O árbitro americano Ismail Elfath vira alvo de críticas intensas , durante o primeiro tempo de Argentina x Inglaterra, semifinal do Mundial de Seleções em Atlanta. Em campo, jogadores ingleses cercam o juiz a cada falta. Nas redes, a atuação é chamada de “vergonhosa” e “mixuruca”.
Jogo travado, clima pesado
O relógio passa dos 48 minutos e o futebol quase desaparece no gramado da Mercedes-Benz Stadium. O que domina a cena são divididas duras, reclamações e um árbitro que parece perder o controle do jogo. O primeiro tempo registra 19 faltas e apenas dois cartões amarelos, um para cada lado, número que alimenta a sensação de impunidade, sobretudo para o lado argentino.
O lance que acende de vez a revolta inglesa acontece em disputa entre Enzo Fernandez e Elliot Anderson. O meio-campista argentino acerta um soco na nuca do inglês, em jogada longe da bola. A partida segue sem expulsão, sem sequer um cartão amarelo para o argentino. Nas arquibancadas, a torcida inglesa reage com gritos e gestos de incredulidade. No banco, a comissão técnica reclama à beira do gramado.
O desequilíbrio de critérios, apontado por jogadores e torcedores, se cristaliza minutos depois. Elliot Anderson comete falta em Messi e recebe cartão amarelo. Enquanto isso, Enzo acumula infrações sem punição disciplinar. O contraste alimenta a narrativa de conivência com as faltas da Argentina, atual campeã mundial.
Redes sociais explodem contra Elfath
Longe de Atlanta, a partida vira trending topic. Perfis esportivos e torcedores passam a colecionar vídeos de entradas duras argentinas, sem resposta firme da arbitragem. A cena do soco de Enzo em Anderson é repetida à exaustão.
Um influenciador resume a indignação com poucas palavras. “O Enzo Fernandez deu um SOCO na nuca do Elliot Anderson, mais um lance claro pra expulsão da Argentina que a arbitragem se faz de cega, é vergonhoso o que está acontecendo nessa Copa”, escreve o perfil O Bruxo R10, em postagem que rapidamente ganha milhares de compartilhamentos.
Outro internauta compara o que se vê em campo a uma luta. “Nem no MMA pode dar socão na nuca desse jeito, mas a arbitragem americana do Ismail Elfath, permite…”, critica Charles Xavier BFR★彡, lembrando ainda de atuação anterior do mesmo árbitro em pênalti marcado apenas com auxílio do árbitro de vídeo.
O tom sobe à medida que o primeiro tempo avança. “Que árbitro MIXURUCA que botaram pra um jogo desse tamanho”, dispara o perfil Guia das Apostas, ecoando um questionamento que se espalha: por que escalar Elfath para uma semifinal de tamanho peso, com duas camisas tão carregadas de história e rivalidade?
Na área técnica, a irritação também transborda. Em vídeo que circula na internet, Thomas Tuchel, técnico da Inglaterra, aparece aplaudindo ironicamente uma decisão do árbitro. O gesto é interpretado como uma mensagem clara de desaprovação ao que considera um critério frouxo e desigual.
Critério em xeque e memória de velhas batalhas
Os comentários nas redes não se limitam a xingamentos. Muitos focam exatamente no que chamam de incoerência da arbitragem. “Qual o critério dessa arbitragem? Desde o começo do jogo a Argentina batendo com Enzo Fernandez e Simeone e sem cartão. De repente, o Elliot devolve uma no Messi, e é amarelado. Por quê? O Enzo fez umas quatro ou cinco faltas, inclusive protagonizou uma cotovelada”, reclama a torcedora Maria.
O desabafo de outro perfil, “Entre aspas” — Futebol, liga o presente a um passado incômodo para o torcedor brasileiro. “Na moral, eu assisto de otário mesmo, acreditando que vai ser um jogo limpo, sem interferência da arbitragem. Mas é INCRÍVEL. É como ver um time brasileiro enfrentando um argentino no início dos anos 2000 pela Libertadores. Feio demais. A atual campeã do mundo precisa mesmo…”, escreve, deixando no ar uma suspeita de proteção ao time sul-americano.
O incômodo ganha uma dimensão maior ao tocar na credibilidade do próprio Mundial. A semifinal, uma vitrine global, exibe um cenário que especialistas em arbitragem tentam evitar há anos: um jogo fragmentado, recheado de faltas táticas e lances violentos, sem punição proporcional. A demora de Elfath para usar os cartões amarelos, mesmo após 19 faltas, alimenta a ideia de que o árbitro perde o controle e envia um recado perigoso aos jogadores: vale testar até onde a violência é tolerada.
Pressão sobre a organização e o futuro do apito
Nos bastidores do torneio, a atuação de um árbitro em jogo desse tamanho não passa despercebida. Lances como o soco de Enzo em Elliot Anderson tendem a entrar na pauta da comissão de arbitragem ainda na madrugada, em reuniões de análise com vídeo de todos os ângulos. Em torneios recentes, erros graves em partidas decisivas já custaram afastamentos temporários e rebaixamento em escala de árbitros para fases seguintes.
Especialistas ouvidos por emissoras internacionais lembram que, em semifinais de Mundial, a orientação costuma ser de tolerância zero com agressões físicas e entradas por trás. A ausência de vermelho em um lance de soco na nuca, combinado a um primeiro tempo com 19 faltas e só dois cartões, deve pesar na avaliação de Elfath.
O debate respinga diretamente na organização do torneio. A pressão pública por critérios mais rígidos e consistentes cresce a cada polêmica. Entidades responsáveis pela arbitragem são cobradas a reforçar treinamentos, revisar protocolos de uso do árbitro de vídeo e ser mais transparentes na escolha dos juízes para jogos de alto risco. Internamente, a discussão passa também pela proteção aos jogadores. Quando árbitros demoram a punir, a tendência é o aumento da agressividade e da reclamação, o que piora o ambiente em campo e eleva o risco de lesões graves.
Para a Inglaterra, a sensação de injustiça pode ultrapassar os 90 minutos e influenciar até a preparação para o restante do Mundial, seja na disputa de terceiro lugar, seja em eventuais convocações futuras de atletas que saem marcados por uma semifinal traumática. Para a Argentina, mesmo que a vaga venha, a vitória corre o risco de carregar a sombra de uma arbitragem contestada, o que também afeta a narrativa da campanha.
Quando o apito final do jogo soar, a discussão sobre Argentina x Inglaterra em Atlanta dificilmente ficará restrita ao placar. A atuação de Ismail Elfath entra para a lista de arbitragens que reacendem o velho debate sobre até que ponto os juízes estão preparados, protegidos e cobrados em partidas de Mundial. A resposta virá nas próximas designações e na postura da organização diante dos lances desta noite em Atlanta.
Quem é o árbitro de Argentina x Inglaterra?
O juiz é o americano Ismail Elfath, escalado para apitar a semifinal do Mundial de Seleções entre Argentina e Inglaterra em Atlanta, nos Estados Unidos.
Por que a arbitragem de Argentina x Inglaterra é tão criticada?
As críticas se concentram na falta de pulso de Elfath, na demora para aplicar cartões e na ausência de expulsão em lances violentos, especialmente envolvendo Enzo Fernandez.
Quantas faltas e cartões houve no primeiro tempo?
O primeiro tempo tem 19 faltas marcadas em pouco mais de 48 minutos e apenas dois cartões amarelos, um para cada lado.
O lance de Enzo Fernandez em Elliot Anderson foi punido?
Não. O soco de Enzo Fernandez na nuca de Elliot Anderson não resulta em cartão, o que amplia a revolta de jogadores ingleses e torcedores.