Neto volta a mirar Neymar, agora por causa de torneios de pôquer, e transforma uma crítica esportiva em guerra aberta que envolve Justiça, Santos e milhões de torcedores.
Pôquer em São Paulo, Santos em campo na Venezuela
O estopim da nova fase da briga aparece quando o Santos entra em campo na Venezuela, enquanto Neymar permanece em São Paulo jogando pôquer por até 12 horas em dois meses recentes. O atacante soma, no mesmo período, apenas 37 minutos em campo pelo clube.
O contraste alimenta a irritação de parte da torcida e dá munição a Neto, comentarista da TV Band e ex-meia do Corinthians. No ar, ele dispara contra a escolha do jogador: “Não tenho nada contra o Neymar jogar pôquer. É o problema dele. Mas é incompatível um cara que não jogou a Copa não jogar pelo Santos”.
A crítica atinge um ponto sensível do ambiente santista. Neymar recebe cerca de R$ 21 milhões por mês, uma das maiores remunerações do país, enquanto o time luta para se estabilizar esportiva e financeiramente. Para muitos torcedores, a imagem de um ídolo no pôquer enquanto o Santos viaja pela América do Sul resume o descompasso entre expectativa e entrega.
Palavrões, processo e o rastro de 2023
A resposta de Neymar não vem em campo, mas nas redes sociais, onde fala para uma base de 292 milhões de seguidores. Em um ataque direto a Neto, escreve: “Chato pra ***, vai se f**** esse otário”. O xingamento reacende uma rivalidade que já queima há meses.
O conflito ganha contornos judiciais quando Neymar decide processar o comentarista, em 2023, após ouvir na TV a sugestão de que torcedores deveriam urinar nele. A frase surge depois de um jogo da Seleção contra a Venezuela, quando sacos de pipoca são atirados no atacante. A fala rende um processo por dano moral. Neto, no tribunal, afirma não ter intenção de ofender o jogador, o que arrefece momentaneamente a disputa, mas não fecha a ferida.
Nas semanas recentes, a temperatura volta a subir. Neymar volta a se sentir alvo de perseguição. Neto, no entanto, enxerga no comportamento do craque um sintoma de algo maior: a dificuldade do futebol brasileiro em lidar com ídolos midiáticos que se comunicam diretamente com milhões, sem filtros e sem freios.
O “otário” que acreditou em um ídolo
A resposta de Neto ao xingamento de Neymar se transforma em um monólogo longo, emotivo e agressivo, transmitido em seus programas na Band, que ele próprio define como um desabafo. O comentarista se apropria do insulto: “Infelizmente, o Neymar me chamou de otário. Não errou muito, né? A gente é otário mesmo”.
No ar, Neto alterna admiração técnica e frustração esportiva. Reconhece o talento do atacante — “Você é um dos maiores jogadores que vi jogar na minha vida” — mas recusa qualquer reverência: “Otário é quem acreditou que você, Neymar, pudesse dar a Copa para nós ou chegar na final. Você jogou 30 minutos e fez um gol de pênalti, cara”.
O comentarista mira também o entorno do jogador e a estrutura do Santos. Critica o presidente do clube por pagar salários milionários ao atacante: “Você ganha R$ 21 milhões por mês. Otário é quem deu R$ 21 milhões para você, que é o presidente do Santos, que está acabando com o Santos, quebrando o Santos”. Influenciadores e fãs são chamados de “neymarzete”, tratados por ele como parte de uma blindagem midiática que impede qualquer autocrítica.
A fala mais dura envolve a própria família de Neto. Ele admite que os dois filhos idolatram Neymar, mas não recua: “Estou nem aí que meus dois filhos te amam. Sabe por quê? Porque eles acreditaram que você podia dar a Copa para duas crianças”. Na narrativa do comentarista, quem se sente traído não é só ele, mas uma geração de torcedores que projetou no camisa 10 a esperança de títulos que nunca vieram.
Santos, imagem em risco e um vestiário em ebulição
O ataque público não atinge apenas Neymar e Neto. O Santos aparece como personagem central desse embate, pressionado por resultados medianos, finanças frágeis e um vestiário exposto. Ao questionar a conduta do presidente e a falta de reação do elenco, Neto amplia o desgaste interno.
Na visão do comentarista, a passividade do clube e dos companheiros reforça a ideia de que o Santos se curva à estrela, mesmo quando o protagonista está longe de seu auge físico e esportivo. “Quem que é otário? É a torcida do Santos, são os jogadores do Santos, que não falam nada. Você foi mais na gincana da Kings League do que no Santos. Quem são os otários?”, ataca.
O efeito prático é um ambiente mais tenso. Torcedores se dividem entre defesa incondicional de Neymar e cobrança por profissionalismo. Patrocinadores e dirigentes monitoram o desgaste de imagem. Em um mercado em que reputação pesa quase tanto quanto desempenho em campo, ver o principal jogador do país associado mais a pôquer do que a gols incomoda parceiros comerciais.
Para Neto, o caso de Neymar simboliza um futebol em crise de referências. Ele diz que o atacante “entra na pilha por causa de likes” e o descreve como “uma criança que precisa de ajuda, colo, precisa de mãe, pai, esposa, irmão e principalmente de amigo”. A crítica mira um modelo de carreira em que redes sociais, gincanas e jogos paralelos competem com treinos, títulos e decisões.
Um conflito sem trégua à vista
Neymar, até aqui, não recua nem pede desculpas. Mantém o processo judicial aberto e responde com ironias e palavrões. Neto, por sua vez, se apresenta como um trabalhador que “está todo dia” no estúdio, sem medo de cancelamento ou das consequências jurídicas: “Não tenho medo de vocês. Tentaram até me colocar na cadeia. Por enquanto eu não fui”.
O caso evidencia um racha profundo. De um lado, os milhões que seguem e defendem o craque em qualquer circunstância. De outro, uma frente de torcedores, comentaristas e ex-jogadores que cobram foco no Santos e na Seleção, incomodados com a agenda paralela de Neymar. No meio, um clube pressionado, um mercado atento e uma Seleção em transição.
As próximas semanas tendem a trazer novos capítulos. O processo segue seu curso, e qualquer decisão judicial terá impacto direto na forma como atletas e imprensa se enfrentam em público. O Santos pode ser forçado a se posicionar de forma mais clara para proteger sua própria imagem e a de seus jogadores. Neymar precisa decidir se responde em campo, nas cartas ou nas redes.
O episódio já deixa uma marca incômoda: o Brasil vê um de seus maiores talentos discutindo com um comentarista em rede nacional, enquanto o debate sobre o futuro do futebol, a profissionalização dos ídolos e a relação entre torcida e estrela continua sem resposta.
O que aconteceu na briga pública entre Neymar e Neto?
Neto criticou Neymar por jogar pôquer enquanto o Santos atuava na Venezuela. Neymar reagiu com xingamentos nas redes, reacesa a rivalidade e o processo já existente entre os dois.
Por que Neto desabafou dizendo “Otário eu sou. Por acreditar em você”?
Ele afirma ter se sentido traído por acreditar que Neymar poderia liderar o Santos e a Seleção a conquistas importantes, o que, na visão dele, não aconteceu em campo.
Como Neymar respondeu aos ataques de Neto?
O atacante rebateu pelas redes sociais, chamando o comentarista de “chato pra ***” e dizendo “vai se f**** esse otário”, diante de seus milhões de seguidores.
Qual a origem da rivalidade entre Neymar e Neto?
A tensão começa quando Neto faz críticas duras ao comportamento de Neymar na Seleção e sugere, em programa de TV, que torcedores urinem nele, o que leva o jogador a processá-lo.
Quais times Neto jogou durante sua carreira?
Neto se consagrou como meia no Corinthians, com passagens marcantes também por times como Guarani, Palmeiras, São Paulo e Santos ao longo da carreira.
Quem é Neto e qual seu papel na Band?
José Ferreira Neto é ex-meia, ídolo do Corinthians, e hoje atua como comentarista e apresentador na Band, conhecido pelas opiniões fortes e pelo tom explosivo em debates esportivos.