Ex-MasterChef enfrenta novo desafio e vende doces no sinal para recomeçar

Estefano Zaquini enfrenta desafios financeiros e busca novo começo vendendo doces nas ruas de São Paulo.
Redação NC News
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O cozinheiro Estefano Zaquini, vice-campeão do MasterChef Brasil – A Revanche em 2019, foi filmado este mês vendendo doces em semáforos de São Paulo e Santo André. Ele diz que a estratégia é um recomeço para arrecadar dinheiro e honrar dívidas após acusações de cancelar eventos de bufê e não entregar serviços contratados.

Reality, fama e um vídeo no semáforo

O rosto é conhecido dos fãs de programas culinários. Estefano surge na primeira temporada do MasterChef Brasil, volta anos depois para a edição de revanche e chega à final em 2019. Desde então, circula em eventos gastronômicos e programas de TV, alimentando a expectativa de uma carreira consolidada na cozinha.

Um vídeo gravado por motoristas na Grande São Paulo, porém, mostra outra cena. O ex-participante aparece no meio dos carros, oferecendo pacotes de biscoitos amanteigados artesanais. A gravação viraliza nas redes sociais em julho e reabre um capítulo delicado da trajetória dele: as dívidas com clientes de bufê que reclamam de cancelamentos e prejuízos.

A exposição provoca uma onda de curiosidade e julgamento. Em um cenário em que reality shows gastronômicos viram vitrine para negócios, o registro de um vice-campeão vendendo doce no sinal expõe o descompasso entre fama instantânea e estabilidade financeira.

Crise, calote e a explicação de Estefano

As denúncias contra o cozinheiro ganham força em abril de 2024. Clientes relatam que contrataram serviços de bufê e não receberam o que foi combinado. Estefano admite falhas e atribui parte do caos a um episódio pessoal dramático: a doença do filho, Erick, de 1 ano e 2 meses à época, com febre alta, em plena produção de Páscoa.

Em comunicado, ele diz que, por ser responsável pela produção artesanal, não consegue cumprir oito entregas previstas para a data. Pede desculpas e promete ressarcir todos. “Eu estou aqui para pedir desculpas e pedir perdão. Mais cedo ou mais tarde vai ser tornado tudo o que a gente se propôs a fazer, e vai ser pago todo mundo que nós devemos”, afirma.

A partir dali, a relação com parte da clientela desanda. Nas redes sociais, multiplicam-se relatos de quem se sente enganado. A reputação, construída na TV com pratos bem avaliados, passa a ser medida também pelos relatos de cancelamentos em cima da hora.

Em 14 de julho de 2024, já depois da viralização do vídeo no semáforo, Estefano decide se explicar. Em áudio enviado ao programa A Tarde é Sua, de Sonia Abrão, ele tenta recolocar a narrativa no eixo do trabalho e do recomeço.

“Estamos trabalhando com esse serviço informal agora. Estamos também trabalhando com os bufês, com os clientes que ainda confiam no nosso trabalho. Nós temos alguns compromissos a serem honrados, então, foi uma maneira que nós vimos de, quando estávamos parados em casa, fazermos algo a mais e conseguir recursos a mais”, afirma.

Do sinal à reconstrução de imagem

O colunista Gabriel Perline, que conversa com o cozinheiro depois da repercussão, descreve a reação dele. “Hoje, quando eu o procurei, ele ficou muito assustado”, relata ao público. O medo é de uma nova onda de ataques, num momento em que o ex-MasterChef tenta comprovar que não está fugindo das responsabilidades.

Estefano insiste em afastar qualquer traço de vergonha do trabalho atual. Lembra que vende desde criança, quando ajudava a avó a comercializar salgados na rua. Agora, volta aos semáforos com biscoitos amanteigados, que ele descreve como artesanais e de “extrema qualidade”.

“Então eu não vejo como um serviço indigno e sim como um recomeço que não é fácil, mas que recomecemos quantas vezes forem precisas. Então, a gente está aqui recomeçando, sim, com as vendas no semáforo. Estamos vendendo biscoitos amanteigados artesanais que são produtos de extrema qualidade e estamos, sim, recomeçando e temos certeza de que vai dar certo”, diz.

Nos bastidores, a estratégia mistura sobrevivência e gestão de crise. A venda na rua garante caixa imediato. A manutenção de alguns bufês, com “clientes que ainda confiam” na equipe, preserva uma ponte com o mercado que Estefano não quer perder. Entre uma entrega e outra, ele tenta mostrar que não está se escondendo.

O recado é direto: trabalho honesto, mesmo sem glamour, vale mais que silêncio diante de dívidas. “Vergonha não é vender biscoito na rua. Vergonha é deixar compromisso para trás sem dar resposta”, resume, em mensagem compartilhada nas redes.

Realities, fragilidade e dignidade do trabalho

O caso extrapola o universo de fãs do MasterChef Brasil e toca em um ponto sensível do mercado gastronômico. A visibilidade de um reality não garante faturamento estável nem protege contra falhas de gestão, crises familiares ou escolhas erradas. Quem contrata um bufê, porém, depende da confiança no profissional e sente diretamente os efeitos de cancelamentos de última hora.

Clientes que dizem ter sido prejudicados perdem dinheiro, planejamento e, em muitos casos, datas importantes. Fornecedores que trabalham com margens apertadas também entram na conta quando um evento não acontece. A cadeia da gastronomia de eventos se sustenta na reputação. Uma polêmica pública, amplificada por redes sociais, atinge não só um nome, mas a percepção de segurança do serviço como um todo.

Do outro lado, a imagem de um ex-participante de reality no sinal reforça o olhar para o trabalho informal, que sustenta milhões de famílias e segue sendo alvo de preconceito. A história de Estefano expõe essa contradição: o mesmo público que aplaude pratos elaborados na TV se surpreende ao ver o mesmo cozinheiro oferecendo biscoitos no trânsito.

O episódio alimenta um debate maior sobre o pós-reality. Quantos participantes conseguem transformar exposição em negócios sustentáveis? Quantos tropeçam na falta de estrutura financeira, planejamento e apoio quando a audiência diminui e as contas se impõem?

A resposta, no caso de Estefano, ainda está em construção. Ele promete pagar “todo mundo” e insiste em seguir na gastronomia, mesmo que, por enquanto, o balcão seja o capô de um carro parado no sinal. Nos próximos meses, o que vai definir o rumo da carreira não será o título de vice-campeão em 2019, mas a capacidade de cumprir a palavra dada agora.

Se a combinação entre vendas no semáforo e bufês pontuais será suficiente para zerar as dívidas e recuperar a confiança, ninguém sabe. A única certeza é que a próxima etapa desse recomeço não será decidida em prova televisionada, e sim na relação direta com clientes, fornecedores e um público que observa, julga e, eventualmente, dá uma segunda chance.

 

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