A primeira semana da senadora Teresa Leitão (PT-CE) como líder do governo no Senado foi marcada pela retomada do diálogo entre o Palácio do Planalto e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Nos últimos dias, os dois se reuniram em duas ocasiões, movimento visto por aliados do governo como um sinal de reaproximação entre os dois poderes.
Teresa assumiu a liderança em um momento de desgaste na relação entre o Senado e o governo federal. O clima entre Alcolumbre e o presidente Lula (PT) sofreu impacto após a derrota da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de abril.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, integrantes do governo avaliam que a escolha da senadora ajudou a reconstruir a interlocução com o comando do Senado. Por manter uma boa relação com Alcolumbre, Teresa chega ao cargo com a expectativa de facilitar a comunicação entre o presidente do Senado e Lula.
A parlamentar pretende conduzir essa relação de forma “institucional” e ressaltou que um eventual encontro entre Lula e Alcolumbre depende exclusivamente da decisão dos dois.
Ela também minimizou a crise entre o Executivo e o Legislativo, afirmando que não houve uma ruptura entre o Planalto e o Senado, já que ministros e parlamentares continuam mantendo diálogo. Nos bastidores, porém, a interlocução entre Alcolumbre e o então líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), já era considerada desgastada.
Troca na liderança
Teresa Leitão foi escolhida para substituir Jaques Wagner, alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada ao caso do Banco Master. Até então, ela ocupava a liderança da bancada do PT no Senado.
Indicada após uma conversa por telefone com Lula, a senadora teve seu primeiro encontro com o presidente da República na segunda-feira (29). No dia seguinte, reuniu-se com Alcolumbre.
Durante uma sessão no plenário, na terça-feira (30), o presidente do Senado elogiou a capacidade de articulação da nova líder e afirmou que ela terá uma “missão muito importante” na interlocução entre os Poderes.
Na quarta-feira (1°), os dois voltaram a se reunir, desta vez acompanhados de representantes de centrais sindicais e do senador Paulo Paim, para discutir a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
Fim da escala 6×1 segue como prioridade
Além da articulação política, Teresa terá como um dos principais desafios destravar a proposta de redução da jornada de trabalho, considerada prioritária pelo governo.
O texto enfrenta resistência de setores econômicos e está parado no Senado desde o fim de maio. Apesar disso, a senadora rejeita a avaliação de que a matéria esteja travada. Segundo ela, o projeto segue um cronograma de debates e negociações antes da definição sobre sua tramitação. A tendência é que a proposta avance apenas após o recesso parlamentar.
Inicialmente, a base governista pretendia aprovar a matéria antes do início do recesso, em 18 de julho. Com o calendário apertado, no entanto, parlamentares do PT já admitem que a votação deve acontecer somente a partir de agosto.
Nova composição da bancada e pautas de impacto fiscal
Ao longo da semana, Teresa também se reuniu com a bancada do PT para discutir a escolha do novo líder na legenda no Senado. A expectativa é que o senador Camilo Santana (PT-CE) seja oficializado no cargo na próxima terça-feira (7).
Outro desabafo da nova líder será negociar projetos classificados pelo governo como “pautas-bomba”, devido ao elevado impacto nas contas públicas.
Entre eles está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate à endemias, com impacto estimado em cerca de R$ 28 bilhões ao longo de dez anos.
A proposta chegou a entrar na pauta do Senado na terça-feira (30), mas Alcolumbre optou por adotar uma tramitação mais lenta, decisão interpretada por integrantes do governo como um gesto de aproximação com o Executivo. A partir de agora, caberá a Teresa Leitão negociar o ritmo da votação e buscar acordos em torno da matéria.