Impasse entre PL e Republicanos pode adiar definição da vice de Flávio Bolsonaro; entenda o que trava a escolha

Negociações para a chapa presidencial avançam em torno do nome de Daniella Marques, mas divergências entre os dois partidos em Roraima e Mato Grosso ainda impedem o anúncio oficial da ex-presidente da Caixa como candidata a vice.
Redação NC News
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A definição da candidata a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL) para as eleições de 2026 esbarra em um impasse político entre o PL e o Republicanos. Embora a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques seja apontada como a favorita para ocupar a vaga, divergências envolvendo alianças estaduais ainda impedem a confirmação do nome.

A expectativa é que a chapa seja oficializada na convenção nacional do PL, marcada para o próximo dia 25 de julho, em São Paulo. Até lá, lideranças das duas siglas tentam superar os entraves para viabilizar o acordo.

O que impede o anúncio de Daniella Marques?

Segundo aliados da pré-campanha, o principal obstáculo está nas negociações entre PL e Republicanos em dois estados considerados estratégicos: Roraima e Mato Grosso.

O Republicanos deseja que o PL apoie seus pré-candidatos aos governos estaduais nessas duas unidades da federação. Já o PL resiste às propostas e defende candidaturas próprias ou alianças diferentes, o que travou as conversas entre os partidos.

Como Daniella Marques é filiada ao Republicanos, o impasse estadual acabou refletindo diretamente na composição da chapa presidencial.

Quem é Daniella Marques?

Economista, Daniella Marques presidiu a Caixa Econômica Federal em 2022 durante o governo Jair Bolsonaro, assumindo o comando do banco após a saída de Pedro Guimarães.

Atualmente, ela coordena o núcleo econômico da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e tem participado de agendas públicas ao lado do senador, o que aumentou as especulações sobre sua indicação para a vaga de vice.

Durante uma transmissão ao vivo realizada nesta quinta-feira (16), voltada ao lançamento de propostas para mulheres, Daniella voltou a aparecer ao lado de Flávio.

Na ocasião, o senador reiterou que prefere escolher uma mulher para compor a chapa.

Sem confirmar a indicação, Flávio afirmou que o nome da economista vem sendo bastante comentado e destacou que ela tem colaborado na construção do plano de governo.

Por que uma mulher é considerada estratégica?

Nos bastidores, a avaliação é que uma candidata a vice pode ampliar o diálogo da campanha com o eleitorado feminino.

A estratégia ganhou força diante do desgaste político envolvendo Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que atualmente mantêm posições divergentes dentro do campo bolsonarista.

Além de Daniella, o senador também citou durante a transmissão a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), que participou da elaboração do programa voltado às mulheres.

O que acontece em Roraima?

Um dos principais focos da negociação está em Roraima.

O estado realizou uma eleição suplementar para governador e vice após a cassação do mandato do então governador Antonio Denarium (Republicanos).

Na disputa, Arthur Henrique (PL) venceu a eleição, mas o resultado permanece sub judice.

O registro da candidatura foi indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) por causa de uma discussão sobre o prazo de desincompatibilização do cargo de prefeito de Boa Vista. O caso ainda será analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Enquanto isso, o governador interino é Soldado Sampaio, do Republicanos, que também pretende disputar o governo estadual.

E qual é o impasse no Mato Grosso?

No Mato Grosso, a disputa também dificulta o entendimento entre os partidos.

O governador em exercício, Otaviano Pivetta (Republicanos), pretende disputar a reeleição após assumir o comando do estado com a saída de Mauro Mendes para concorrer ao Senado.

Já o PL defende o lançamento de um candidato próprio e argumenta que já apoiou Pivetta na eleição de 2022, não havendo compromisso para repetir a aliança em 2026.

Essa divergência se tornou mais um ponto de tensão nas negociações nacionais.

Quando a chapa será oficializada?

A convenção nacional do PL está marcada para o dia 25 de julho, na Arena Pacaembu, em São Paulo.

Já o Republicanos realizará sua convenção em 1º de agosto, dentro do período oficial das convenções partidárias, que vai de 20 de julho a 5 de agosto.

Após a definição dos candidatos, os partidos terão até 15 de agosto, às 19h, para registrar oficialmente as candidaturas na Justiça Eleitoral.

Entenda o contexto 

A escolha do candidato a vice-presidente costuma fazer parte das negociações entre partidos que formam uma coligação. Além do perfil político, pesam fatores como alianças regionais, equilíbrio eleitoral e estratégia para ampliar o apoio entre diferentes segmentos do eleitorado.

No caso da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques aparece como a principal cotada para a vaga, principalmente por sua atuação na área econômica e pela tentativa de fortalecer a candidatura entre o público feminino.

Entretanto, antes da confirmação oficial, PL e Republicanos ainda precisam resolver impasses envolvendo as disputas pelos governos de Roraima e Mato Grosso. A expectativa é que essas negociações avancem antes da convenção nacional marcada para o fim de julho.

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