FBI mira finanças da AFA em plena Copa de 2026 nos EUA

Autoridades americanas apuram irregularidades financeiras envolvendo a AFA durante a Copa de 2026 nos Estados Unidos.
Redação NC News
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Enquanto a Argentina disputa o Mundial de Seleções nos Estados Unidos em 2026, o FBI e promotores federais americanos investigam as finanças da Associação do Futebol Argentino (AFA). A apuração mira operações que somam centenas de milhões de dólares em bancos dos EUA e envolve suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro.

Rede de contas, contratos e comissões milionárias

A investigação se concentra na engrenagem financeira montada pela AFA fora da Argentina, em especial na empresa TourProdEnter LLC, do produtor teatral Javier Faroni. A companhia atua como intermediária dos contratos internacionais da entidade e, segundo documentos bancários, movimenta ao menos 260 milhões de dólares em contas abertas em cinco bancos americanos: Citibank, Synovus, Bank of America, JPMorgan e PNC Bank.

Os promotores Patrick Gushue e Christopher Ting, em Washington, e Michael Berger, no Distrito Sul da Flórida, buscam entender que parte desse fluxo tem amparo contratual e que parte escapa a qualquer justificativa econômica plausível. A suspeita é de que a estrutura sirva para ocultar origem e destino de recursos ligados à AFA, presidida por Claudio “Chiqui” Tapia, e ao empresário Guillermo Toviggino, dirigente influente na entidade.

A TourProdEnter recebe pagamentos diretos de multinacionais que patrocinam a seleção e a AFA. Documentos analisados apontam ao menos 60 milhões de dólares vindos da Adidas e 40 milhões de dólares da Warner. Pelo contrato firmado, válido até dezembro deste ano, a empresa de Faroni tem direito a 30% de toda a receita internacional da AFA nos últimos quatro anos, além de 10% sobre despesas logísticas em viagens e eventos.

O desenho chama atenção dos investigadores em um período de fortes restrições cambiais na Argentina. Em vez de entrar por bancos locais, parte relevante do dinheiro circula por contas americanas de uma companhia privada ligada a dirigentes. A partir daí, valores seguem para empresas que, em alguns casos, pertencem a pessoas formalmente inscritas em programas sociais na Argentina ou a firmas associadas à família de Toviggino.

Do pré-2026 ao Mundial: como o caso ganha corpo

A apuração não começa durante o torneio, mas ganha visibilidade com a bola rolando. A investigação preliminar é montada ao longo de 2025, com coleta de extratos bancários, registros societários e depoimentos sob sigilo. Em dezembro de 2025, já aparece nos autos uma rede de operações consideradas ilegais, com eixo na Flórida e interligando AFA e TourProdEnter.

Gushue, especialista em integridade bancária, coordena um programa de incentivo a delatores corporativos e mira possíveis colaboradores no circuito financeiro que atende a AFA. Ting, com histórico em casos de crimes financeiros, ajuda a rastrear movimentações atípicas. Berger traz a experiência de ter conduzido em Miami a condenação do ex-controlador-geral do Equador Carlos Ramón Polit por lavagem de dinheiro.

Os três cruzam informações de bancos, prestadores de serviços e ex-integrantes do governo de Javier Milei. O Departamento de Justiça considera ouvir autoridades que, em Buenos Aires, fiscalizam a AFA ou tiveram acesso a relatórios internos sobre contratos e repasses. A lógica é simples: seguir o dinheiro, comparando cada transferência com notas fiscais, contratos e estrutura patrimonial de quem recebe.

Em paralelo, Tapia enfrenta na Argentina uma ação penal movida pelo órgão fiscal ARCA por suposta retenção e não pagamento de impostos e contribuições previdenciárias, em valor próximo de 19 bilhões de pesos. Em maio de 2026, um juiz autoriza sua viagem aos Estados Unidos entre 27 de maio e 21 de julho, mediante fiança de 30 milhões de pesos, para acompanhar a seleção durante o Mundial. Esse processo, porém, corre separado da investigação criminal americana.

AFA reage e aposta na narrativa da presunção de inocência

Com a apuração ganhando manchetes internacionais, a AFA tenta conter danos políticos e de imagem. O embaixador da entidade para a América do Norte, Tomás Regalado, assume a linha de frente da defesa pública. Em um fórum sobre futebol, corrupção e justiça realizado em Miami, organizado pelo Interamerican Institute for Democracy, Regalado senta ao lado do advogado criminalista Mariano Lizardo para responder às primeiras perguntas incômodas.

Regalado insiste que as autoridades americanas apenas levantam hipóteses de trabalho e que nenhuma conclusão está tomada. “As medidas de investigação, por si só, não determinam responsabilidade nem culpa”, diz. Lizardo reforça que a AFA colabora com as solicitações de informação e argumenta que o uso de empresas intermediárias é prática corrente em contratos internacionais no futebol.

Nos bastidores, porém, o clima é de apreensão. Patrocinadores globais monitoram o caso, preocupados com a possibilidade de ver seus contratos arrastados para uma investigação criminal nos Estados Unidos. Departamentos de compliance de multinacionais revisitariam cláusulas de integridade, gatilhos de rescisão e mecanismos de monitoramento de pagamentos, em especial nos acordos que usam veículos como a TourProdEnter.

O que está em jogo para o futebol argentino e além

O inquérito atinge o coração da economia do futebol argentino. Se o Departamento de Justiça concluir que houve fraude ou lavagem, a AFA pode enfrentar bloqueio de contas nos Estados Unidos, multas pesadas e ações civis por parte de empresas que se considerem lesadas. Dirigentes e empresários ligados ao esquema ficariam expostos a acusações criminais, ordens de prisão e restrições de viagem.

Mesmo sem denúncias formais, o simples andamento da investigação já produz efeito. Bancos americanos reforçam filtros sobre transferências relacionadas a federações esportivas. Escritórios de advocacia em Miami e Washington passam a orientar clubes e entidades da região sobre a necessidade de contratos mais transparentes, com canais claros de auditoria. Executivos de marketing esportivo veem risco de retração no volume de patrocínios em mercados considerados opacos.

No curto prazo, a seleção argentina tenta manter distância institucional do escândalo. A comissão técnica evita comentar o caso, e Tapia busca mostrar normalidade, aparecendo em treinos e entrevistas ao lado dos jogadores. O contraste entre o brilho em campo e o cerco judicial fora dele, porém, alimenta a narrativa de um futebol sul-americano em permanente conflito com regras de governança.

A médio prazo, a investigação americana pode se tornar um novo marco para o esporte na região, à semelhança do impacto do Fifagate uma década atrás. Federaciones vizinhas observam com atenção, temendo que operações financeiras com desenho semelhante também entrem na mira de promotores federais em Nova York, Washington ou Miami.

Próximos passos e a pressão do relógio judicial

Os promotores agora aprofundam a análise de contratos, tentam mapear beneficiários finais das transferências e avaliam quem convocar para depoimentos formais. Ex-funcionários da AFA, executivos de patrocinadores e ex-membros do governo Milei figuram como alvos prioritários.

Se considerarem as evidências robustas, Gushue, Ting e Berger podem levar o caso a um grande júri, etapa em que cidadãos americanos decidem se há elementos para apresentar acusações criminais. Essa decisão, quando vier, deve ocorrer ainda sob o impacto da campanha argentina no Mundial, aumentando a pressão política em Buenos Aires e a tensão diplomática entre os dois países.

Enquanto a bola rola, o futebol argentino vive um jogo paralelo, disputado em tribunais americanos e salas de reunião de bancos e multinacionais. O resultado final, desta vez, não depende de gols, mas da capacidade da AFA de explicar cada centavo que cruzou o Atlântico.

Por que o FBI está investigando as operações financeiras da Federação Argentina durante a Copa nos EUA?

Porque promotores e agentes veem indícios de fraude e lavagem de dinheiro em operações ligadas à AFA em bancos americanos, com uso de empresas intermediárias e contratos internacionais.

Quais irregularidades o FBI suspeita nas operações financeiras da Federação Argentina na Copa?

Os investigadores suspeitam de movimentações sem justificativa econômica clara, uso de empresas de fachada, comissões elevadas e possível ocultação de origem e destino de valores.

Qual o impacto da investigação do FBI sobre a Federação Argentina no futebol?

A investigação ameaça a credibilidade da AFA, pode afetar contratos com patrocinadores, gerar sanções financeiras e pressionar por mudanças na gestão e na transparência.

O que a Federação Argentina diz sobre a investigação do FBI?

A AFA, por meio de seu embaixador Tomás Regalado e de advogados, defende a presunção de inocência e afirma que medidas de investigação não significam culpa.

Quais são as possíveis consequências para a Federação Argentina após a investigação do FBI?

Se houver denúncias e condenações, a AFA pode sofrer bloqueio de contas, multas, ações civis, processos criminais contra dirigentes e exigência de reformas na governança.

 

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