A Polícia Federal afirma ter identificado o publicitário Thiago Miranda como um dos principais responsáveis pela articulação de um suposto esquema de contratação de influenciadores digitais para promover campanhas coordenadas nas redes sociais. Segundo os investigadores, ele atuava tanto no recrutamento dos perfis quanto na gestão dos pagamentos destinados aos participantes da estratégia.
A apuração faz parte de uma investigação que busca esclarecer uma possível atuação organizada para influenciar a opinião pública e pressionar instituições por meio de publicações coordenadas. Nesta quinta-feira (9), a PF cumpriu mandado de busca e apreensão contra Miranda, autorizando a coleta de celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos.
O que a Polícia Federal investiga?
De acordo com a investigação, Thiago Miranda teria desempenhado um papel central na estrutura operacional do chamado “Projeto DV”, iniciativa ligada ao empresário Daniel Vorcaro. A suspeita é de que o grupo tenha estruturado uma rede de influenciadores contratados para divulgar conteúdos alinhados aos interesses do projeto.
Os investigadores afirmam que Miranda seria responsável por:
identificar e recrutar influenciadores, negociar contratos, organizar os pagamentos, acompanhar a publicação dos conteúdos, monitorar a execução das campanhas nas redes sociais.
Pagamentos de milhões chamaram atenção da investigação
Segundo documentos analisados pela Polícia Federal, os contratos envolvendo influenciadores somavam aproximadamente R$ 8 milhões.
A investigação aponta que cerca de R$ 3,5 milhões foram efetivamente pagos entre o fim de dezembro de 2025 e os primeiros dias de janeiro de 2026, após recursos terem sido transferidos para a agência de Thiago Miranda por uma empresa ligada a Daniel Vorcaro.
Os investigadores agora tentam identificar quais perfis participaram da campanha, qual era o alcance das publicações e se houve eventual prática de crimes relacionados ao caso.
Buscas também envolvem suspeitas de intimidação
Além da contratação de influenciadores, a Polícia Federal investiga a possível realização de pesquisas e levantamentos sobre jornalistas e autoridades públicas.
Segundo a decisão judicial que autorizou as diligências, há indícios de que informações privadas poderiam ter sido buscadas para, em tese, constranger ou intimidar profissionais responsáveis por reportagens consideradas prejudiciais aos interesses investigados. A PF também apura possíveis tentativas de interferência em investigações e outras condutas que ainda serão analisadas ao longo do processo.
O que dizem os investigadores?
Conforme a Polícia Federal, os elementos reunidos até o momento indicam que Thiago Miranda exercia uma função considerada estratégica dentro da estrutura investigada.
A corporação sustenta que ele coordenava o relacionamento com influenciadores e administrava a operacionalização dos pagamentos, além de participar da execução de outras ações atribuídas ao grupo. Essas conclusões, no entanto, ainda fazem parte da fase de investigação e serão submetidas ao contraditório durante o andamento do processo.
Houve manifestação da defesa?
Até a publicação das informações sobre a operação, Thiago Miranda não havia se manifestado publicamente sobre as medidas cumpridas pela Polícia Federal, segundo os relatos divulgados nesta quinta-feira.
O que acontece agora?
O material apreendido será analisado pela Polícia Federal para verificar se há novas provas capazes de confirmar ou afastar as suspeitas investigadas.
Caso a investigação reúna elementos suficientes, o Ministério Público poderá decidir pelo oferecimento de denúncia. Até o momento, a apuração segue em andamento e não há decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade dos investigados.
ENTENDA O CONTEXTO
A investigação faz parte de um conjunto de apurações relacionadas ao chamado “Projeto DV”, que, segundo a Polícia Federal, teria sido estruturado para promover campanhas coordenadas nas redes sociais em defesa de interesses ligados ao empresário Daniel Vorcaro.
Os investigadores apuram se influenciadores digitais foram contratados para publicar conteúdos previamente definidos, além de suspeitas de monitoramento de jornalistas, autoridades e tentativas de interferência em investigações. A operação desta quinta-feira representa mais um desdobramento do caso, que permanece em fase de investigação. Até o momento, não há condenação definitiva relacionada aos fatos apurados.