Super tufão Bavi ameaça Taiwan com ventos de 198 km/h

Bavi provoca medidas de emergência em Taiwan e avança rumo ao litoral leste da China com força devastadora.
Redação NC News
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O super tufão Bavi, o mais intenso a ameaçar Taiwan em mais de 30 anos, leva autoridades a esvaziar bairros inteiros e fechar escolas nesta sexta-feira, 10. Com ventos sustentados de até 162 km/h e rajadas que chegam a 198 km/h, o sistema avança sobre o norte e o leste da ilha e altera a rotina de milhares de moradores.

Tufão testa preparo de Taiwan para eventos extremos

O impacto foi imediato. Mais de mil pessoas deixaram suas casas em áreas vulneráveis, principalmente no leste de Taiwan, e seguem para abrigos temporários. A ordem de evacuação preventiva tentou reduzir o risco de mortes em deslizamentos, inundações repentinas e queda de estruturas frágeis.

Escolas e repartições públicas fecharam as portas em várias cidades. A decisão afetou famílias que precisaram reorganizar a rotina em poucas horas e interrompeu serviços administrativos em um dia útil. O governo local orientou que empresas flexibilizem horários e adotem trabalho remoto, quando possível.

A Administração Central de Meteorologia de Taiwan (CWA) monitora o Bavi em tempo real e atualizou alertas ao longo do dia. O órgão descreveu um cenário de forte perigo, em especial nas áreas costeiras. O raio de ventos intensos, de cerca de 380 quilômetros, ampliou o alcance do tufão e fez com que regiões distantes, também sentissem rajadas capazes de derrubar postes, árvores e telhados.

Do Pacífico às portas da China

O Bavi cruzou o Pacífico há pelo menos cinco dias. Na segunda-feira, 6, atinge Guam e as Ilhas Marianas do Norte, territórios dos Estados Unidos, ainda classificado como supertufão. Ali provocou destruição localizada, interrompeu fornecimento de energia e obrigou o fechamento de aeroportos por horas.

À medida que avança em direção ao oeste, o sistema perde parte da força, encontra águas menos favoráveis e é reclassificado como tufão. A mudança técnica, porém, não diminui o grau de atenção na região. O tamanho do campo de ventos e o volume de chuva associado mantêm o potencial de estragos elevado.

No caminho, o Bavi varreu ilhas remotas do sudoeste do Japão. Nesses arquipélagos, voos são cancelados, milhares de moradores ficaram sem energia elétrica e ao menos nove pessoas se feriram. As imagens de linhas de transmissão retorcidas e estradas bloqueadas por destroços ajudaramm a dimensionar o que Taiwan tentou evitar com medidas antecipadas.

O meteorologista Wang Ping-hsiang, da CWA, afirmou que a tendência é de enfraquecimento gradual. “É provável que o tufão continue perdendo intensidade porque as condições ambientais não são favoráveis”, diz. Mesmo assim, autoridades não reduzeramm o tom de alerta, já que tufões menos intensos ainda podem provocar enchentes, danos a infraestrutura e longas interrupções de energia.

Rotina suspensa e economia em compasso de espera

Enquanto o Bavi se aproxima, cidades taiwanesas se recolheeram. Lojas fecharamm mais cedo, linhas de ônibus foram reduzidas e moradores reforçaramm janelas e portas com tábuas e fitas. Famílias estocaramm água, alimentos não perecíveis e remédios, prevendo horas ou dias de instabilidade na rede elétrica.

Serviços de transporte entraramm em regime de atenção máxima. Companhias aéreas cancelaramm ou remanejam voos domésticos e internacionais. Portos restringramm operações, o que afetou cadeias de fornecimento e o fluxo de mercadorias. Empresas do comércio e do turismo sentiram o impacto imediato na queda de clientes e reservas.

Setores de emergência e defesa civil ganharamm centralidade. Equipes foram posicionadas em pontos estratégicos, caminhões de resgate ficaramm a postos e hospitais reforçaramm plantões. O objetivo é reduzir o tempo de resposta a desabamentos, alagamentos e acidentes causados por destroços levados pelo vento.

A extensão de 380 quilômetros do raio de ventos fortes deixa comunidades costeiras e áreas urbanas em posição delicada. Mesmo quem vive longe do litoral pode enfrentar árvores caídas, telhados arrancados e interrupções prolongadas de serviços essenciais.

Tufões mais intensos e lições para a região

Taiwan convive historicamente com tufões, mas a classificação de Bavi como o mais intenso a ameaçar a ilha em mais de três décadas acende um alerta extra. A lembrança de eventos anteriores, com inundações devastadoras e dezenas de mortes, pesa nas decisões atuais.

Especialistas em clima e planejamento urbano veem no episódio um teste para sistemas de alerta, códigos de construção e protocolos de evacuação. A resposta rápida ao Bavi, com ordens preventivas de saída e fechamento de estruturas públicas, deve servir de base para ajustes futuros, seja para reforçar abrigos, seja para rever o padrão de ocupação em áreas de risco.

O rastro do tufão pelo Pacífico também expõe a necessidade de cooperação regional. Guam, Ilhas Marianas do Norte, arquipélagos japoneses, Taiwan e, em seguida, o litoral leste da China compartilham informações de radar, dados de satélite e modelos de previsão. O objetivo é ganhar horas preciosas para preparar a população e reduzir danos.

A expectativa das agências meteorológicas é que o Bavi alcance o leste da China ao longo do fim de semana. Mesmo com a tendência de enfraquecimento, autoridades chinesas se preparam para possíveis enchentes em áreas costeiras, queda de energia e paralisações temporárias em portos e polos industriais.

Depois da passagem do sistema, Taiwan e os demais territórios afetados terão pela frente a conta dos estragos: avaliação de danos, reconstrução de infraestrutura, apoio a desabrigados e recuperação econômica. A forma como o país atravessa estas horas, e o quanto conseguirá limitar perdas humanas, deve alimentar o debate sobre adaptação a eventos climáticos cada vez mais extremos no Pacífico.

 

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