Corpo em Angra pode ser de Berenice: polícia avança no caso

Investigação avança com descoberta de corpo em Angra dos Reis durante buscas por cozinheira desaparecida.
Redação NC News
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Um corpo feminino é encontrado nesta sexta-feira (17) em Angra dos Reis durante as buscas pela cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, desaparecida desde 30 de junho. A patroa dela, Eliane Alves dos Santos, de 46, está presa temporariamente desde 10 de julho, suspeita de envolvimento no caso, investigado como possível homicídio.

Corpo em mata íngreme muda patamar da investigação

O cadáver surge em uma área de mata fechada na localidade de Serra d’Água, às margens da Estrada de Lídice, em Angra dos Reis, litoral sul fluminense. O ponto fica dentro do perímetro traçado pelos investigadores a partir do trajeto percorrido pela caminhonete de Eliane, o que reforça a principal hipótese da polícia.

Segundo o delegado André Luiz Matera Costilhas, que coordena a investigação em São Paulo, a equipe trabalha hoje com uma linha central. “A principal linha de trabalho da polícia é que o corpo seja o da cozinheira”, afirma. A confirmação depende de exames periciais em andamento.

O corpo está preso a uma árvore em um trecho íngreme e de difícil acesso, o que obriga o Corpo de Bombeiros a usar técnicas de rapel para a remoção. A operação envolve policiais civis paulistas, o Grupo de Pronta Resposta do 3º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) e apoio de forças do Rio de Janeiro.

A cena encontrada na Serra d’Água transforma uma investigação marcada por buscas infrutíferas em um caso com possível vítima localizada, mas ainda sem desfecho. A família de Berenice acompanha cada nova informação à espera de um laudo que dê nome ao corpo retirado da mata.

Da praia de Ubatumirim à Serra d’Água

Berenice desaparece em 30 de junho, após sair de um restaurante no bairro Ubatumirim, em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. Ela trabalha como cozinheira e mantém vínculo com Eliane, empresária que diz ter rescindido o contrato naquele dia, pagando R$ 2,6 mil e deixando a funcionária em um ponto de ônibus.

Em áudios divulgados nos primeiros dias de busca, o filho da cozinheira, José Carlos de Faria, cobra explicações da patroa sobre os últimos momentos da mãe. “O que aconteceu? Porque minha mãe sumiu”, pergunta. Do outro lado da linha, Eliane responde: “Ela não chegou ainda? Ela saiu daqui falando que ia para Toninhas. Ela tinha um trabalho lá”.

A conversa continua com a insistência do filho, que relata a angústia da família. “Mas, o que houve? Aconteceu alguma coisa? Vocês discutiram? Aconteceu alguma coisa mais séria? Abre o jogo. Eu queria entender, na realidade, o que aconteceu de fato, porque estamos preocupados. Acionei a polícia”, diz José Carlos.

Os dias passam sem notícias de Berenice. A ausência de qualquer contato aumenta a inquietação. “É muito estranho. Se ela tivesse perdido o celular ou acontecido alguma coisa, ela pediria para alguém mandar mensagem para avisar. Até agora a gente não tem sinal dela. Desde terça-feira”, lamenta o filho.

A versão de Eliane começa a ruir quando a Polícia Civil cruza o depoimento da suspeita com imagens de câmeras de segurança e registros de radares. Em vez de retornar para casa em Ubatuba, como ela afirma, a caminhonete segue pela Estrada do Pasto Grande em direção a Paraty, já no Rio de Janeiro.

Sangue no carro, tiros e contradições

O foco da investigação se desloca do desaparecimento sem explicação para um possível crime. Cães farejadores usados pela polícia indicam a presença de sangue no interior da caminhonete de Eliane. Peritos aplicam luminol, reagente químico que torna visíveis manchas invisíveis a olho nu, e constatam vestígios principalmente no banco do carona.

O exame sugere que alguém sangrou dentro do veículo. Em paralelo, investigadores apuram relatos de dois disparos de arma de fogo no carro no dia do sumiço. O namorado de Eliane admite um tiro, que chama de acidental, e diz ter levado o veículo a uma oficina para reparos. Peritos encontram marcas compatíveis com disparos e a polícia ouve funcionários da oficina.

Na casa de Eliane, equipes apreendem três armas registradas e dois celulares. As contradições em seus depoimentos, somadas ao sangue no carro e ao trajeto até o Rio, levam a Justiça a decretar a prisão temporária em 10 de julho, por suspeita de homicídio.

Com o avanço das diligências, as buscas deixam de se concentrar apenas em Ubatumirim e se estendem a áreas de mata entre o Vale do Paraíba, o litoral norte paulista e o sul fluminense. Paraty, Angra dos Reis e a região de Cunha entram no mapa da investigação, que passa a depender de equipes especializadas em terreno acidentado.

Imagens ainda em análise mostram um segundo veículo, vermelho, circulando próximo ao trajeto suspeito da caminhonete de Eliane. A polícia apura se esse carro tem ligação com o transporte ou descarte de um corpo e se outras pessoas participaram do crime.

Pressão por respostas e risco jurídico para a patroa

A localização do corpo em Angra dos Reis marca um ponto de virada prático. A existência de uma possível vítima materializa o que, até então, se organizava apenas em torno de indícios: sangue no carro, tiros, rota desviada, silêncio da desaparecida.

Para a família de Berenice, o momento mistura alívio e pavor. A eventual confirmação de que o corpo é da cozinheira encerraria dias de incerteza, mas também abriria espaço para o luto e para a disputa judicial por responsabilização. José Carlos acompanha o caso de perto e mantém a cobrança por transparência e celeridade.

Para Eliane, a situação jurídica se torna mais delicada a cada novo elemento. A prisão temporária, que tem prazo determinado, pode ser prorrogada ou convertida em prisão preventiva se a perícia confirmar que o corpo é de Berenice e se os laudos reforçarem o elo entre o sangue da caminhonete e a vítima.

A investigação também observa o papel do namorado da empresária, que admite o tiro no carro. A versão de disparo acidental será testada contra os laudos balísticos e os danos identificados no veículo. Eventual inconsistência pode ampliar o número de investigados ou a gravidade das acusações.

O caso mobiliza estruturas de segurança de dois estados, com cooperação entre as polícias civis de São Paulo e do Rio de Janeiro, além da Polícia Militar Ambiental e do Corpo de Bombeiros. O esforço conjunto evidencia a dificuldade de elucidar desaparecimentos com indícios de crime em regiões de mata extensa, onde um corpo pode permanecer oculto por semanas.

Laudos, identidade do corpo e próximos capítulos

Neste momento, a chave do inquérito está nas mesas dos peritos. Exames laboratoriais vão tentar identificar o corpo resgatado em Serra d’Água e comparar o material genético com o de familiares de Berenice. Outros laudos devem indicar causa da morte, possíveis ferimentos por arma de fogo e tempo aproximado do óbito.

Os investigadores também aguardam o resultado definitivo sobre o sangue encontrado na caminhonete de Eliane. Se o material for compatível com o da cozinheira, a acusação de homicídio ganha sustentação técnica e reduz o espaço para versões alternativas apresentadas pela defesa.

Até a conclusão das perícias, o caso segue em aberto. A confirmação da identidade do corpo e o cruzamento dos laudos com as contradições da patroa vão definir o rumo do processo: do tipo de crime a ser atribuído à eventual inclusão de novos suspeitos.

Enquanto isso, a pergunta que ecoa desde o primeiro áudio de José Carlos permanece como síntese da expectativa da família e da pressão pública sobre as autoridades: o que, de fato, aconteceu com Berenice?

O corpo encontrado em Angra já foi identificado?

Não. A polícia trata o cadáver como provável corpo de Berenice, mas a identidade ainda depende de exames periciais que estão em andamento.

A patroa de Berenice está presa por quanto tempo?

Eliane Alves dos Santos está em prisão temporária decretada em 10 de julho. A Justiça pode prorrogar o prazo ou convertê-la em prisão preventiva, conforme o avanço dos laudos.

O que falta para a polícia concluir o caso Berenice?

Faltam os laudos que vão confirmar ou não a identidade do corpo, a origem do sangue na caminhonete e detalhes sobre causa e circunstâncias da morte.

O namorado da patroa também é investigado?

Sim. Ele admite um tiro que diz ser acidental dentro do carro. A polícia analisa sua participação e confronta o relato com perícias no veículo e na cena.


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