Escalação Brasil: Ancelotti coloca Martinelli na vaga de Paquetá contra Noruega

Mudança tática que gera debate entre os fãs antes do jogo contra a Noruega.
Redação NC News
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Carlo Ancelotti confirma Gabriel Martinelli como titular da Seleção Brasileira neste domingo (05), às 17h, contra a Noruega, em Nova York/Nova Jersey. O atacante assume a vaga de Lucas Paquetá, fora por lesão na coxa esquerda.

Lesão de Paquetá abre espaço e pressiona escolha

A mudança acontece em um dos momentos mais sensíveis do Brasil no Mundial de Seleções. As oitavas de final não permitem erro, e a ausência de Paquetá mexe na estrutura do time. O meia não é cortado oficialmente, mas a avaliação interna é de que dificilmente volta a atuar no torneio.

A decisão de Ancelotti ganha peso extra porque não envolve apenas um nome, mas uma função-chave. Paquetá equilibra criação, marcação e controle do ritmo no meio-campo. Martinelli oferece outra coisa: profundidade, velocidade e instinto de finalização. O debate entre perder controle e ganhar intensidade domina conversas de torcedores desde que a escalação sai.

Treinos indicam mudança e confirmam novo desenho tático

A virada em direção a Martinelli começa nos treinos de sexta e sábado, no centro de treinamento da Seleção. Danilo Santos, meio-campista do Botafogo, chega a ser testado na vaga, mas perde terreno. Nos dois últimos trabalhos, Martinelli aparece entre os titulares na maior parte do tempo e se firma como favorito.

A confirmação vem poucas horas antes da partida, na preleção de Ancelotti no vestiário do estádio em Nova Jersey. O treinador explica aos jogadores que Martinelli atuará em uma faixa híbrida, entre o corredor esquerdo e o centro, alternando com Vinícius Júnior.

Em entrevista, o técnico detalha o raciocínio. “Merece porque marcou gol importante contra o Japão. Está motivado, bem fisicamente. Creio que pode ajudar. Ele vai jogar no centro para a esquerda, revezar de posição com o Vini. Já jogaram juntos da mesma maneira, contra o Paraguai, nas eliminatórias. Foram bem, e acho que pode repetir”, afirma.

Martinelli chega à partida carregando o gol decisivo da classificação sobre o Japão, anotado na última segunda-feira. A atuação reforça a imagem de jogador em ascensão dentro do elenco e pesa na convicção da comissão técnica.

Time mantido na base, mas com outra alma no ataque

A escalação do Brasil se mantém quase inteira em relação ao duelo com o Japão. Entram em campo Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro e Bruno Guimarães; Rayan, Matheus Cunha, Gabriel Martinelli e Vinícius Júnior.

O desenho, porém, muda de nuances. Sem Paquetá, o meio-campo perde um articulador natural. A tendência é de que Bruno Guimarães assuma ainda mais responsabilidade na saída de bola e no último passe, enquanto Casemiro protege a defesa.

Na frente, Rayan e Matheus Cunha trabalham mais por dentro, com Martinelli e Vinícius alternando entre o lado esquerdo e o centro. A ideia é aumentar a mobilidade, puxar zagueiros e laterais noruegueses para fora de posição e explorar transições rápidas, uma marca das equipes de Ancelotti nos clubes.

Esse ajuste traz risco conhecido: a Seleção pode ficar mais partida, com menos gente capaz de pausar o jogo e controlar a posse. O dilema entre espetáculo e segurança reaparece em pleno mata-mata.

Banco mais curto e aposta controlada em Raphinha

O banco de reservas também entra na equação. Raphinha, que sofre lesão na coxa direita contra o Haiti, volta a treinar com o grupo às vésperas do jogo. Ainda assim, a comissão técnica trata o retorno com cautela.

O atacante faz aquecimento integrado e parte dos exercícios com os companheiros, mas alterna com trabalhos individuais. Ele é relacionado, vai para o banco e surge como carta para emergências ou ajustes de segundo tempo.

Ancelotti deixa claro o limite físico do jogador. “Se necessário, pode ser utilizado. Acho que não nos 90 minutos, porque volta de uma lesão. É importante tê-lo no banco”, diz o treinador. A presença de Raphinha amplia o leque para mudar o lado direito, mas não resolve a falta de um substituto à altura de Paquetá no centro do campo.

Torcida dividida, pressão alta e olho nas quartas

As reações à notícia da titularidade de Martinelli surgem quase instantâneas nas redes sociais e nas transmissões esportivas. Parte da torcida vê prêmio justo a quem decide jogo grande e pressiona a defesa adversária. Outra parte teme a perda de equilíbrio e reclama da ausência de um armador clássico.

Entre jornalistas e comentaristas, a divisão é parecida. A escolha de um atacante para a vaga de um meio-campista é lida como sinal de coragem por uns e de aposta arriscada por outros. O histórico recente da Seleção no Mundial, com dificuldades para controlar partidas na fase de grupos, alimenta a cautela.

Nos bastidores, a comissão técnica exibe confiança. A leitura é de que o momento de Martinelli compensa, em parte, a lacuna técnica deixada por Paquetá. O ambiente interno reforça o discurso de grupo pronto para se adaptar, mesmo com baixas.

O peso da decisão cresce porque o caminho do Brasil já está traçado. Quem avançar em Nova Jersey encara México ou Inglaterra nas quartas de final, no dia 11 de julho, em Miami. Um bom desempenho de Martinelli hoje pode consolidá-lo como titular também no próximo compromisso. Uma atuação discreta reacenderá a discussão sobre alternativas no meio.

O Mundial não espera recuperação de lesionado nem amadurecimento de ideia tática. Em 90 minutos, Ancelotti testa sua aposta mais ousada até aqui: trocar controle por explosão, e um meia consolidado por um atacante em alta.

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