Programas criados para beneficiar brasileiros acabaram sendo usados como uma nova ferramenta de fraude na internet. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que grupos criminosos, incluindo integrantes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), passaram a utilizar a imagem de iniciativas do governo federal para enganar vítimas e aplicar golpes digitais.
Segundo o levantamento, os criminosos criavam páginas falsas, anúncios e canais de atendimento que imitavam serviços oficiais para atrair pessoas interessadas em benefícios, descontos e facilidades oferecidas por programas públicos.
Como funcionava o esquema?
A estratégia, segundo a auditoria, era baseada em um método conhecido de fraude digital: aproveitar a confiança que a população tem em programas conhecidos para induzir o cidadão ao erro.
Os criminosos utilizavam nomes, marcas e informações relacionadas a iniciativas do governo para criar uma aparência de legitimidade.
Entre os programas explorados estavam ações como o Desenrola Brasil, voltado para renegociação de dívidas, e o Voa Brasil, criado para ampliar o acesso de brasileiros ao transporte aéreo.
Ao acessar páginas falsas ou conversar com supostos atendentes, vítimas poderiam ser levadas a fornecer dados pessoais, informações bancárias ou realizar pagamentos.
Por que programas públicos viram alvo?
Especialistas em segurança digital explicam que programas de grande alcance costumam ser explorados por golpistas porque despertam interesse de milhões de pessoas.
Quanto maior a quantidade de brasileiros que conhecem uma iniciativa, maior é a chance de uma fraude parecer verdadeira.
O uso de nomes oficiais, logotipos semelhantes e anúncios patrocinados aumenta a sensação de confiança e dificulta que usuários identifiquem rapidamente que estão diante de uma tentativa de golpe.
O que o TCU identificou?
A auditoria apontou falhas relacionadas ao monitoramento e à proteção da imagem de programas públicos no ambiente digital.
O levantamento indicou que criminosos conseguem se aproveitar da falta de informação de parte dos usuários para divulgar ofertas falsas e direcionar vítimas para ambientes controlados pelos golpistas.
O objetivo dos ataques, segundo as informações levantadas, seria obter vantagens financeiras por meio de cobranças indevidas, captura de dados e outras práticas fraudulentas.
Como evitar cair em golpes usando programas do governo?
Alguns cuidados ajudam a identificar tentativas de fraude:
- Não acessar links recebidos por mensagens sem confirmar a origem;
- Desconfiar de pedidos de pagamento para liberar benefícios;
- Nunca informar senhas ou códigos recebidos por SMS;
- Conferir se o endereço eletrônico pertence aos canais oficiais;
- Buscar informações diretamente nos aplicativos e sites oficiais do governo.
Facções criminosas ampliam atuação no ambiente digital
O uso de golpes virtuais mostra uma mudança na forma de atuação de organizações criminosas, que passaram a explorar também ferramentas digitais para obter dinheiro e informações.
Além do tráfico e de outros crimes tradicionais, investigações têm apontado que grupos criminosos passaram a buscar novas fontes de renda por meio de fraudes financeiras, empresas de fachada e operações digitais.
Entenda o contexto
Com a popularização dos serviços digitais, golpes envolvendo nomes de bancos, empresas e órgãos públicos se tornaram cada vez mais comuns.
Criminosos costumam explorar situações em que a população está buscando algum benefício, desconto ou solução financeira.
No caso analisado pelo TCU, a preocupação é que programas federais de grande alcance tenham sido usados como “isca” para aumentar a credibilidade das fraudes e atingir um número maior de vítimas.