O número de mortes no trânsito caiu no estado de São Paulo no primeiro semestre de 2026, mas a cidade de São Paulo registrou um cenário diferente e voltou a apresentar aumento nas ocorrências fatais. Segundo dados do Infosiga, enquanto o estado teve redução de 6% nas vítimas, a capital paulista registrou crescimento de 1,2%, impulsionado principalmente pelos acidentes envolvendo motociclistas.
Entre janeiro e junho de 2026, o estado contabilizou 2.869 mortes no trânsito, contra 3.051 no mesmo período de 2025. Já na capital, foram 489 vítimas fatais, ante 483 no ano anterior.
O principal ponto de atenção está nas motocicletas. Na cidade de São Paulo, as mortes de motociclistas passaram de 220 para 238 casos, uma alta de 8,2%, tornando esse o grupo com maior crescimento entre os principais usuários analisados.
Por que as mortes por moto aumentaram na capital paulista?
O avanço das mortes envolvendo motociclistas acompanha uma realidade cada vez mais presente nas grandes cidades: o aumento da circulação de motos, impulsionado principalmente pelo crescimento dos serviços de entrega e pela busca por alternativas mais rápidas de deslocamento.
Na capital, os motociclistas concentraram o maior aumento absoluto entre os grupos analisados. Enquanto outros segmentos apresentaram queda ou estabilidade, esse público teve 18 mortes a mais no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.
O cenário preocupa porque motociclistas estão entre os usuários mais vulneráveis do trânsito. Diferentemente dos ocupantes de carros, eles contam com menor proteção física em caso de colisão e ficam mais expostos ao impacto de acidentes.
Queda no estado foi puxada por redução entre motoristas e ciclistas
Apesar da alta na capital, o estado de São Paulo conseguiu reduzir o número geral de mortes no trânsito.
Entre os ocupantes de automóveis, a queda foi uma das mais significativas: os registros passaram de 620 para 536 mortes, uma redução de 13,5%.
Também houve diminuição entre ciclistas, com queda de 214 para 184 vítimas fatais, uma redução de 15%.
Entre pedestres, o resultado ficou praticamente estável: foram 662 mortes em 2026, contra 664 no ano anterior, uma variação negativa de 0,3%.
Já os motociclistas, considerando todo o estado, tiveram uma pequena redução, passando de 1.345 para 1.327 mortes, queda de 1,3%.
Capital tem resultado diferente do estado
Na cidade de São Paulo, o comportamento dos indicadores foi diferente.
Além do aumento geral de mortes, os dados mostram crescimento entre pedestres e motociclistas.
As mortes de pedestres subiram de 187 para 190 casos, alta de 1,6%.
Entre ocupantes de automóveis, houve queda: de 49 para 38 mortes, redução de 22,4%.
O número de ciclistas mortos permaneceu estável, com 13 vítimas nos dois períodos analisados.
Prefeitura diz que amplia ações para reduzir acidentes
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a segurança viária é um trabalho contínuo e destacou medidas adotadas para tentar reduzir acidentes e mortes.
Segundo a administração municipal, a cidade ampliou a implantação das chamadas faixas azuis, espaços exclusivos para circulação de motociclistas, além dos bolsões de espera nos semáforos, criados para aumentar a segurança durante a saída dos cruzamentos.
A prefeitura também informou que foram implantadas mais de 10 mil novas faixas de travessia para pedestres desde 2021.
Além das intervenções físicas nas ruas, a gestão municipal afirma manter campanhas permanentes de educação no trânsito realizadas pela CET e oferecer cursos de pilotagem e segurança voltados aos motociclistas.
Entenda o contexto
O trânsito continua sendo um dos principais desafios das grandes cidades brasileiras. Em São Paulo, a discussão sobre segurança viária ganhou ainda mais importância com o aumento da presença das motocicletas nas ruas.
Embora o estado tenha conseguido reduzir o número geral de mortes no primeiro semestre de 2026, a capital mostra que alguns grupos continuam mais expostos, principalmente motociclistas e pedestres.
A redução das mortes depende de uma combinação de fatores, como fiscalização, melhoria da infraestrutura, educação no trânsito e comportamento dos próprios usuários das vias.
O desafio agora é entender por que a capital apresenta uma tendência diferente do restante do estado e quais medidas podem ser ampliadas para evitar novas perdas.