Laporte, francês que faz da defesa da Espanha um muro

Aymeric Laporte se destaca como peça-chave na sólida defesa da Espanha rumo à semifinal do Mundial.
Redação NC News
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O confronto entre França e Espanha pela semifinal do Mundial de Seleções carrega uma carga dramática extra para o zagueiro Aymeric Laporte. Nascido em Agen, no sudoeste da França, o defensor de 32 anos entra em campo como titular absoluto e pilar da linha defensiva espanhola, enfrentando justamente o país onde nasceu e iniciou sua trajetória no futebol.

A presença de Laporte com a camisa da La Roja é o desfecho de uma história de frustração com o sistema francês e de uma rápida ação da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) para preencher a lacuna deixada por ídolos históricos.

O limbo na França e o caminho para a naturalização
Laporte construiu uma trajetória sólida nas seleções juvenis da França, somando 51 partidas pelas categorias de base e chegando a usar a braçadeira de capitão. Ele era apontado como o futuro da zaga da equipe principal dos Bleus, mas o espaço nunca se consolidou.

Entre 2016 e 2017, o técnico Didier Deschamps chegou a convocá-lo em algumas oportunidades, mas não o colocou em campo em jogos oficiais. Laporte permaneceu em um limbo esportivo que, anos depois, selaria seu destino internacional:

“Apesar de ter defendido as categorias de base da França, o jogador nunca foi convocado para a equipe principal, o que abriu caminho para sua naturalização espanhola, concluída em 2021”, destaca.

Pelas regras da Fifa, a ausência de partidas oficiais pela seleção principal permitia a mudança de nacionalidade esportiva. O forte vínculo de Laporte com a Espanha facilitou o processo: ele deixou a França ainda jovem para se formar no Athletic Bilbao, clube do País Basco onde atuou entre 2010 e 2018 e se identificou profundamente com a cultura local.

Aposta certeira na reconstrução espanhola
Em 2021, o então técnico da Espanha, Luis Enrique, buscava nomes para reconstruir a zaga após as saídas de Gerard Piqué e Sergio Ramos. Ao receber o convite da federação espanhola em maio daquele ano, Laporte obteve o passaporte e assumiu imediatamente a titularidade da seleção.

A decisão gerou incômodo na torcida francesa, mas não um alarme imediato na comissão técnica de Deschamps, que na época confiava em nomes como Raphaël Varane, Lucas Hernández, Presnel Kimpembe e Clément Lenglet. No entanto, nenhum deles manteve a regularidade que Laporte passou a entregar aos espanhóis.

O pilar da melhor defesa do torneio

Após se consolidar em elite mundial sob o comando de Pep Guardiola no Manchester City, onde aprimorou sua saída de bola sob pressão, Laporte chegou pronto para liderar a seleção. Ele disputou o Mundial de 2022 e foi peça-chave na conquista da Eurocopa de 2024.

No Mundial de Seleções em andamento, o zagueiro vive seu ápice técnico:

  • Titularidade absoluta: Iniciou todas as seis partidas disputadas pela Espanha no torneio.
    Parceria de sucesso: Atua ao lado do jovem Pau Cubarsí, mesclando juventude e experiência.
  • Muralha defensiva: Lidera a defesa mais sólida da competição, que sofreu apenas um gol até o momento.

O reencontro na semifinal coloca a escolha de Laporte à prova diante de seus antigos companheiros. Para a Espanha, o zagueiro franco-espanhol representa a segurança técnica que recolocou a equipe entre as favoritas; para a França, resta o desconforto de ver um talento formado em sua base brilhar com as cores de um de seus maiores rivais.

 


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