Lula reage ao ‘tarifaço’ dos EUA e propõe vender carros para África e América Latina

No mesmo dia em que as novas sobretaxas americanas de 25% entraram em vigor, o presidente se reuniu com o CEO da Stellantis e defendeu novos mercados para a indústria nacional.
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Em uma resposta direta e estratégica ao início da vigência das novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu publicamente a ampliação do alcance da indústria automobilística brasileira. Durante audiência realizada nesta quarta-feira (22) no Palácio do Planalto, o chefe do Executivo sinalizou que o país deve focar seus esforços de exportação na América Latina e no continente africano.

A reunião ocorreu com Antonio Filosa, CEO e diretor executivo global da Stellantis — conglomerado automotivo responsável por 14 marcas de peso, como Fiat, Jeep, Citroën, Peugeot e Ram. O encontro serviu como plataforma para alinhar a política industrial do governo com o setor privado diante das retaliações de Washington.

A estratégia para a indústria automotiva

Lula classificou os mercados latino-americano e africano como “muito importantes e promissores”, colocando a estrutura do governo federal à disposição para desatar nós logísticos e burocráticos que impeçam a expansão comercial brasileira nesses territórios.

“Uma coisa que nós vamos ter que trabalhar juntos com vocês agora, nesse próximo período, é como aumentar a capacidade de exportação dos carros brasileiros para a América Latina e para o continente africano. Nós estamos dispostos a trabalhar junto com vocês para saber quais as dificuldades e o que a gente pode contribuir para que vocês possam voltar a vender mais carros.”

O ‘tarifaço’ norte-americano entra em vigor

A mobilização no Planalto acontece em meio ao choque provocado pelo início formal das novas sanções americanas. A partir de 01h01 desta quarta-feira (22), passou a incidir uma sobretaxa de 25% sobre uma vasta cesta de produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

A cronologia do desgaste comercial com Washington revela uma escalada contínua:

  • Julho de 2025: Donald Trump anuncia o primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil;
    Seção 301 da Lei de Comércio: Os EUA abrem investigações sob a alegação de concorrência desleal e insegurança jurídica em setores como etanol, comércio digital, patentes e combate ao desmatamento;
  • Julho de 2026: Início oficial da cobrança da alíquota adicional de 25% imposta pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA).
    Impasse diplomático e ‘marco lastimável’

As negociações entre os dois países chegaram a um travamento completo antes da aplicação das taxas. Enquanto diplomatas americanos acusaram o governo brasileiro de falta de engajamento, os negociadores do Brasil classificaram as exigências do governo Trump como “extremamente ruins e desvantajosas” para a agricultura e a indústria nacionais.

Em tom oficial, o governo brasileiro declarou que o momento “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”. Em paralelo, a base aliada lançou a campanha “O Brasil Não Se Entrega” para blindar a imagem do país e buscar alternativas comerciais fora do eixo norte-americano.

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