Neymar voltou a ser assunto fora de campo, mas desta vez ganhou um defensor público. O ex-volante Felipe Bastos, hoje comentarista, saiu em defesa do atacante e questionou o tom das críticas que vêm sendo feitas ao camisa 10 do Santos.
A discussão ganhou força depois de Neymar participar de um torneio de pôquer na mesma noite de um jogo do Santos pela Copa Sul-Americana e, posteriormente, forçar um cartão amarelo no empate por 2 a 2 com a Chapecoense, pelo Campeonato Brasileiro.
O cartão provocou suspensão automática para a partida seguinte, contra o Athletico-PR, e abriu espaço para críticas sobre o comportamento e o comprometimento do jogador. Mas, dentro de campo, Neymar respondeu de outra maneira: marcou os dois gols do Santos.
Na comemoração, ainda aproveitou para provocar. Neymar fez um gesto relacionado ao pôquer, como se estivesse distribuindo cartas em uma mesa. A cena rapidamente virou mais um capítulo da discussão em torno do atacante.
Felipe Bastos lembra que Neymar é criticado há anos
Felipe Bastos não passou pano para a atitude de Neymar. O comentarista reconheceu que o jogador errou ao forçar o cartão, mas disse que existe um exagero na maneira como cada atitude do atacante é tratada.
“O cara está apanhando a carreira inteira. Quando ele responde, está errado?”, questionou.
Na sequência, Bastos destacou que Neymar recebe críticas de diferentes lados e que, para ele, o jogador também tem o direito de reagir.
“Realmente, ele errou em forçar o cartão. Mas ele está apanhando a carreira inteira, apanhando de todo mundo. Ele apanha dos caras fora do campo, apanha da gente da imprensa, apanha de jogador”, afirmou.
A fala resume um dos pontos mais delicados da relação de Neymar com a imprensa e com os torcedores: o atacante se tornou, há anos, um dos jogadores mais observados do futebol brasileiro. Cada declaração, gesto ou atitude fora de campo costuma ganhar uma dimensão muito maior.
“Ele tem que escutar calado?”, questiona comentarista
Felipe Bastos também criticou o peso dado à participação de Neymar no torneio de pôquer e à comemoração feita depois dos gols contra a Chapecoense.
Para o comentarista, o fato de o jogador ter marcado duas vezes deveria ter recebido mais atenção na análise da partida.
“Ele tem que escutar calado? Os caras batendo nele porque ele foi jogar pôquer. É comemoração, gente. Ele fez dois gols, e a gente está falando muito mais do que ele fez fora de campo do que ele fez dentro de campo”, afirmou.
A declaração coloca em discussão até onde vai a cobrança legítima sobre um jogador profissional e quando a análise esportiva passa a se transformar em julgamento sobre a vida pessoal do atleta.
No caso de Neymar, essa fronteira costuma ser ainda mais difícil de estabelecer. O atacante é uma das figuras mais conhecidas do futebol mundial e, por isso, sua vida fora dos gramados também desperta enorme interesse.
O cartão forçado também virou motivo de debate
A defesa Bastos, porém, não significa que o comentarista tenha considerado correta a atitude de Neymar.
O próprio ex-jogador admitiu que o camisa 10 errou ao provocar o cartão amarelo. A consequência foi direta: Neymar ficou suspenso e não pôde enfrentar o Athletico-PR.
A discussão está justamente aí.
Forçar um cartão pode ser encarado como uma estratégia de gerenciamento da temporada, principalmente quando o jogador pretende cumprir uma suspensão em uma partida específica. Mas, quando a atitude envolve um dos principais nomes do elenco, o assunto ganha outra proporção.
No caso de Neymar, a situação ficou ainda mais delicada porque aconteceu depois da polêmica envolvendo o pôquer.
Dois gols de Neymar ficaram em segundo plano
Se fora de campo o atacante foi criticado, dentro dele a resposta foi importante. Neymar marcou os dois gols do Santos no empate por 2 a 2 com a Chapecoense e foi decisivo para o time.
A comemoração com as cartas acabou funcionando como uma provocação às críticas que havia recebido.
Foi justamente esse contraste que Felipe Bastos tentou destacar: enquanto o comportamento do jogador ocupava grande parte da discussão, os dois gols marcados na partida acabaram ficando em segundo plano.
A situação também mostra por que Neymar continua sendo um personagem tão difícil de ignorar no futebol brasileiro. Mesmo quando o assunto começa dentro de campo, rapidamente a conversa passa para sua personalidade, suas escolhas e sua vida fora dos gramados.
Até onde vai a cobrança sobre Neymar?
A discussão levantada por Bastos não é nova. Neymar convive com críticas desde o início da carreira. Ao mesmo tempo em que recebeu elogios por seu talento e por momentos decisivos, também passou a ser cobrado por comportamento, lesões, decisões profissionais e atitudes fora de campo.
Para parte dos torcedores, o tamanho da cobrança é consequência natural da importância que o jogador tem para o Santos e para o futebol brasileiro.
Para outros, a exposição ultrapassa o limite do que deveria ser analisado dentro de uma partida.
É justamente nesse ponto que a fala do comentarista ganha força: o comentarista não nega o erro de Neymar, mas questiona se ele precisa ser tratado como se cada decisão do jogador fosse um novo escândalo.
Neymar está suspenso para o próximo jogo
Por causa do cartão amarelo, Neymar fica fora do confronto seguinte do Santos contra o Athletico-PR.
A ausência aumenta a discussão sobre a decisão de forçar a punição. Afinal, o jogador não estará em campo justamente em uma partida em que poderia ajudar a equipe.
Ao mesmo tempo, o episódio deve continuar sendo discutido enquanto Neymar permanecer no centro das atenções.
Se o Santos sentir sua falta, as críticas ao cartão tendem a crescer. Se a equipe conseguir um bom resultado, a discussão pode perder força.
No fim, o que está em jogo não é apenas o próximo resultado do Santos. Também está em disputa a maneira como Neymar será percebido nesta nova fase da carreira.
ENTENDA O CONTEXTO
A nova polêmica envolvendo Neymar começou com a participação do jogador em um torneio de pôquer e ganhou força depois que ele forçou um cartão amarelo no empate com a Chapecoense.
A punição tirou o atacante do jogo seguinte do Santos. No entanto, Neymar foi decisivo na partida ao marcar os dois gols da equipe e ainda fez uma comemoração relacionada ao pôquer.
A atitude gerou novas críticas, mas também motivou a defesa pública de Felipe Bastos. O comentarista reconheceu o erro do cartão, mas argumentou que a repercussão sobre o comportamento de Neymar acabou sendo maior do que a atenção dada ao desempenho do jogador dentro de campo.