galã dos anos 1980 mais pela vida pessoal do que por novos trabalhos. Astro de “Falcon Crest” entre 1981 e 1990, ele atravessa em 2026 o sexto divórcio. A documentação do fim do casamento com a modelo Kenna Nicole Lamas já está assinada na Justiça de Los Angeles, com conclusão prevista para dezembro.

O relacionamento com Kenna começa em abril de 2020 e vira casamento em outubro de 2023. Em julho de 2025, o casal pede o divórcio. Lamas sai da relação com mais um capítulo em uma biografia marcada por seis casamentos e seis filhos. Em paralelo, mantém desde o fim de 2025 um romance com Heather Locklear, estrela de “Melrose Place”, série exibida entre 1992 e 1999.

Heather, hoje com 64 anos, acumula seu próprio histórico de relacionamentos públicos, incluindo casamentos com o baterista Tommy Lee, entre 1986 e 1993, e com o guitarrista Richie Sambora, entre 1994 e 2007, com quem tem uma filha. O novo casal revive nos sites de celebridades a memória de uma era em que o galã dependia da vitrine das grandes séries e dos tabloides.

A diferença é que, em 2026, o barulho em torno do sexto divórcio diz mais sobre o apetite da audiência por narrativas íntimas do que sobre a relevância artística de Lamas. O rótulo de galã se mantém, mas atrelado a uma espécie de novela real, sustentada por documentos de corte e flagras de paparazzi.

Galã vertical: Gabriel Kater corre na velocidade do feed

Enquanto isso, um novo tipo de protagonista surge na palma da mão. Gabriel Kater, 26, nascido em Presidente Prudente (SP), transforma-se em rosto onipresente de mininovelas gravadas para o celular em plataformas como TikTok e Kwai. Em pouco mais de um ano, ele acumula um currículo que nenhum folhetim tradicional conseguiria reproduzir no mesmo tempo.

“Exatamente nesse momento em que estou respondendo, acabei de gravar a minha última cena da minha 20ª novela vertical e daqui a dois dias já começo a gravar a 21ª. É um ritmo industrial muito acelerado. Foram 20 novelas em um ano e dois meses”, conta o ator. O método de trabalho parece mais próximo de uma linha de montagem do que de uma produção clássica de TV.

O formato exige uma elasticidade incomum. “Às vezes, na metade de uma novela eu já sei que vou gravar a próxima. Entendi como conseguir entrar em um personagem, sair muito rápido dele e já entrar no próximo”, explica. Em vez de um único papel por meses, Gabriel alterna tipos, sotaques e personalidades em poucos dias, seguindo a lógica do consumo fragmentado dos vídeos curtos.

No início, essa indústria que movimenta milhões em publicidade e visualizações enfrenta resistência. “No início, as pessoas tratavam o vertical como algo sem seriedade. Teve um pré-julgamento muito forte. Mas hoje em dia o jogo mudou muito. Você vê atores já considerados consagrados fazendo vertical, grandes nomes, e empresas como o Globoplay criando suas próprias produções”, afirma.

O rótulo de “galã do streaming vertical” surge nas redes, puxado por fãs e pela curiosidade diante de um rosto que aparece repetidas vezes em histórias diferentes. O retorno não vem apenas em curtidas. O trabalho intenso garante estabilidade financeira antes rara para atores de sua faixa etária. A formação em artes cênicas, construída ao longo de oito anos, sustenta a ambição de chegar às novelas tradicionais e ao cinema, mas o presente está ancorado no feed.

O público também responde ao jogo de amor e ódio que acompanha personagens duvidosos. “Já recebi algumas mensagens no direct de pessoas dizendo que assistiram e comentando que me odiaram, mas no fim elogiaram. Nós, atores, costumamos dizer que se as pessoas estão te detestando, significa que você fez um bom trabalho”, diz Gabriel.

Um galã em cada tela: quem ganha com a fragmentação

O contraste entre Márcio Garcia, Lorenzo Lamas e Gabriel Kater expõe um mercado de entretenimento em mutação acelerada. A televisão aberta perde centralidade, o streaming disputa atenção e o vídeo curto vertical cria sua própria estrela, com métricas e lógica de produção próprias. O galã tradicional de novela convive com o galã de tabloide e com o galã algorítmico.

Para artistas consolidados, como Márcio, a resposta à instabilidade típica da carreira vem na forma de holdings, palestras, cargos em entidades empresariais. Ele converte o capital simbólico da atuação em ativos diversificados, da tecnologia à gastronomia. A imagem de galã ganha um apelo aspiracional ligado a empreendedorismo, não apenas a romance na ficção.

Para jovens como Gabriel, a revolução é de acesso. O formato vertical, inicialmente tratado como produto menor, abre portas para quem dificilmente chegaria de primeira às grandes produções. O interesse de plataformas como o Globoplay indica uma tentativa de capturar esse público e profissionalizar um segmento antes visto como improviso de internet.

Lorenzo, por sua vez, ilustra o risco de ficar preso a um modelo de galã dependente do brilho do passado e da exposição privada. Sua presença nos noticiários em 2026 está mais ligada ao sexto divórcio e ao namoro com Heather Locklear do que a novos papéis. É o retrato de uma transição em que a fama resiste, mas precisa se reinventar para gerar trabalho e renda.

Os próximos anos tendem a ampliar essa diversidade. O mesmo termo “galã” já abriga o executivo de blazer em eventos de negócios, o ator que grava 20 novelas verticais em um ano e dois meses e o veterano cuja vida amorosa segue roteiro próprio. À medida que tecnologias, hábitos de consumo e relações de trabalho mudam, o plural de galã — galãs — deixa de ser apenas questão gramatical e passa a descrever um mercado inteiro em reconstrução.

Quem é o galã das novelas que tem um império de R$ 500 milhões?

É Márcio Garcia, ator e apresentador brasileiro que deixou a TV para se dedicar à MGM Participações, holding com faturamento consolidado acima de R$ 500 milhões em 2024.

Qual galã dos anos 1980 finalizou o sexto divórcio e está em romance com Heather Locklear?

É o ator americano Lorenzo Lamas, astro de “Falcon Crest”, que encerra o sexto casamento com Kenna Nicole Lamas enquanto mantém relacionamento com Heather Locklear.

Como o galã das novelas verticais descreveu o preconceito que sofreu na TV?

Gabriel Kater diz que “no início, as pessoas tratavam o vertical como algo sem seriedade” e fala em “pré-julgamento muito forte”, hoje revertido com a entrada de grandes nomes.

 

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