A greve que afeta as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM vai continuar. Em assembleia realizada na noite desta terça-feira (4), o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB) rejeitou a proposta apresentada pelo Governo de São Paulo e decidiu manter a paralisação, prolongando os impactos para milhares de passageiros na Grande São Paulo.
A principal reivindicação da categoria é uma garantia formal de manutenção dos empregos dos ferroviários após o processo de concessão das linhas à iniciativa privada. Segundo o sindicato, as propostas apresentadas pelo governo não asseguram esse compromisso por escrito, motivo pelo qual os trabalhadores optaram por seguir com a mobilização.
Por que a greve foi mantida?
De acordo com o sindicato, o principal impasse continua sendo a falta de um documento oficial que garanta a preservação dos postos de trabalho dos funcionários ligados às linhas concedidas.
Os ferroviários afirmam que participaram das negociações e apresentaram alternativas, mas consideram que ainda não receberam uma proposta concreta capaz de encerrar o movimento. Por isso, decidiram manter a greve e permanecer em estado de mobilização.
O que diz o Governo de São Paulo?
O Governo de São Paulo afirma que atendeu às principais reivindicações apresentadas pela categoria durante as negociações.
Segundo a gestão estadual, foram discutidas medidas para preservar os empregos dos ferroviários, além da possibilidade de absorção de trabalhadores por outros órgãos públicos, da incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM e da inclusão dos empregados no Iamspe.
Mesmo assim, o governo lamentou a continuidade da paralisação e sustenta que manteve o diálogo aberto com os representantes dos trabalhadores.
Quais linhas seguem afetadas?
A greve atinge as linhas:
- Linha 11-Coral;
- Linha 12-Safira;
- Linha 13-Jade, incluindo o Expresso Aeroporto.
As três linhas transportam cerca de um milhão de passageiros em dias úteis, o que provoca reflexos em todo o sistema de transporte da capital e da Região Metropolitana. Durante a paralisação, parte da operação ocorre de forma reduzida, enquanto ônibus do sistema Paese foram acionados para atender alguns trechos.
Justiça determinou operação mínima
Antes do início da greve, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-2) determinou que 80% dos trabalhadores permaneçam em atividade nos horários de pico e 60% nos demais períodos.
A decisão também prevê multa diária ao sindicato em caso de descumprimento da determinação judicial. A entidade informou que pretende recorrer da medida.
O que acontece agora?
Segundo o sindicato, uma nova assembleia está prevista para as 17h desta quarta-feira (5), quando os trabalhadores deverão avaliar o andamento das negociações e decidir se a paralisação continuará ou será encerrada. Até lá, a greve segue mantida.
Entenda o contexto
A greve ocorre em meio às discussões sobre a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade à iniciativa privada. Após problemas registrados nos primeiros dias de operação da concessionária, a CPTM reassumiu temporariamente a gestão dos ramais por 90 dias.
Os ferroviários temem perder seus empregos quando a operação voltar definitivamente à concessionária e cobram garantias formais do governo estadual. Já o Executivo afirma que apresentou propostas para preservar os trabalhadores e considera que as negociações continuam abertas. Enquanto não houver acordo, a paralisação segue afetando o deslocamento de milhares de passageiros na Grande São Paulo.