Você toma estatina, mas o colesterol continua alto? A genética pode estar por trás do problema

Fatores genéticos podem manter o colesterol alto e aumentar significativamente o risco de infarto, mesmo com estatinas.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Milhões de brasileiros usam estatinas diariamente para controlar o colesterol e reduzir o risco de infarto e AVC. No entanto, uma parcela dos pacientes continua apresentando níveis elevados de LDL, conhecido como “colesterol ruim”, mesmo seguindo corretamente o tratamento.

Em muitos desses casos, a explicação está na genética. A chamada hipercolesterolemia familiar faz com que o organismo tenha dificuldade para eliminar o colesterol do sangue, aumentando significativamente o risco de doenças cardiovasculares quando o problema não é identificado e tratado de forma adequada.

O que é o colesterol de origem genética?

Ao contrário do colesterol elevado provocado principalmente por alimentação inadequada, obesidade ou sedentarismo, a hipercolesterolemia familiar é uma condição hereditária.

Quem nasce com essa alteração genética costuma apresentar níveis muito altos de LDL desde a infância ou adolescência, mesmo mantendo hábitos saudáveis.

Isso acontece porque o organismo produz colesterol em excesso ou não consegue removê-lo da circulação com eficiência, favorecendo o acúmulo de gordura nas artérias ao longo dos anos.

Por que a estatina nem sempre consegue controlar o problema?

As estatinas continuam sendo o principal tratamento para reduzir o colesterol e prevenir infartos e AVCs.

Esses medicamentos diminuem a produção de colesterol pelo fígado e aumentam a retirada do LDL da corrente sanguínea. Para a maioria das pessoas, essa estratégia é suficiente para controlar a doença.

Entretanto, pacientes com hipercolesterolemia familiar podem precisar de tratamentos adicionais. Como o problema está relacionado ao funcionamento dos receptores responsáveis por remover o colesterol do sangue, apenas reduzir sua produção pode não ser suficiente para atingir as metas recomendadas pelos médicos.

Qual é o risco para quem não controla o colesterol?

Especialistas alertam que manter o LDL elevado durante muitos anos acelera a formação de placas de gordura nas artérias. Essas placas podem reduzir a circulação do sangue ou romper de forma repentina, provocando infarto ou AVC.

Pessoas com hipercolesterolemia familiar costumam ficar expostas ao colesterol alto desde muito cedo. Por isso, quando a doença não é diagnosticada nem controlada, o risco de eventos cardiovasculares pode ser significativamente maior do que na população em geral.

Existem outros tratamentos além da estatina?

Sim. Quando apenas a estatina não consegue levar o LDL à meta recomendada, o médico pode associar outros medicamentos.

Esses tratamentos atuam de maneiras diferentes, como reduzindo a absorção do colesterol no intestino ou aumentando sua eliminação pelo fígado.

Nos pacientes considerados de alto ou muito alto risco cardiovascular, também existem terapias mais modernas capazes de promover uma redução ainda maior dos níveis de LDL.

A escolha do tratamento depende da avaliação médica, do histórico familiar e dos exames laboratoriais.

Quais são os sinais de alerta?

Embora o colesterol alto normalmente não provoque sintomas, alguns fatores chamam a atenção dos especialistas:

  • colesterol muito elevado desde a juventude;
  • casos de infarto em familiares jovens;
  • histórico de colesterol alto em vários membros da família;
  • dificuldade para controlar o LDL mesmo usando estatina;
  • doença cardiovascular precoce.

Nessas situações, o paciente deve procurar avaliação médica para investigar a possibilidade de hipercolesterolemia familiar.

É possível interromper o uso da estatina?

Não. Especialistas reforçam que a estatina continua sendo um dos medicamentos mais importantes na prevenção das doenças cardiovasculares.

Os efeitos colaterais mais comuns incluem dores musculares e alterações em exames do fígado, mas qualquer desconforto deve ser discutido com o médico.

Suspender o tratamento por conta própria pode fazer o colesterol voltar a subir rapidamente, aumentando novamente o risco de infarto e AVC.

O que muda para os pacientes?

O principal alerta é que tomar estatina não significa, necessariamente, que o colesterol esteja controlado. Quem apresenta níveis elevados de LDL mesmo durante o tratamento deve conversar com o cardiologista para verificar se atingiu a meta indicada para seu perfil de risco e se há necessidade de investigação para uma causa genética.

O diagnóstico precoce permite iniciar tratamentos mais adequados e reduzir as chances de complicações cardiovasculares ao longo da vida.

Entenda o contexto

As doenças cardiovasculares continuam entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. A hipercolesterolemia familiar é considerada uma das formas mais comuns de doença genética hereditária, mas muitos pacientes ainda desconhecem que convivem com o problema.

Especialistas destacam que o diagnóstico precoce, o acompanhamento médico e o tratamento individualizado são fundamentais para diminuir o risco de infarto, AVC e outras complicações relacionadas ao colesterol elevado.

Carregar Comentários