A declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o cessar-fogo com o Irã “acabou” reacendeu o temor de uma escalada militar no Oriente Médio.
A nova onda de aversão ao risco nos mercados financeiros globais foi engatilhada pelo rompimento do acordo preliminar de paz firmado no final de junho. O aumento da tensão geopolítica levanta o receio de interrupções no fornecimento global de energia, especialmente no Estreito de Ormuz, e de pressões inflacionárias que podem alterar os rumos das taxas de juros.
O Estopim: Novos ataques e declaração na Turquia
A madrugada desta quarta-feira foi marcada por uma grave escalada militar, que enterrou oficialmente o cessar-fogo:
Ataque dos EUA: As forças norte-americanas bombardearam alvos no sul do Irã. A ofensiva foi uma retaliação após Washington acusar Teerã de atacar três navios comerciais no Estreito de Ormuz.
Retaliação Iraniana: Em resposta, o Irã afirmou que o bombardeio americano violou o acordo de paz e lançou ataques contra bases militares dos Estados Unidos localizadas no Bahrein e no Kuwait.
*Fim do Diálogo: Horas após as investidas militares, durante uma coletiva de imprensa em Ancara, na Turquia, o presidente Donald Trump declarou que considera o acordo de paz encerrado e descartou a retomada de negociações com o governo iraniano.
Petróleo em alta e fuga para o dólar
O epicentro do pânico nos mercados é o Estreito de Ormuz, uma das vias marítimas mais críticas do planeta, responsável pelo escoamento de cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado mundialmente. O temor de bloqueios na região fez a commodity disparar:
Petróleo Brent (Referência global):
Alta de 5,06%, cotado a US$ 77,91 o barril.
Petróleo WTI (Referência nos EUA):
Alta de 4,97%, cotado a US$ 73,94 o barril.
Paralelamente, investidores iniciaram um movimento de fuga para ativos considerados mais seguros. O dólar ganhou força globalmente, com o índice DXY — que mede o desempenho da moeda americana contra uma cesta de divisas fortes — alcançando 101,17 pontos, o maior patamar em cerca de uma semana.
Efeito dominó nas bolsas de valores
A perspectiva de um petróleo mais caro gera temores de uma nova pressão inflacionária global, o que dificultaria cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. Esse cenário derrubou os mercados de ações em bloco:
Wall Street: Os contratos futuros operaram em queda antes da abertura dos mercados. O Dow Jones recuava 1,34%, o S&P 500 caía 1,06% e o Nasdaq 100 liderava as perdas com 1,55% de retração.
Europa: O índice pan-europeu STOXX 600 registrava queda de cerca de 1,6%, caminhando para o pior desempenho diário desde março. O movimento foi puxado principalmente por empresas dos setores de consumo, turismo e tecnologia.
Ásia: O desempenho foi majoritariamente negativo e acompanhou a aversão ao risco. Na Coreia do Sul, o índice Kospi amargou forte queda de 5,35%. No Japão, o Nikkei recuou 2,11%. Na China continental, o índice de Xangai perdeu 0,49%.
A principal exceção do dia ocorreu em Hong Kong, onde o índice Hang Seng subiu 2,99%. O resultado na contramão do mundo foi impulsionado por ações específicas do setor de tecnologia local, com destaque para a gigante Alibaba, que saltou 12,2% no pregão.