São Paulo pode se tornar o ponto em que Lula precisará intervir diretamente na articulação eleitoral. Levantamentos recentes mostram Tarcísio de Freitas à frente de Fernando Haddad, com vantagem superior a 15 pontos no primeiro turno, distância que se amplia em um eventual segundo turno.
Não se trata de um detalhe. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país e funciona como termômetro para as articulações em outros estados, além de representar a base natural de um palanque forte para Lula em 2026.
Vantagem de Tarcísio preocupa o PT
A avaliação da gestão estadual também preocupa o campo governista. A aprovação pessoal do governador já se aproxima de dois terços do eleitorado, o que, evidentemente, retrata o momento e não antecipa o cenário de outubro.
Ainda assim, apurei junto a fontes que o temor real no entorno petista é outro: se Tarcísio consolidar uma vantagem suficiente para vencer já no primeiro turno, o PT ficará sem o embate de polarização que considera necessário para nacionalizar a disputa e fortalecer seu palanque em São Paulo.
Bastidores da chapa governista
Diante desse cenário, o desenho da chapa segue sendo reorganizado nos bastidores. Márcio França (PSB) é hoje o nome mais consolidado para ocupar a vice na chapa de Haddad, enquanto Simone Tebet mantém sua pré-candidatura ao Senado, posição que ela mesma reafirmou publicamente.
Um dado que chama a atenção é que os nomes ligados ao campo governista apresentam bom desempenho na disputa pela Casa Alta. Simone Tebet e Marina Silva aparecem entre as favoritas ao Senado, movimento oposto ao observado na corrida pelo governo paulista, em que Haddad ainda enfrenta dificuldades para reduzir a distância em relação a Tarcísio.
Estratégia para levar a disputa ao segundo turno
Nos bastidores, forçar a realização de um segundo turno é visto como a alternativa mais discutida pelo PT para sustentar a disputa de narrativas e ampliar o tempo de confronto político. Essa estratégia pode ganhar ainda mais relevância em uma eleição marcada também pela falta de unidade no campo bolsonarista do PL.
Do lado de Tarcísio, por enquanto, não há sinais de mudança de estratégia. O discurso público permanece concentrado na reeleição ao governo de São Paulo, embora uma eventual ambição nacional continue sendo especulada nos bastidores como um capítulo que deverá ser discutido apenas após as eleições de outubro.