Jogadora que agrediu adversárias com chutes e socos é suspensa por cinco anos no futsal

Jogadora do Acre é suspensa após agressões durante partida no Ceará, impactando o cenário do futsal feminino.
Redação NC News
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Uma jogadora do time As Resenhas foi suspensa por cinco anos do futsal amador do Eusébio após chutar duas vezes a cabeça de uma adversária caída em quadra e acertar um soco em outra atleta. A equipe também foi eliminada do Campeonato Municipal de Futsal Feminino da cidade, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Quadra virou cenário de agressão

O episódio ocorreu no Ginásio Joaquim Gregório, na abertura do campeonato, durante o duelo entre Projeto RDJ Esport Feminino e As Resenhas. O jogo estava no início do segundo tempo, com o RDJ vencendo por 1 a 0, quando o clima mudou de forma abrupta.

Em uma disputa de bola, a atleta Júlia, do RDJ, sofreu uma falta, caiu no piso e permaneceu no chão. A autora da falta, jogadora de As Resenhas, levantou-se e, na sequência, desferiu dois chutes na cabeça da adversária caída. As imagens registradas na transmissão mostraram o impacto direto na região da cabeça, área especialmente sensível no futsal.

Ao perceber a cena, outra atleta do RDJ, conhecida como BK, se aproximou para tentar proteger a companheira. A mesma jogadora agressora reagiu com um soco no rosto de BK. A confusão se instalou, com árbitros, comissões técnicas e demais jogadoras invadindo a quadra para conter o tumulto.

Diante da violência, a arbitragem decidiu encerrar a partida imediatamente. Júlia e BK foram levadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Eusébio, receberam atendimento e, segundo o clube, se recuperam em casa.

Julgamento rápido e punição exemplar

A repercussão do caso pressionou a Liga Desportiva do Eusébio e a Secretaria de Esporte e Juventude do município a agir com rapidez. A Comissão Disciplinar analisou o relatório da arbitragem, a súmula oficial, as imagens da transmissão e os depoimentos das partes envolvidas.

Após dois dias de apuração, o julgamento foi concluído e resultou em penas consideradas duras para o padrão do esporte amador local. A jogadora responsável pelas agressões foi suspensa por cinco anos de todas as atividades esportivas organizadas pela Liga Desportiva do Eusébio. Na prática, ficou proibida de atuar em qualquer competição sob chancela da entidade nesse período.

Em nota, a Liga afirmou que a decisão teve como base o regulamento da competição e o Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

“Após análise do relatório da equipe de arbitragem, da súmula oficial, das imagens da transmissão e dos esclarecimentos apresentados pelas partes envolvidas, foi proferida a decisão fundamentada no Regulamento da Competição e no CBJD, aplicando as sanções disciplinares cabíveis aos responsáveis pelos atos praticados”, comunicou a instituição.

O time As Resenhas também foi punido com a eliminação imediata do campeonato. Outras jogadoras e integrantes que contribuíram para o tumulto receberam suspensões adicionais, em prazos menores, reforçando a mensagem de responsabilização coletiva.

Vítimas se recuperam e cobram segurança

Do outro lado, o Projeto RDJ Sport tentou administrar o impacto físico e emocional sobre as atletas. A presidente do clube, Radija Nascimento, acompanhou de perto a recuperação de Júlia e BK e se posicionou publicamente contra a violência.

Nas redes sociais da equipe, Radija lamentou o episódio e defendeu medidas mais rígidas de proteção no futsal feminino.

“É uma situação muito lamentável e que jamais gostaríamos de presenciar dentro de uma quadra esportiva. […] O Projeto RDJ Sport continuará adotando todas as medidas cabíveis para que fatos como esse não se repitam e para que nossas atletas tenham a segurança e o respeito que merecem”, afirmou.

A dirigente também prometeu colaborar com a Liga e com a Secretaria de Esporte e Juventude para que novos protocolos de segurança e de atuação da arbitragem fossem discutidos. A proposta era evitar que agressões semelhantes voltassem a ocorrer, especialmente em campeonatos com presença de famílias e crianças nas arquibancadas.

Tolerância zero à violência no esporte amador

A Prefeitura do Eusébio, por meio da Secretaria de Esporte e Juventude, também se posicionou de forma enfática. Em nota oficial, o órgão municipal repudiou o que classificou como prática “antidesportiva” e associou o episódio à necessidade de reforçar o papel formador do esporte.

“A Prefeitura de Eusébio, através da Secretaria de Esporte e Juventude (Sejuv), vem a público informar que repudia veementemente a violência e qualquer tipo de prática antidesportiva. Estamos garantindo investimentos e um calendário regular para o esporte amador, porque acreditamos na força transformadora do esporte em nossa sociedade”, afirmou a gestão municipal.

A manifestação buscou preservar a imagem do campeonato, que integra a política pública de incentivo ao esporte de base e ao futsal feminino no município. Ao mesmo tempo, expôs o desafio de conciliar competitividade com respeito às regras e à integridade física das atletas.

O caso se somou a outros episódios recentes de violência em quadras e campos amadores pelo país, muitos deles impulsionados por rivalidades locais e pela ausência de estrutura de segurança. No futsal feminino, ainda em expansão, agressões como socos e chutes em jogadoras caídas acenderam um alerta adicional: além do risco de traumatismo na cabeça, golpes repetidos podem afastar atletas e famílias do ambiente esportivo.

Precedente para ligas locais e pressão por mudanças

A suspensão de cinco anos imposta à jogadora e a exclusão de As Resenhas criaram um precedente importante para campeonatos municipais. A decisão da Liga Desportiva do Eusébio sinalizou que a entidade não pretende relativizar agressões físicas, mesmo em competições amadoras.

Na prática, a punição atingiu diretamente a carreira da atleta, que ficou impedida de disputar torneios oficiais da cidade e perdeu visibilidade em um momento de crescimento do futsal feminino. O time As Resenhas, por sua vez, viu a campanha terminar logo na estreia e perdeu uma temporada inteira de exposição esportiva.

O Projeto RDJ Esport Feminino recebeu respaldo institucional e simbólico. A decisão reconheceu o clube como vítima e reforçou o direito das jogadoras de competir em um ambiente seguro. A Liga e a Secretaria de Esporte e Juventude, pressionadas pela repercussão, prometeram monitorar com mais rigor os próximos jogos, revisar trechos do regulamento e investir em ações educativas voltadas a atletas, comissões técnicas e arbitragem.

Especialistas em gestão esportiva ouvidos por entidades locais defenderam que a punição servisse mais como instrumento de prevenção do que de vingança. A expectativa passou a ser de que o episódio abrisse espaço para debates mais amplos sobre violência em modalidades femininas, tema que costuma receber menos visibilidade do que confrontos em competições masculinas, embora apresente riscos semelhantes.

Com a temporada em andamento, a Liga tentou transformar um caso extremo em um ponto de inflexão. O campeonato seguiu, mas passou a carregar a marca de uma partida encerrada por violência e de uma jogadora banida por cinco anos. A partir desse episódio, o comportamento em quadra passou a ser observado com mais rigor, e qualquer novo excesso deverá ser confrontado com o precedente criado no Ginásio Joaquim Gregório.

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