Áudio da torre de controle revela desespero de piloto antes de queda de avião em SC: “Mayday, vou pousar na praia”

Gravação mostra o momento em que comandante de aeronave declara emergência internacional e avisa que não conseguiria chegar à pista de aeroporto
Redação NC News
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O acesso exclusivo às comunicações de rádio entre o piloto do avião de prefixo PT-ODR e a torre de controle do Aeroporto Internacional de Navegantes, em Santa Catarina, revelou os momentos dramáticos que antecederam a queda da aeronave nesta segunda-feira (6). Na gravação, o comandante declara “Mayday” — o código internacional de socorro para situações de perigo extremo — e relata que estava perdendo as condições de voar.

A conversa desesperada ocorreu instantes antes do impacto da aeronave. Ao perceber que ocorria uma falha crítica nos sistemas, o piloto tentou desviar a rota em direção ao mar para evitar uma tragédia ainda maior sobre as casas e avenidas da região. Ao notar que o motor ou a sustentação do avião não resistiriam até a cabeceira da pista principal, ele tomou a decisão drástica de tentar um pouso forçado na faixa de areia.

O que aconteceu?

Durante o voo pela região litorânea de Santa Catarina, o piloto da aeronave de pequeno porte percebeu uma pane grave e acionou imediatamente o rádio para pedir socorro. A torre de controle do terminal de Navegantes interrompeu as outras operações e deu prioridade total para a aproximação do monomotor. No entanto, o tempo era curto. No áudio, o piloto comunica aos controladores que mudaria o trajeto para seguir pela linha do litoral e, logo em seguida, avisa que faria o pouso na praia, pois a aeronave estava perdendo altitude rápido demais e não conseguiria alcançar o aeroporto.

Quem são os envolvidos?

Os envolvidos no episódio são o piloto do avião prefixo PT-ODR e os operadores de tráfego aéreo que estavam de plantão na torre de controle de Navegantes. A identidade do comandante e o estado de saúde das pessoas que estavam a bordo ainda não foram divulgados oficialmente pelas equipes de resgate. As autoridades buscam agora a lista de passageiros para saber quem comprava o plano de voo junto à empresa responsável pelo avião de pequeno porte.

Como aconteceu o apoio da torre?

Os controladores de voo prestaram apoio total durante toda a duração da emergência no ar. Pelo rádio, a torre repassou as informações em tempo real sobre as condições e a direção do vento, orientou o piloto sobre a melhor posição de aproximação e acionou imediatamente os bombeiros e ambulâncias em solo. Seguindo o protocolo de segurança internacional, os operadores perguntaram ao piloto o número exato de pessoas a bordo, o tempo de combustível que o avião ainda tinha (autonomia) e se havia o transporte de algum material perigoso na cabine ou no porão de carga.

Por que isso virou assunto?

O caso virou assunto e gerou grande comoção nas redes sociais pela clareza e pelo nervosismo contido no áudio da fonia. O uso do termo “Mayday” é o último recurso de um aviador e indica que vidas estão em risco iminente. Para quem mora na região litorânea e para os turistas, ver um avião despencar em direção à praia traz um misto de assombro e curiosidade sobre o que teria causado o colapso de uma aeronave considerada segura por especialistas do setor.

O que diz a investigação?

As investigações sobre as causas reais da emergência e da queda estão sob a responsabilidade do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Agentes do órgão já foram deslocados para o local do impacto para recolher os destroços do PT-ODR, analisar o combustível e avaliar o painel de instrumentos. Segundo os investigadores, a gravação da fonia será anexada ao inquérito como peça fundamental para entender se houve pane seca, falha mecânica no motor ou se fatores meteorológicos contribuíram para a queda.

 

O que acontece agora?

A área do acidente na praia permanece isolada pelas forças de segurança locais para garantir que a perícia aeronáutica recolha todas as peças sem interferência externa. Os áudios completos da comunicação de rádio serão analisados segundo a segundo por técnicos de som para identificar possíveis ruídos de alarmes ao fundo da cabine. O relatório preliminar apontando o que fez o avião cair deve ser divulgado pelas autoridades em um prazo de trinta dias.

Entenda o contexto

Acidentes envolvendo aeronaves de pequeno porte no Brasil possuem um histórico que frequentemente acende o debate sobre a rigidez das manutenções preventivas e a idade da frota que voa pelo país. O aeroporto de Navegantes, por estar localizado em uma região de forte movimentação turística e portuária, registra um intenso fluxo desse tipo de avião executivo semanalmente.

A relevância de divulgar as conversas da torre está em mostrar o protocolo de sobrevivência adotado na aviação. Os próximos desdobramentos deste caso em Santa Catarina vão focar na abertura dos diários de bordo da aeronave PT-ODR para checar se o avião estava com os certificados de navegabilidade em dia e se os pilotos haviam relatado algum tipo de problema técnico nos voos anteriores.

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