Cleitinho ainda pode ser candidato ao Governo de Minas? Entenda o que acontece após a crise com o Republicanos

Senador afirma que disputará o Palácio Tiradentes, mas candidatura agora depende da decisão do partido; pela lei, ele não pode mais trocar de legenda
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A crise entre o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o próprio partido ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (29) e levantou uma dúvida entre eleitores e aliados: afinal, Cleitinho ainda pode ser candidato ao Governo de Minas? A resposta é sim.

Apesar da nota divulgada pelo Republicanos na manhã desta quarta-feira, descartando, ao menos por enquanto, a candidatura do senador, não existe nenhum impedimento legal para que Cleitinho dispute a eleição de outubro. O principal obstáculo neste momento não é jurídico, mas político.

Como o senador continua filiado ao Republicanos e a janela partidária já foi encerrada, ele dependerá exclusivamente da decisão da própria legenda para ter o nome homologado como candidato ao Palácio Tiradentes.

A situação criou um cenário inédito na política mineira: de um lado, o partido afirma que não há candidatura; do outro, o principal nome da legenda garante que continuará na disputa.

A nota que mudou o rumo da pré-campanha
A crise veio à tona na manhã desta quarta-feira (29). Em uma nota assinada pelo presidente estadual do Republicanos, deputado Euclydes Pettersen, o partido afirmou que esperou durante meses por uma definição de Cleitinho, adiou decisões internas, articulou alianças e preservou a possibilidade de lançar o senador ao Governo de Minas.

Segundo a legenda, porém, a confirmação nunca aconteceu. O trecho mais duro do comunicado diz que:

“Uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu.”

O partido ainda afirma que a ausência do senador na convenção estadual produziu efeitos políticos irreversíveis.

“A ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos — apesar das justificativas pessoais — representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis.”

Ao final da nota, o Republicanos conclui dizendo que trabalhou para viabilizar a candidatura, mas que faltou uma decisão definitiva do próprio senador.

O estopim aconteceu na convenção
Embora a crise tenha explodido nesta quarta-feira, o desgaste começou dias antes. No último sábado (25), o Republicanos realizou a convenção estadual que definiria a estratégia da legenda para as eleições.

A expectativa era de que Cleitinho participasse do encontro e desse o sinal verde para a candidatura ao Governo de Minas. Isso, porém, não aconteceu. O senador não compareceu ao evento e justificou a ausência dizendo que ainda estava de luto pela morte do irmão, ocorrida poucos dias antes. Quem representou a família foi outro irmão, Gleidson Azevedo, prefeito de Divinópolis e candidato ao Senado pelo Republicanos.

A ausência foi interpretada pela direção do partido como mais um capítulo da indefinição que se arrasta desde o ano passado.

A resposta veio à noite
Pouco mais de 10 horas depois da divulgação da nota, Cleitinho decidiu reagir. Por volta das 20h30, o senador concedeu uma coletiva de imprensa cercado por apoiadores e transmitiu o pronunciamento ao vivo pelas redes sociais.

Foi nesse momento que, pela primeira vez, ele afirmou publicamente que será candidato ao Governo de Minas. Até então, durante meses de especulações, Cleitinho evitava confirmar a decisão.

As declarações sobre a pré-candidatura eram feitas por assessores, parlamentares aliados e pelos próprios irmãos do senador, enquanto ele preferia dizer que ainda estava refletindo sobre a disputa.

Na coletiva desta quarta-feira, porém, o discurso mudou. Cleitinho confirmou que pretende disputar o Governo de Minas e afirmou que tentará convencer a direção nacional do Republicanos a rever a decisão anunciada pela executiva estadual.

Durante a transmissão, também enviou um recado ao partido:

“Partido nenhum vai querer perder um candidato que lidera as intenções de voto.”, disse

Uma novela que dura quase um ano
A possibilidade de Cleitinho disputar o Governo de Minas não começou em 2026. Ela vem sendo construída desde novembro do ano passado, quando lideranças do Republicanos passaram a defender o nome do senador para enfrentar o grupo político que hoje comanda o Estado.

Na época, Cleitinho afirmou que decidiria sobre a candidatura em março. O prazo passou sem resposta. Em fevereiro deste ano, o senador adiou novamente qualquer definição, alegando que acompanhava o tratamento de saúde do irmão. Com o agravamento do quadro clínico, a discussão política ficou em segundo plano.

Após a morte do familiar, ocorrida na última semana, Cleitinho voltou a afirmar que precisava respeitar o período de luto antes de tomar qualquer decisão.

Em junho, antes disso, já havia adiado mais uma vez o anúncio, dizendo que esperaria o fim da Copa e das festas de São João.

Nem mesmo na convenção estadual do Republicanos houve uma resposta definitiva.

O vídeo feito com inteligência artificial
Nesta semana, após faltar à convenção, Cleitinho publicou nas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial. Nas imagens, ele aparece conversando com o pai e com o irmão falecido. Em determinado momento, diz:

“Eu tô em dúvida. Eu tô com medo.”. Na sequência, recebe palavras de incentivo.

Ao final do vídeo, o irmão entrega ao senador uma bandeira de Minas Gerais, em uma clara referência à disputa pelo Governo do Estado. A publicação foi interpretada por aliados como um sinal de que Cleitinho caminhava para aceitar a candidatura. Ainda assim, naquele momento, ele não fez nenhuma confirmação pública.

O que diz a legislação eleitoral?
Do ponto de vista jurídico, Cleitinho continua elegível. A legislação eleitoral, porém, impõe uma condição importante.

A janela partidária foi encerrada em abril, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com isso, o senador não pode mais trocar de partido para disputar a eleição deste ano.

Na prática, isso significa que ele só poderá concorrer ao Governo de Minas se o Republicanos decidir registrar sua candidatura. A legenda ainda tem prazo, previsto no calendário eleitoral, para homologar os candidatos e registrar a chapa junto à Justiça Eleitoral.

O que pode acontecer agora?
O cenário permanece aberto. De um lado, o Republicanos afirma que Cleitinho não será candidato porque nunca houve uma decisão formal do senador. Do outro, Cleitinho diz que será candidato e tenta reverter a posição da legenda.

Como não pode migrar para outro partido, o futuro político do senador passa, necessariamente, pelas próximas conversas com a direção do Republicanos.

Até que haja uma definição oficial e o registro das candidaturas seja apresentado à Justiça Eleitoral, a novela envolvendo o nome de Cleitinho continua sendo um dos principais capítulos da corrida pelo Palácio Tiradentes.

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