Menino de 10 anos é resgatado trancado em quarto em Goiânia

Garoto com diabetes tipo 1 foi encontrado em situação de abandono após denúncia anônima em Goiânia.
Redação NC News
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Um menino de 10 anos é resgatado trancado em um quarto de apartamento em Goiânia,  Portador de diabetes tipo 1, ele está internado na UTI depois de ser encontrado usando uma garrafa para urinar e sem alimentação adequada. A mãe é presa em flagrante pela Polícia Civil.

Resgate em prédio de bairro residencial

O caso acontece em um apartamento no Setor Faiçalville, bairro residencial de classe média de Goiânia. Uma denúncia anônima ao Conselho Tutelar alerta que o menino está preso em casa, em situação de vulnerabilidade. Moradores do prédio relatam que a criança chega a gritar por socorro da janela do imóvel.

Quando a equipe do Conselho Tutelar chega, não consegue entrar pela porta. O conselheiro tutelar José Roberto Silva decide subir por uma escada para acessar a janela do apartamento, no alto, enquanto conversa com o menino e tenta acalmá-lo. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar são acionados para dar suporte à operação.

Do lado de dentro, a cena confirma os relatos. O menino está sozinho, trancado em um quarto, sem ter tomado café da manhã nem almoço, segundo o conselheiro. O local está sujo, com lixo espalhado pelos cômodos. Em texto publicado nas redes sociais, José Roberto descreve a entrada arriscada no imóvel. “Diante da impossibilidade de acesso ao imóvel, foi necessário utilizar uma escada para entrar pela janela. No local, a equipe encontrou a criança utilizando uma garrafa para urinar, enquanto permanecia sem os cuidados essenciais para sua saúde e segurança”, relata.

Do quarto trancado à UTI

O menino explica ao conselheiro que usa uma garrafa para urinar e que tenta segurar as demais necessidades até a mãe voltar. A rotina descrita contrasta com a condição dele: diabético tipo 1, depende de alimentação regular, medicação rigorosa e monitoramento constante da taxa de açúcar no sangue para evitar crises graves.

Depois de retirado do apartamento com apoio do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, o menino é levado pelo serviço de saúde ao Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad). A unidade confirma que ele está internado na Unidade de Terapia Intensiva, em estado que exige vigilância permanente de médicos e enfermeiros. A internação em UTI indica risco de descompensação do diabetes e outras complicações ligadas à negligência prolongada.

O Conselho Tutelar acolhe a criança imediatamente após o resgate, como medida de proteção. Na prática, isso significa que o menino fica sob responsabilidade do órgão, afastado do convívio com a mãe, enquanto a rede de proteção define o destino temporário e avalia se há familiares aptos a assumir os cuidados.

Mãe é presa e investigação avança

A Polícia Civil informa que a mãe do menino é presa em flagrante ainda na quinta-feira. Conduzida à delegacia, ela opta por permanecer em silêncio durante o interrogatório. A escolha pelo silêncio é um direito previsto em lei, mas impede, por ora, que as autoridades tenham a versão dela sobre o que levou ao abandono do filho.

O caso fica sob responsabilidade da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), especializada em crimes contra menores. Um inquérito é instaurado para apurar em detalhes a rotina da família, o tempo em que o menino fica trancado sozinho, as condições do apartamento e possíveis denúncias anteriores. A investigação deve ouvir vizinhos, servidores do Conselho Tutelar, equipes de saúde e outros eventuais cuidadores.

O Conselho Tutelar, por sua vez, passa a acompanhar o caso não só pelo acolhimento do menino, mas também pela necessidade de avaliar falhas na rede de proteção. O episódio levanta dúvidas sobre a existência de sinais prévios de negligência, visitas anteriores de assistentes sociais e a atuação coordenada entre saúde, escola e assistência social.

Rede de proteção em xeque

O resgate do menino expõe com crueza um problema menos visível da cidade: crianças confinadas em casa, muitas vezes sem supervisão e sem cuidados básicos. No caso de uma criança com diabetes tipo 1, o risco é ainda maior. Sem insulina e alimentação adequada, em poucas horas o organismo pode entrar em colapso, com possibilidade de coma e morte.

A situação pressiona a rede pública de saúde, que agora precisa manter uma vaga de UTI pediátrica no Hecad para estabilizar o quadro do menino. Também provoca reação entre conselheiros tutelares, que veem no episódio a confirmação da importância das denúncias anônimas. Sem a ligação feita ao órgão, o desfecho poderia ser trágico.

O sistema de proteção à infância, por outro lado, volta a ser cobrado. A cada novo caso de negligência extrema, cresce a pressão sobre prefeituras e governos estaduais para ampliar equipes, melhorar treinamento e agilizar respostas. O funcionamento dos canais de denúncia, a capacidade dos conselhos tutelares e a articulação com a polícia e a assistência social entram no centro do debate.

Pressão por mudanças e próximos passos

A repercussão do caso em Goiânia tende a alimentar uma discussão mais ampla sobre vulnerabilidade infantil. Organizações de defesa de direitos de crianças e adolescentes já acompanham situações semelhantes e devem usar o episódio como exemplo da necessidade de ações preventivas, como visitas domiciliares, acompanhamento constante de famílias em situação de risco e campanhas de orientação.

No curto prazo, o foco permanece na recuperação do menino, internado na UTI do Hecad, e na apuração criminal contra a mãe. O inquérito da DPCA vai indicar se ela responderá por abandono de incapaz, maus-tratos ou outros crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, o que pode resultar em condenação e perda definitiva da guarda.

A médio e longo prazo, a forma como o poder público reage a este caso vai servir de termômetro da capacidade do Estado de proteger crianças como ele. A pergunta que fica é se a rede conseguirá transformar a comoção em políticas concretas, capazes de evitar que outro menino, em algum apartamento anônimo da cidade, precise gritar por socorro pela janela.

Como está o caso do menino encontrado preso em apartamento?

O menino de 10 anos está sob proteção do Conselho Tutelar e internado na UTI do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente, em Goiânia, recebendo cuidados intensivos.

O que aconteceu com o menino que pediu ajuda pela janela?

Ele foi resgatado de um quarto trancado em um apartamento no Setor Faiçalville, após denúncia anônima. Estava em condições precárias e foi levado para o hospital.

Onde está o menino que foi resgatado e está na UTI?

O menino está internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), em Goiânia, sob acompanhamento médico.

Quais foram as circunstâncias do resgate do menino preso no apartamento?

Sem acesso pela porta, o conselheiro José Roberto Silva usou uma escada para entrar pela janela, com apoio do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, e encontrou o menino trancado e debilitado.

 

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