Rafael Câmara, 21, desponta como escolhido da Haas para correr na Fórmula 1 a partir de 2027, segundo apuração publicada pelo site italiano Rossomotori.it. A negociação, ainda sem anúncio oficial, envolve uma articulação direta da Ferrari Driver Academy para colocar o brasileiro na equipe norte-americana.
Ferrari pressiona e muda correlação de forças na Haas
A possível chegada de Câmara à Haas não nasce apenas dos resultados em pista. A Ferrari, que fornece motor e suporte técnico à equipe, atua nos bastidores para reforçar sua influência sobre o futuro dos pilotos do time. O objetivo é claro: manter a Haas como extensão prática do projeto de jovens talentos da escuderia italiana.
O movimento redesenha a disputa interna por vagas no grid. Yuki Tsunoda, apoiado pelo chefe da Haas, Ayao Komatsu, e pela Toyota Gazoo Racing, aparece como o principal derrotado na negociação. A preferência pelo brasileiro expõe o peso das alianças com academias de pilotos e montadoras nas decisões da equipe.
Da Fórmula Regional à F2: a escalada acelerada de Câmara
A trajetória recente de Câmara ajuda a explicar por que a Ferrari decide bancar seu nome. Em 2024, o brasileiro conquistou o título da Fórmula Regional Europeia, torneio que serviu de porta de entrada para os principais campeonatos de base do continente. No ano seguinte, em 2025, ele estreiou na Fórmula 3 pela Trident e venceu a competição, com direito a triunfo em Albert Park, em Melbourne.
O desempenho acelera sua ascensão na Ferrari Driver Academy, mesma estrutura que forma Charles Leclerc e impulsiona Oliver Bearman. A consistência nas categorias menores transforma Câmara em um dos principais ativos esportivos e comerciais do programa de jovens da escuderia.
Em 2026, ele dá o passo seguinte e disputa a Fórmula 2 pela Invicta Racing. Até a metade do campeonato, soma uma vitória, dois pódios e ocupa a terceira posição na classificação geral. A combinação de resultados sólidos, adaptação rápida aos carros mais potentes e perfil de longo prazo pesa na mesa de negociações.
Ocon, Bearman e o desenho da Haas para 2027
O cenário projetado por Rossomotori.it aponta para uma Haas profundamente alinhada à Ferrari em 2027. A formação imaginada reúne Esteban Ocon, já experiente na categoria, e dois jovens ligados à Ferrari Driver Academy: Rafael Câmara e Oliver Bearman. O britânico, que também passa pelo programa da escuderia, permanece como peça-chave do time.
A publicação italiana descreve o acordo em termos inequívocos: “A decisão ainda não foi oficializada pela Haas, mas a publicação aponta que a negociação estaria encaminhada — Rossomotori.it”. A frase reforça o grau de avanço das conversas, embora a equipe ainda não torne público nenhum contrato.
Câmara e Bearman têm trajetórias espelhadas. Segundo o site, nasceram com apenas 3 dias de diferença e dividem passagens semelhantes pelas categorias de base europeias. A presença simultânea dos dois jovens na Haas transforma o time em laboratório privilegiado da Ferrari para testar, moldar e comparar seus futuros candidatos a vaga em Maranello.
Tsunoda perde espaço e Toyota vê influência limitada
A movimentação também tem efeito colateral imediato. Tsunoda, cotado internamente como favorito para a vaga graças ao apoio de Ayao Komatsu e de parceiros ligados à Toyota Gazoo Racing, vê a oportunidade escapar. A preferência final por Câmara sinaliza que, quando a disputa envolve interesses de montadora, a palavra da Ferrari ainda vale mais no ambiente da Haas.
O caso ajuda a ilustrar o novo equilíbrio de forças na Fórmula 1 atual. Alianças estratégicas entre academias de pilotos e equipes clientes de motor influenciam diretamente a composição dos grids. Gabriel Bortoleto, outro brasileiro em ascensão na categoria, descreve esse cenário de forma seca ao responder a críticas de Fernando Alonso: “É assim que as coisas são agora — Gabriel Bortoleto”.
Leonardo Fornaroli, também citado nos bastidores para a vaga futura na Haas, não entra na disputa final. A tendência, de acordo com as informações disponíveis, é que siga em 2027 como piloto reserva da McLaren, longe da rota traçada pela Ferrari para a equipe norte-americana.
Impacto para o Brasil e para a Haas no Mundial
Para o automobilismo brasileiro, a provável estreia de Câmara em 2027 representa a retomada de espaço na principal categoria do esporte, ao lado de Bortoleto. A presença de dois pilotos do país no grid fortalece a interlocução com patrocinadores nacionais e reaquece o interesse do público em um momento de renovação intensa da geração de pilotos.
Dentro da Haas, a aposta em um trio formado por Ocon, Câmara e Bearman cria um ambiente delicado. A equipe ganha em potencial de desenvolvimento e testes, mas precisa equilibrar a pressão da Ferrari com a necessidade de resultados imediatos no Mundial. Dois jovens da academia tendem a disputar espaço, atenção técnica e prioridade em atualizações aerodinâmicas, o que pode acirrar a dinâmica interna.
Para a Ferrari Driver Academy, o desenho ideal se materializa: um time inteiro, com motor de Maranello, dedicado a lapidar talentos sob supervisão direta. A Haas funciona como laboratório real, com pressão de corrida, mas sem o mesmo grau de cobrança de uma equipe de fábrica. Em troca, o time norte-americano garante acesso estável a pilotos promissores, motores competitivos e proximidade com uma das principais forças políticas do grid.
Próximos passos e expectativa pelo anúncio
A confirmação oficial da contratação deve ocorrer nos próximos meses, em linha com o calendário habitual de anúncios de pilotos. A partir daí, a Haas precisará encaixar o brasileiro em seu programa de testes, treinos livres e sessões de simulador, preparando a adaptação ao carro de 2027 e às exigências do Mundial.
O desempenho de Câmara na Fórmula 2 em 2026 será monitorado com atenção por Ferrari e Haas. Cada corrida até o fim da temporada funciona como teste prático de maturidade antes da promoção à categoria principal. O risco de desgaste existe, mas o projeto traçado indica uma confiança rara para um piloto tão jovem.
A médio prazo, a movimentação tende a servir de modelo para outras equipes clientes de motor, que observam como a Haas usa a ligação com a Ferrari para estruturar sua base de pilotos. A resposta definitiva sobre o alcance dessa estratégia, porém, só virá quando Câmara e Bearman enfrentarem o crivo mais duro do esporte: o cronômetro e o confronto direto com o restante do grid.