A Federação Brasil da Esperança (composta por PT, PV e PCdoB) protocolou uma Representação Eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e os deputados federais Gustavo Gayer e Júlia Zanatta. A ação foi distribuída ao gabinete do ministro Nunes Marques.
A coalizão acusa os alvos de promoverem um movimento articulado de desinformação contra a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro e a credibilidade da Justiça Eleitoral entre os dias 17 e 21 de julho de 2026.
O estopim e a narrativa sobre a Smartmatic
Segundo a petição, o grupo político utilizou a desclassificação de um documento de inteligência dos Estados Unidos sobre o sistema eleitoral da Venezuela para lançar dúvidas sobre as urnas brasileiras.

Início nas redes:A deputada Júlia Zanatta iniciou as publicações associando o relatório da CIA ao histórico do PT, seguida por postagens de Eduardo Bolsonaro e Gustavo Gayer, que citaram a empresa Smartmatic.
Discurso a diplomatas: O ponto culminante ocorreu na noite de 21 de julho de 2026, quando Flávio Bolsonaro discursou para diplomatas de mais de 40 países em Brasília, afirmando falsamente que urnas brasileiras teriam “a mesma origem” da empresa venezuelana Smartmatic.
Desmentido oficial: A peça jurídica destaca que o TSE já emitiu notas oficiais em quatro ocasiões (2017, 2020, 2022 e em 8 de julho de 2026) esclarecendo que a Smartmatic não fornece, produz ou programa as urnas eletrônicas do Brasil.
“Muitas dessas máquinas que são registradas para as eleições brasileiras têm a mesma origem nessa empresa venezuelana.”
— Trecho da fala de Flávio Bolsonaro citada no processo.
Pedidos de liminar e multas
A representação alega que a conduta reproduz a mesma tática utilizada por Jair Bolsonaro em 2022, que resultou em sua inelegibilidade. Diante disso, os advogados da federação requerem à Justiça Eleitoral:
Remoção Imediata: Exclusão liminar dos links e publicações das redes sociais X e YouTube;
Ordem de Abstenção: Proibição de que os representados voltem a associar a Smartmatic às urnas brasileiras ou espalhem inverdades sobre o sistema de votação;
Notificação às Plataformas: Envio de ofício a redes como Meta, X, Google/YouTube, TikTok e Rumble para conter a circulação do conteúdo;
Aplicação de Multa: Condenação de cada um dos quatro representados ao pagamento da multa máxima de R$ 30.000,00.