O presidente Volodymyr Zelensky anuncia neste domingo, (12) uma ampla reforma ministerial na Ucrânia e confirma a saída da primeira-ministra Yuliia Svyrydenko. O movimento ocorre no mesmo dia em que Kiev amplia ataques contra instalações petrolíferas na Rússia e enfrenta novos bombardeios russos a portos estratégicos no sul ucraniano.

Reforma política em meio à escalada militar
A mudança no topo do governo ucraniano acontece em plena intensificação da guerra contra a Rússia. Ao promover a reformulação, Zelensky busca ajustar a máquina estatal a um conflito prolongado, com impactos diretos sobre a economia, a infraestrutura energética e o apoio internacional ao país.
A saída de Svyrydenko marca o fim de um ciclo iniciado em julho de 2025, quando ela assume a chefia de governo aos 39 anos, após ganhar projeção como ex-ministra da Economia. Na ocasião, ela lidera a negociação de um acordo de minerais com os Estados Unidos, visto em Kiev como forma de atrelar interesses americanos à segurança ucraniana.
Em mensagem nas redes sociais, a premiê afirma estar “orgulhosa por ter tido a honra de liderar o governo durante um dos períodos mais difíceis da história moderna da Ucrânia”. Svyrydenko diz ter discutido com Zelensky os “próximos passos”, sem revelar detalhes, e reforça: “Continuo pronta para servir ao Estado ucraniano e cumprir qualquer tarefa voltada a fortalecer a posição da Ucrânia, defender nossos interesses nacionais e aproximar uma paz justa”.
“Mudando sua estratégia política”
Zelensky apresenta a saída da aliada como parte de um redesenho mais amplo do poder em Kiev. Segundo o presidente, a Ucrânia está “mudando sua estratégia política” para adequar governo e frente interna às exigências de uma guerra que entra em nova fase, com uso crescente de ataques de longo alcance a infraestrutura crítica russa.
O presidente afirma ainda ter oferecido a Svyrydenko a possibilidade de chefiar “uma nova e importante área” nas relações da Ucrânia com um parceiro internacional estratégico. A formulação indica que a ex-premiê tende a permanecer no círculo de confiança de Zelensky, provavelmente em posto ligado a negociações com aliados que financiam e armam a resistência ucraniana.
Embora Zelensky não detalhe quais pastas serão trocadas, a sinalização de mudança política sugere impacto direto sobre os ministérios ligados à defesa, segurança e diplomacia. A expectativa em Kiev é de reforço de quadros experientes em logística militar, coordenação de ajuda externa e reconstrução de infraestrutura.
Ataques a refinarias russas e crise de combustíveis
No mesmo dia em que anuncia a reforma, a Ucrânia volta a atacar instalações petrolíferas em território russo. Autoridades regionais em Moscou relatam que um ataque ucraniano atinge um complexo industrial na região de Samara e deixa uma pessoa morta e três feridas.
O governador Vyacheslav Fedorishchev fala apenas em danos a um “complexo industrial”, mas veículos russos apontam a refinaria de Syzran, da estatal Rosneft, como alvo principal. A instalação fica a cerca de 800 quilômetros da fronteira com a Ucrânia e já é atingida em outras ocasiões, o que reforça a prioridade de Kiev em desgastar a infraestrutura energética russa.
Na região de Rostov, ao sul, o governador Yuri Slyusar informa que um navio-tanque vazio é danificado por ataque de drones no canal marítimo que liga o Mar de Azov ao Mar Negro. Segundo ele, não há risco de vazamento de petróleo, mas o episódio expõe uma rota crucial para o escoamento de combustíveis e cargas.
A campanha de ataques ucranianos contra refinarias e depósitos de combustíveis aprofunda uma crise de abastecimento na Rússia. Relatos de escassez e racionamento de gasolina se multiplicam em diferentes regiões, o que pode pressionar a logística militar e a economia russa, dependente de transporte rodoviário para deslocar tropas e suprimentos ao longo de uma frente extensa.
Bombardeios russos e pressão sobre portos ucranianos
Moscou responde intensificando os bombardeios contra infraestrutura ucraniana. O Ministério da Defesa russo afirma ter atacado os portos de Odessa e Chornomorsk, no sul do país, importantes corredores para exportações agrícolas e importações de insumos vitais. Kiev não comenta as alegações até o momento.
Os portos do Mar Negro seguem centrais para a economia ucraniana, mesmo após anos de guerra e bloqueios parciais. Cada novo ataque ameaça silos, terminais de carga e instalações logísticas, encarece seguros marítimos e torna mais arriscado o fluxo de grãos e outros produtos para mercados globais.
O ciclo de ataques e contra-ataques amplia os riscos para civis em ambos os lados da fronteira. Na Rússia, comunidades próximas a refinarias e oleodutos convivem com a ameaça de explosões e incêndios. Na Ucrânia, cidades portuárias como Odessa vivem sob sirenes constantes e danos repetidos à infraestrutura urbana.
Impacto político e próximos passos em Kiev
O anúncio da reforma ministerial, combinado à escalada militar, expõe o esforço de Zelensky para manter coesa a frente interna em um cenário de cansaço social, perdas humanas contínuas e incerteza sobre o ritmo de apoio ocidental. Ao renovar o comando do governo, o presidente tenta mostrar que reage às novas condições do campo de batalha e às cobranças por eficiência.
Setores diretamente ligados à guerra devem ganhar mais recursos e protagonismo, enquanto áreas civis passam por ajustes para financiar o esforço militar e proteger o que resta da atividade econômica. O desenho dessa reorganização, ainda não detalhado, será crucial para medir o grau de centralização do poder em torno da Presidência e o espaço para eventuais dissensos na elite política ucraniana.
A disposição pública de Svyrydenko em seguir servindo ao Estado, somada à oferta de um posto estratégico em relações internacionais, sinaliza uma transição negociada, sem ruptura. O arranjo pode ajudar Zelensky a evitar divisões internas enquanto aponta para uma diplomacia mais agressiva na busca de armamentos, dinheiro e garantias de segurança no longo prazo.
O próximo passo é a definição do novo ou da nova primeira-ministra e da composição completa da equipe remodelada. Em paralelo, a Ucrânia indica que não pretende recuar da estratégia de atingir a infraestrutura energética russa em profundidade, o que tende a prolongar a pressão sobre o mercado global de energia e a aumentar o risco de novos choques militares na região do Mar Negro.
Com a guerra sem horizonte claro de encerramento, a combinação de reforma política em Kiev, ataques à energia russa e bombardeios a portos ucranianos projeta meses de conflito volátil. A capacidade do governo Zelensky de manejar, ao mesmo tempo, o tabuleiro interno e a linha de frente militar definirá não apenas o rumo da Ucrânia hoje, mas também o equilíbrio de poder no leste europeu nos próximos anos.
Quem é a nova primeira-ministra da Ucrânia após a saída anunciada por Zelensky?
O governo ainda não anuncia o nome da nova primeira-ministra. Zelensky apenas comunica a saída de Yuliia Svyrydenko e a intenção de uma reforma ampla.
Quais mudanças a reforma no governo da Ucrânia anunciada por Zelensky inclui?
Até agora, Zelensky indica apenas uma “mudança de estratégia política” e a saída de Svyrydenko. A redistribuição de pastas e novos nomes não é detalhada.
Por que a primeira-ministra da Ucrânia está saindo do cargo?
A saída ocorre como parte da reforma ministerial de guerra anunciada por Zelensky. Oficialmente, ambos tratam a mudança como ajuste estratégico, sem conflito público.
Como a reforma no governo pode impactar a guerra na Ucrânia?
A troca na chefia de governo tende a reforçar áreas ligadas à defesa, segurança e diplomacia. A meta é alinhar a máquina estatal às exigências de um conflito prolongado.
Qual é a importância política da saída da primeira-ministra para o governo de Zelensky?
A saída de Svyrydenko permite a Zelensky renovar a liderança sem romper com uma aliada, concentrar ainda mais o comando político e sinalizar mudança de rumo em meio à guerra.