A morte de Ana Cecília Gonçalves Ferreira, de 8 anos, transforma em ainda mais devastadora a colisão frontal entre carro e caminhão na GO-139, no sudeste de Goiás. A menina era a única sobrevivente da família e morre após três dias internada em estado grave.
O acidente ocorre na noite de 30 de julho, entre Vianópolis e São Miguel do Passa Quatro, e agora soma cinco vítimas fatais. A tragédia mobiliza moradores da região e reacende o debate sobre imprudência, fiscalização e infraestrutura em rodovias estaduais que concentram fluxo intenso de veículos pesados.
Viagem de férias termina em tragédia
A família voltava de um culto religioso e seguia para a casa da avó das crianças, onde pretendia passar o último fim de semana das férias escolares. O destino era Vianópolis, a poucos quilômetros do ponto onde o carro colide de frente com um caminhão na GO-139, cerca de quatro quilômetros do trevo da cidade.
No veículo estavam Davi Gonçalves Oliveira, de 35 anos, a esposa Elizene Moreira da Silva, de 28, o filho dele, Deivid Gonçalves Ferreira, de 13, a pequena Ana Cecília, de 8, e a amiga da família, Thayla Izabelly Gomes de Souza, de 6 anos. Todos morrem em decorrência do acidente, além do cachorro da família, que também não resiste ao impacto.
A tia de Elizene, Simone da Silva Almeida, relata que a mãe da jovem aguardava a chegada do grupo para o jantar quando recebeu a notícia da colisão. “Não chegou, né? Aconteceu essa tragédia”, diz, resumindo o choque da família ao saber que a viagem de férias termina na rodovia.
Última vítima morre após três dias de luta
A batida deixa três ocupantes presos às ferragens, segundo o Corpo de Bombeiros de Silvânia, que atende a ocorrência. As equipes atuam no resgate em meio à escuridão da noite, enquanto ambulâncias socorrem as vítimas mais graves. Ana Cecília é retirada com vida e levada em estado crítico para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia.
Ela permanece internada por três dias, passa por atendimento intensivo e se torna símbolo de esperança para familiares e moradores de Vianópolis. A mãe, Pabline Antônio, acompanha a luta da filha à distância e usa as redes sociais para pedir orações. No domingo, porém, a notícia que ninguém queria receber é confirmada.
“Nossa Cecília se foi, o papai do céu levou ela para a glória. Meus pequenos agora viraram estrelas no céu, sempre lembrarei de vocês”, escreve Pabline, anunciando a morte da menina. O velório é marcado para esta segunda-feira, às 8h, em Vianópolis, e reúne parentes, amigos e moradores abalados pela perda das cinco vidas.
Depoimento do caminhoneiro e investigação por homicídio culposo
No caminhão que se envolve na colisão estão o motorista e o filho dele, de 5 anos. A criança sofre apenas ferimentos leves. O condutor permanece no local e, depois, se apresenta à Polícia Civil para depor sobre o que vê na rodovia antes do choque.
Segundo o delegado Kennet Carvalho, responsável pela investigação, o caminhoneiro relata que o carro da família trafegava em alta velocidade e em zigue-zague. “Quando ele identificou a possibilidade de colidir, ele jogou o veículo na contramão, mas não conseguiu evitar a colisão”, afirma o delegado, reproduzindo o depoimento oficial.
O caminhoneiro também diz ter visto latas de cerveja dentro do carro após o acidente. A informação entra na apuração policial, que corre sob a tipificação de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Os investigadores, porém, evitam apontar culpados neste momento.
“Ainda é muito prematuro para imputar a responsabilidade tanto ao motorista do caminhão quanto ao motorista do carro. Nós ainda não temos como precisar quem seria o causador do acidente”, diz Kennet Carvalho, indicando que laudos periciais e outros depoimentos ainda serão analisados.
Rodovia expõe fragilidades da segurança viária
O trecho da GO-139 onde a família perde a vida corta uma região de tráfego misto, com fluxo de moradores locais, veículos de passeio e caminhões que cruzam o sudeste de Goiás. A combinação de pista simples, circulação de veículos pesados e excesso de velocidade torna acidentes frontais mais prováveis e mais letais.
A morte de cinco pessoas de uma mesma família, incluindo três crianças de 6, 8 e 13 anos, expõe de forma dramática a vulnerabilidade de quem depende de rodovias estaduais para deslocamentos cotidianos. O caso pressiona o poder público por maior fiscalização, presença policial e melhorias estruturais, como sinalização mais clara e faixas adicionais em trechos críticos.
Na prática, o acidente gera impacto direto sobre a segurança pública e o sistema de saúde. A investigação por homicídio culposo exige tempo e recursos policiais, enquanto o atendimento prolongado de Ana Cecília, no Hugol, ilustra o custo humano e estrutural de tragédias evitáveis no trânsito.
A comunidade de Vianópolis, que esperava a família para um simples jantar de férias, agora se organiza em torno do luto. A comoção pode se transformar em pressão por campanhas educativas e ações de prevenção, sobretudo contra a combinação de velocidade, cansaço e eventual consumo de álcool ao volante.
Os próximos passos ficam nas mãos da Polícia Civil, que aguarda laudos de perícia da rodovia, do tacógrafo do caminhão e de exames nos corpos para tentar reconstruir o que antecede a colisão. A partir dessas conclusões, o Ministério Público pode propor ações criminais e civis, definindo se alguém responderá na Justiça pela morte das cinco vítimas.
Enquanto isso, a GO-139 volta à rotina de carros e caminhões, mas com uma memória recente difícil de apagar. O desfecho da investigação e eventuais mudanças na fiscalização dirão se a tragédia que levou Ana Cecília e sua família ficará restrita às estatísticas ou se ajudará a mudar, de fato, a forma como se dirige nas estradas goianas.
Quantas pessoas morreram no acidente da GO-139 e quem são as vítimas?
Cinco pessoas morrem no acidente na GO-139: o pai, Davi Gonçalves Oliveira, de 35 anos; a madrasta, Elizene Moreira da Silva, de 28; os irmãos Deivid, de 13, e Ana Cecília Gonçalves Ferreira, de 8; e a amiga da família, Thayla Izabelly Gomes de Souza, de 6 anos. O cachorro da família também não resiste.
Como está a investigação sobre a responsabilidade pela colisão?
A investigação da Polícia Civil corre sob a tipificação de homicídio culposo e ainda não aponta um responsável pela colisão frontal entre carro e caminhão na GO-139. O delegado Kennet Carvalho aguarda laudos periciais, exames e novos depoimentos para definir se houve excesso de velocidade, imprudência ou outro fator determinante no acidente.