O tufão Bavi atinge o leste da China desde a noite de sábado (11) com chuvas intensas e ventos violentos, força a evacuação de mais de 2,8 milhões de pessoas e paralisa aeroportos e linhas de trem em algumas das regiões mais populosas do país. A tempestade, do tamanho da França, segue neste domingo (12) em direção ao interior, ainda com potencial de causar enchentes em série.
Tufão histórico testa resposta da China a extremos climáticos
Autoridades chinesas classificam o Bavi como a tempestade mais forte a alcançar o continente em 2024. O impacto recai sobre uma faixa densamente povoada e economicamente estratégica, que concentra polos industriais, tecnológicos e logísticos. As medidas emergenciais evitam, até o momento, mortes oficiais, mas expõem a vulnerabilidade da infraestrutura diante de fenômenos meteorológicos cada vez mais extremos.
Mais de 2,8 milhões de moradores são retirados de áreas de risco, segundo compilação de dados oficiais feita pela Reuters. Só na província de Zhejiang, eixo industrial que sustenta cadeias globais de produção, mais de 2,2 milhões deixam suas casas. A operação altera a rotina de cidades inteiras e interrompe atividades econômicas em larga escala.
Ventos derrubam árvores e alagam ruas em Zhejiang
O Bavi toca a costa pela primeira vez por volta das 23h20 de sábado, em Yuhuan, na província de Zhejiang. Pouco depois da meia-noite, atinge novamente o litoral em Yueqing, município vinculado à cidade de Wenzhou. Em poucas horas, o vento derruba estruturas, arranca árvores e transforma vias em canais rasos, mas perigosos.
Em Yueqing, o cenário da manhã de domingo é de ruas bloqueadas por troncos, postes inclinados e água acumulada. Mais de 1.300 árvores caem, “com mais de 700 delas tendo sido totalmente arrancadas de raiz”, relata a emissora estatal CCTV. Em alguns pontos, a água chega “a aproximadamente metade da altura de um pneu de veículo”, segundo o mesmo canal.
Equipes locais trabalham para desobstruir avenidas e restabelecer serviços básicos, em meio ao receio de novos deslizamentos em encostas encharcadas. A combinação de solo saturado e ráfagas fortes mantém o risco de quedas de estruturas nas áreas costeiras e em cidades do interior, por onde a tempestade agora avança sob categoria de tempestade tropical.
Transporte aéreo e ferroviário entra em modo de emergência
Os primeiros impactos econômicos aparecem nos sistemas de transporte. Em Hangzhou, capital de Zhejiang, duas grandes estações ferroviárias suspendem todos os serviços, um golpe direto na mobilidade de milhões de passageiros. No Aeroporto Internacional de Xiaoshan, 327 voos são cancelados ainda no domingo.
No eixo vizinho de Xangai, a interrupção é ainda mais ampla. O jornal estatal The Paper informa o cancelamento de 1.620 viagens de trem e 684 voos, afetando linhas de longa distância e conexões regionais. Para além dos grandes hubs, o Ministério dos Transportes informa que “137 voos internacionais foram cancelados no domingo, além de 62 voos domésticos”, numa tentativa de reduzir riscos durante o pico da tempestade.
A malha logística sofre um choque imediato. Mercadorias atrasam, centros de distribuição operam com equipes reduzidas e portos reavaliam suas operações conforme o Bavi se desloca para o leste da província de Anhui, de onde deve curvar para nordeste e ingressar no norte do Mar Amarelo até terça-feira (16), segundo o Centro Meteorológico Nacional da China.
Impacto regional: Taiwan, Japão e Filipinas em alerta
O avanço do Bavi não afeta apenas a China continental. Antes de tocar a costa chinesa, o sistema passa pelo norte de Taiwan e pelo arquipélago de Sakishima, no sul do Japão, e já havia provocado mortes nas Filipinas. Em Taiwan, o Corpo de Bombeiros relata que “134 pessoas ficaram feridas, principalmente por terem caído de motocicletas, escorregado ou sido atingidas por objetos”. Não há registro de óbitos no território.
As Filipinas contabilizam 17 mortos associados à passagem da tempestade, antes de o tufão ganhar o Mar da China Oriental e mirar o leste chinês. A trajetória reforça o caráter transnacional dos grandes ciclones na região e pressiona governos a coordenar planos de contingência, desde evacuações preventivas até protocolos de fechamento de escolas, portos e aeroportos.
Chuvas prolongadas e risco de enchentes no norte chinês
Mesmo enfraquecido, o Bavi ainda preocupa meteorologistas. O Centro Meteorológico Nacional da China alerta que “espera-se que a tempestade traga chuvas fortes a torrenciais nas províncias de Jilin, Liaoning, Hebei, Shandong, Jiangsu e Anhui a partir de segunda-feira”. Muitas dessas áreas já lidam com saturação do solo após semanas de precipitações intensas.
O risco imediato é de enchentes em rios médios e pequenos, além de alagamentos urbanos e deslizamentos de terra. Zonas agrícolas em Hebei, Shandong e Anhui, cruciais para a produção de grãos, podem enfrentar perdas adicionais caso as chuvas se prolonguem, comprometendo colheitas e elevando custos de recuperação. Estradas rurais, canais de irrigação e redes elétricas em comunidades menores tendem a sofrer os danos mais duradouros.
El Niño e futuro de tempestades mais severas
O Bavi chega em meio à expectativa do surgimento de um El Niño mais intenso, fenômeno climático que aquece o Pacífico e altera padrões de chuva e vento no planeta. “A China pode enfrentar condições climáticas mais extremas este ano com o surgimento previsto do fenômeno El Niño”, alertam cientistas climáticos. O aquecimento tende a elevar temperaturas e a desviar trajetórias de tufões em direção à costa chinesa, aumentando tanto a frequência quanto a intensidade de episódios como o atual.
Na prática, cidades portuárias e polos industriais do leste e norte da China passam a conviver com temporadas de tempestade mais imprevisíveis. Governos locais discutem reforço de diques, revisão de códigos de construção e ampliação de programas de seguro contra desastres. O episódio do Bavi funciona como teste de estresse: expõe fragilidades na drenagem urbana, evidencia a dependência de grandes eixos de transporte e pressiona por soluções de adaptação climática.
As próximas semanas serão decisivas para medir o tamanho do prejuízo. Equipes de resgate ainda monitoram áreas inundadas e avaliam riscos em encostas, enquanto meteorologistas acompanham a lenta deslocação do sistema para o norte. Entre a reabertura gradual de aeroportos e trens e o cálculo dos danos à infraestrutura, permanece uma pergunta incômoda: se este é apenas o primeiro grande tufão da temporada, quão preparados estão China e vizinhos para a nova era de tempestades extremas no Pacífico?
O que é o tufão Bavi e como ele está afetando a China?
O Bavi é um ciclone tropical de grande escala, comparável em tamanho à França. Ele atinge o leste da China com chuvas intensas, ventos fortes, evacuações em massa e cancelamentos de voos e trens.
Quais regiões do leste da China estão sendo mais impactadas pelo tufão Bavi?
A província de Zhejiang, especialmente Yuhuan, Yueqing e Wenzhou, é a mais afetada até agora. Hangzhou e Xangai sofrem forte impacto no transporte aéreo e ferroviário.
Qual a previsão de chuvas intensas causadas pelo tufão Bavi nos próximos dias?
O Centro Meteorológico Nacional prevê chuvas fortes a torrenciais a partir de segunda-feira em Jilin, Liaoning, Hebei, Shandong, Jiangsu e Anhui, com risco de enchentes.
O tufão Bavi pode atingir outras regiões além do leste da China?
O sistema já passou por Taiwan, Japão e Filipinas. Na China, deve se deslocar para Anhui e depois para o norte do Mar Amarelo, influenciando o norte e nordeste do país.
Quais medidas de segurança estão sendo recomendadas para quem está na área afetada pelo tufão Bavi?
Autoridades orientam seguir ordens de evacuação, evitar deslocamentos desnecessários, manter-se longe de áreas alagadas, árvores e estruturas instáveis e acompanhar alertas oficiais.
Como acompanhar as atualizações sobre o tufão Bavi e suas consequências?
As principais fontes são os boletins do Centro Meteorológico Nacional da China, comunicados de autoridades locais, meios de comunicação e serviços de emergência regionais.