O cenário político e jurídico brasileiro ganhou um novo capítulo de forte tensão na manhã desta quarta-feira (8). A Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ordem judicial, expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tinha como objetivo localizar armas e munições que supostamente estariam escondidas e não teriam sido informadas nos autos de um processo em andamento.
A operação terminou sem que nenhuma arma ou munição oculta fosse encontrada pelos agentes federais. O desdobramento da ação provocou reação imediata do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que integra o comitê de defesa jurídica do pai e cumpre agendas em Washington, nos Estados Unidos.
Críticas à atuação judicial e defesa da boa-fé
Em uma transmissão ao vivo realizada em suas redes sociais logo após tomar conhecimento da operação, Flávio Bolsonaro subiu o tom contra o STF e classificou o episódio como um constrangimento desnecessário, desenhado para interferir no debate público.
Ataque ao Princípio Jurídico
O parlamentar argumentou que os advogados de Jair Bolsonaro já haviam peticionado e detalhado todas as informações sobre o armamento do ex-presidente no processo desde a última sexta-feira.
O senador acusou a corte de ignorar premissas do direito penal para infligir desgaste político à família. “Parece que fizeram a operação para verificar se a defesa estava mentindo. Cadê o princípio da presunção da inocência e da boa-fé?”, questionou o senador.
Flávio resumiu a investida da PF na casa da família como uma “cortina de fumaça para dividir o noticiário” e “um constrangimento sem sentido”.
Relação com a agenda em Washington e ataques ao PT
O senador vinculou o momento da operação policial ao protagonismo político que tenta construir no exterior. Flávio estendeu sua permanência na capital americana após discursar no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) contra as propostas de tarifas alfandegárias de Donald Trump sobre produtos brasileiros, usando a live para nacionalizar o debate econômico.
Ausência de Concorrentes
O presidenciável do PL usou o espaço para alfinetar adversários políticos e criticar a inércia do governo federal. “Senti falta também da presença de outros pré-candidatos à Presidência na reunião de ontem. É muito mais fácil ficar no Brasil e criticar a minha atuação”, disparou.
O parlamentar reiterou o apelido que tenta colar na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, chamando a sigla governista de “Partido dos Taxadores (PT)” e afirmando que sua missão nos EUA é defender o setor produtivo nacional das taxas externas e da política tributária interna do Palácio do Planalto.
A operação na casa de Jair Bolsonaro adiciona mais um elemento de instabilidade à pré-campanha de Flávio, que já lida nos bastidores com o avanço da PF sobre seu aliado Márcio Canella no Rio de Janeiro e com o isolamento político provocado pelo racha familiar com sua madrasta, Michelle Bolsonaro.