Operação Consigliere: ação nacional contra o crime revela como ordens saíam de presídio de segurança máxima

Com mais de 200 policiais nas ruas, investigação mira esquema que movimentava drogas, armas e milhões de dentro das celas; alvos foram surpreendidos em três estados
Redação NC News
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Uma megaoperação policial deflagrada na manhã desta quarta-feira colocou fim ao quartel-general que uma organização criminosa mantinha instalado dentro de um presídio de segurança máxima. Batizada de Operação Consigliere, a ação mobilizou mais de 200 policiais em uma verdadeira caçada humana para cumprir dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão. O esquema, que envolve o tráfico de drogas interestadual e a lavagem de dinheiro, funcionava sob uma forte rede de comunicação comandada por chefões que já estavam atrás das grades.

 

A ofensiva aconteceu na Paraíba e faz parte de um esforço ainda maior: a Operação Força Integrada III, uma mobilização nacional que cumpre ordens judiciais simultaneamente em 15 estados brasileiros. No foco da ação de hoje, as equipes cortaram as linhas de transmissão de um grupo violento que ditava as regras nas ruas mesmo sob a vigilância do Estado.

Como funcionava o esquema de ordens de dentro da cadeia?

De acordo com as investigações, tudo começou a vir à tona após a apreensão estratégica de aparelhos celulares dentro de uma penitenciária de segurança máxima. A partir dali, os agentes da inteligência conseguiram extrair e analisar dados que revelaram um cenário alarmante: os líderes da facção continuavam mandando no crime em tempo real, mesmo cumprindo pena.

Os relatórios apontam que, por meio desses telefones clandestinos, os detentos coordenavam de ponta a ponta:

  • A compra, o transporte e a distribuição de grandes cargas de entorpecentes;
  • A negociação de armas de fogo e munições de grosso calibre;
  • A movimentação financeira e a lavagem do dinheiro do tráfico.
  • Para que tudo funcionasse fora dos muros do presídio, os criminosos usavam pessoas de extrema confiança e parentes próximos que estavam em liberdade. Eram essas pessoas que faziam o trabalho de “leva e traz”, garantindo que a estrutura continuasse de pé.

Onde os mandados foram cumpridos?

A Justiça determinou o cumprimento de 46 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão temporária, além de 8 prisões preventivas e 12 medidas de sequestro e indisponibilidade de bens — mirando o bolso da organização criminosa.

As viaturas saíram ainda de madrugada para surpreender os alvos em locais estratégicos. Veja as cidades que viraram alvo da operação:

Estado – Cidades Atingidas:

  • Paraíba
  • João Pessoa, Campina Grande, Conde, Lagoa Seca e Patos
    São Paulo
  • Capital paulista, São Caetano do Sul e Igaratá
    Mato Grosso do Sul
  • Ponta Porã (fronteira seca)
  • Rio Grande do Norte
  • João Dias

Planos de violência e cobranças brutais

O que mais chamou a atenção das autoridades durante a apuração foram os bastidores do conteúdo encontrado nas mensagens. De acordo com os investigadores, o grupo operava com extrema violência. Nos celulares analisados, foram identificados diálogos explícitos sobre cobranças de dívidas do tráfico de drogas que não aceitavam atrasos.

Mais do que isso, as conversas revelaram o planejamento detalhado de ações violentas e execuções contra devedores e membros de facções rivais que tentavam invadir as áreas controladas por eles.

Quem está por trás da operação?

Toda a ofensiva foi coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado na Paraíba (FICCO/PB). Essa força-tarefa é um braço forte da segurança e une os esforços da Polícia Federal, da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e das Polícias Civil, Militar e Penal da Paraíba.

Até o momento, os materiais apreendidos — como documentos, dinheiro e novos eletrônicos — estão sendo contabilizados pelas equipes e serão usados para aprofundar o inquérito. O objetivo agora é identificar novos laranjas que ajudavam a ocultar o patrimônio milionário do grupo.

Entenda o contexto

As Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO) foram criadas justamente para descentralizar o combate às grandes facções brasileiras, unindo as inteligências federal e estadual. O avanço da tecnologia dentro e fora dos presídios tornou comum o uso de redes de “consiglieres” (conselheiros ou braços direitos, em italiano) para dar sequência aos crimes. Ações integradas nacionais, como a que acontece hoje em 15 estados, buscam sufocar não apenas os gerentes do tráfico nas ruas, mas desmantelar o fluxo financeiro que financia o armamento pesado e mantém o poder dessas lideranças mesmo após a prisão.

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