Luiz Inácio Lula da Silva últimas notícias de hoje: mercado prevê 4º mandato mesmo com crise com Milei

Gestores avaliam reeleição de Lula em meio a tensão diplomática com Milei e disputa política acirrada.
Redação NC News
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Gestores do mercado financeiro brasileiro já tratam um quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva como cenário mais provável, mesmo em meio a uma crise diplomática com o presidente argentino Javier Milei e ao acirramento da disputa com Flávio Bolsonaro.

Faria Lima consolida aposta em Lula e olha para 2030

Entre profissionais da Faria Lima, a disputa presidencial deixa de ser uma incógnita e passa a ser exercício de projeção. Mais de 30 gestores de fundos, bancos, corretoras e grandes empresas ouvidos em conversas reservadas apontam a reeleição de Lula como o desfecho mais provável, a menos que um fato político de grande impacto mude o rumo da campanha.

A candidatura de Flávio Bolsonaro, lançada pelo PL com estrutura nacional e apoio explícito do pai, não empolga o mercado. A avaliação recorrente é de que a campanha perdeu tração e segue isolada politicamente. A ausência de líderes de outros partidos na convenção que oficializa o senador como candidato reforça a leitura de isolamento. Pesam também os boatos constantes sobre o passado de Flávio, que alimentam a expectativa de novos desgastes.

Pesquisas recentes mostram um país dividido. Levantamento Atlas/Bloomberg indica que 51,2% dos eleitores desaprovam o governo Lula, enquanto 47,6% aprovam a gestão. Mesmo com esse quadro apertado, gestores julgam que o presidente mantém uma vantagem estrutural construída ao longo do atual mandato e ancorada na força do cargo, na capilaridade do PT e na fragmentação dos adversários.

Operadores de mercado dizem em privado que a expectativa de mudança relevante na condução da economia fica para 2030. Até lá, o cenário dominante é de continuidade com ajustes, comandada por Lula.

Debate muda: qual Lula governa se for reeleito

A pergunta central nas mesas de operação não é mais quem vence, mas que tipo de governo Lula entregaria em um quarto mandato. Gestores se dividem entre quem espera um presidente mais próximo do segundo governo, quando houve superávits fiscais, e quem teme a continuidade da expansão de gastos e alta da dívida observadas no ciclo atual.

A percepção majoritária é de que a piora das contas públicas e o avanço da dívida bruta limitam qualquer novo ciclo de aumento expressivo de despesas. Esse grupo aposta em uma guinada mais austera, com busca de superávits, para conter o endividamento e reduzir o prêmio de risco embutido nos juros.

Outra ala, mais cética, enxerga risco de repetição de um ambiente de deterioração fiscal que, anos atrás, culmina em crise política e impeachment de uma presidente petista. Esses gestores falam em voz baixa sobre a possibilidade de um governo pressionado por bases sociais a manter gastos elevados, em choque permanente com o Banco Central e sob escrutínio intenso do Congresso.

Em comum, quase todos descartam o surgimento de uma terceira via competitiva. Na prática, aceitam a reedição de uma eleição polarizada entre Lula e um Bolsonaro — agora na figura do filho mais velho, Flávio. A disputa de outubro tende a reproduzir o confronto ideológico entre lulismo e bolsonarismo, sem espaço para um centro robusto.

Milei provoca, Itamaraty reage e tensão cresce

Enquanto o mercado calcula cenários, a política externa entra em ebulição. O presidente argentino Javier Milei usa o palco da convenção do PL, em São Paulo, para atacar Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Chama o presidente brasileiro de “presidiário” e se refere ao ministro como “lixo careca”, em discurso que agrada à plateia bolsonarista e irrita Brasília.

A reação do governo é rápida. O Itamaraty convoca o embaixador argentino no Brasil para prestar esclarecimentos e chama para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli. No Palácio do Itamaraty, Bitelli se reúne com o chanceler Mauro Vieira por cerca de 40 minutos para avaliar o tamanho do dano na relação bilateral.

Lula escolhe o sarcasmo ao comentar o episódio. Questionado sobre as provocações de Milei, responde apenas: “Quem é esse cara?”. A frase, curta e calculada, tenta minimizar o adversário estrangeiro enquanto devolve o ataque ao campo da política doméstica, onde Milei aparece associado à campanha de Flávio Bolsonaro.

Integrantes do governo, porém, adotam tom mais duro. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, contrasta publicamente os números dos dois países. “O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta”, afirma, ao defender o desempenho recente da economia brasileira.

No Judiciário, o presidente do STF, Edson Fachin, classifica as palavras de Milei como “referência desrespeitosa ao ministro Moraes”, em recado que protege a instituição e mostra alinhamento com o Executivo diante de ataques externos.

Crise diplomática encontra campanha em chamas

A presença de Milei na convenção do PL é inicialmente tolerada por Brasília como gesto protocolar de cortesia entre governos vizinhos. O tom do discurso, porém, rompe qualquer linha de neutralidade. O argentino não ataca só Lula e Moraes. Critica o sistema eleitoral brasileiro e o governo federal, alinhando-se abertamente ao bolsonarismo.

O gesto transforma o evento de campanha em foco de crise internacional. Para diplomatas, o Brasil responde com o mínimo necessário para marcar posição: convocações formais, consultas ao embaixador, nota dura e silêncio calculado de Lula. A mensagem é de contenção, mas também de defesa da soberania e das instituições.

Nos bastidores, Mauro Vieira e Júlio Bitelli articulam os próximos passos. A orientação é manter canais abertos, mas com vigilância. Uma nova rodada de conversas fica programada para depois da viagem do chanceler ao Peru, sinal de que o governo prefere administrar a crise em etapas, sem romper pontes de forma definitiva.

O esfriamento da relação com Buenos Aires preocupa setores que dependem do comércio bilateral, da indústria automotiva ao agronegócio. Brasil e Argentina seguem como parceiros centrais no Mercosul e na integração regional. Um prolongamento da tensão tende a afetar negociações comerciais, investimentos cruzados e posições conjuntas em fóruns internacionais.

Mundo político explora crise; mercado observa fiscal

Internamente, a crise com Milei vira combustível eleitoral. Aliados de Flávio Bolsonaro celebram o alinhamento explícito de um presidente estrangeiro ao seu projeto, enquanto adversários acusam o senador de instrumentalizar um chefe de Estado para atacar instituições brasileiras.

Para o Planalto, o episódio ajuda a reforçar a imagem de Lula como defensor da democracia contra extremistas, domésticos e estrangeiros. A narrativa serve tanto para mobilizar a base quanto para aproximar setores moderados desconfortáveis com o tom agressivo de Milei.

No mercado, porém, a leitura é mais pragmática. Gestores acompanham a escalada verbal, mas seguem concentrados em números: risco-país, inflação, desemprego, saldo comercial e trajetória da dívida. O fato de os indicadores brasileiros hoje superarem com folga os argentinos é usado como argumento para relativizar o barulho político.

Aos olhos dos investidores, o ponto decisivo continua sendo a política fiscal de um eventual novo governo Lula. Um quarto mandato com compromisso claro de superávit e controle da dívida tende a reduzir prêmios de risco, favorecer a queda de juros e estimular investimentos. Um governo sem âncora fiscal crível, pressionado por gastos sociais sem compensação, pode produzir o efeito oposto.

O país entra na reta mais quente da campanha com essas duas tensões entrelaçadas: uma disputa doméstica polarizada e uma crise diplomática com o principal vizinho. Como Lula, Flávio Bolsonaro e Milei vão explorar esse enredo nas próximas semanas ajuda a definir não só o clima da eleição, mas também o ambiente econômico e a posição do Brasil no tabuleiro regional.

Quem é o favorito do mercado financeiro nas eleições?

A maior parte dos gestores acredita que Lula deve se reeleger, apesar de preferirem em geral a agenda econômica de Flávio Bolsonaro. O cálculo é de probabilidade, não de simpatia.

Como a crise com Milei pode afetar a economia brasileira?

No curto prazo, o impacto é mais político do que econômico. Se a tensão durar, pode prejudicar comércio, investimentos e acordos regionais com a Argentina.

O que o mercado espera de um eventual Lula 4?

Gestores apostam em maior austeridade fiscal, buscando superávits e controle da dívida. Temem, porém, que a pressão por gastos leve a novo desequilíbrio.


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