Petição aponta suposto cárcere privado de Anna Carolina Jatobá e reacende caso Isabella Nardoni

Documento protocolado na Justiça afirma que a condenada viveria sob o domínio do sogro após deixar a prisão. Pedido também busca anular a progressão para o regime aberto e levá-la de volta ao regime fechado.
Redação NC News
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A condenação de Anna Carolina Jatobá pela morte de Isabella Nardoni voltou ao centro das atenções após uma nova movimentação judicial protocolada nesta quarta-feira (8). Uma petição apresentada à Justiça de São Paulo sustenta que a condenada estaria vivendo em uma espécie de cárcere privado desde que deixou a prisão, em 2023, e pede o retorno dela ao regime fechado.

O documento foi apresentado pelo ativista Agripino Magalhães, presidente da Associação do Orgulho LGBTQIAPN+, à 1ª Vara das Execuções Criminais de Taubaté. Além da alegação de cárcere privado, a ação solicita a abertura de um procedimento para revisar a progressão de regime concedida a Anna Carolina Jatobá.

O que diz a petição?
Segundo a petição, Anna Carolina Jatobá estaria sob influência e controle do sogro, Antônio Nardoni, avô paterno de Isabella. O documento sustenta que essa situação teria como objetivo impedir que ela revelasse informações que poderiam comprometer outras pessoas relacionadas ao caso. As alegações, no entanto, ainda não foram analisadas pela Justiça e não há decisão sobre o pedido.

A ação também solicita medidas como a produção de novas provas, oitivas de testemunhas e diligências para investigar as acusações apresentadas.

Supostos privilégios durante o período na prisão
Outro ponto levantado na petição envolve supostos benefícios que Anna Carolina teria recebido enquanto cumpria pena na Penitenciária Feminina de Tremembé.

O documento cita relatos de uma ex-agente penitenciária que afirma que a condenada teria recebido tratamento diferenciado dentro da unidade, incluindo um colchão ortopédico de alto valor e uma função de chefia que permitiu a remição de pena por trabalho. Também são levantadas suspeitas sobre uma suposta relação de proximidade entre Antônio Nardoni e a direção da penitenciária. Todas essas alegações ainda dependem de apuração e não foram reconhecidas pela Justiça.

Pedido ainda será analisado
Até o momento, não há decisão judicial sobre o pedido apresentado. Caberá à Justiça avaliar se existem elementos suficientes para instaurar novas diligências, rever a progressão de regime de Anna Carolina Jatobá ou arquivar a solicitação.

Relembre o caso Isabella Nardoni
O caso Isabella Nardoni chocou o Brasil em março de 2008. A menina, de cinco anos, morreu após ser jogada da janela do apartamento onde estava com o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo.

Em 2010, os dois foram condenados pelo homicídio qualificado da criança. Anna Carolina deixou a prisão em 2023 após obter progressão para o regime aberto, enquanto Alexandre Nardoni também progrediu de regime conforme a execução da pena.

O caso Isabella Nardoni permanece entre os crimes de maior repercussão da história recente do Brasil. Mesmo mais de 18 anos após o assassinato da menina, novas petições, denúncias e pedidos judiciais continuam sendo apresentados por diferentes entidades e pessoas ligadas ao caso.

A nova ação não altera automaticamente a situação jurídica de Anna Carolina Jatobá. As alegações de cárcere privado, privilégios na prisão e eventual retorno ao regime fechado ainda dependem da análise da Justiça, que decidirá se há fundamentos para dar andamento ao processo.

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