PF apura R$ 11 mi na conta da esposa do senador Weverton Rocha

Ministro André Mendonça autoriza investigação sobre movimentação financeira atípica envolvendo familiares do senador Weverton Rocha.
Redação NC News
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A Polícia Federal descreve, em decisão recente do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal, um circuito financeiro que supera R$ 11 milhões em favor da conta pessoal de Samya Rocha, esposa do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Os valores, segundo o documento, saem de empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz e cruzam negócios do casal, imóveis e despesas familiares.

A apuração associa essas movimentações a suspeitas de lavagem de dinheiro e possível corrupção passiva ligada a benefícios do INSS. As conclusões ainda são provisórias, mas sustentam pedidos de busca e apreensão e afastamento de sigilo telefônico, o que pressiona o núcleo político de Weverton e sua rede de relações empresariais no Maranhão e em Brasília.

Conta de Samya vira rota de milhões

De acordo com a decisão, a PF afirma que “SAMYA teria recebido valores superiores a R$ 11.000.000,00 de empresas relacionadas a WILLER TOMAZ no período examinado”, “notadamente a sociedade ARAGÃO E TOMAZ ADVOGADOS ASSOCIADOS”. Esses repasses, em tese, não seguem um fluxo simples e aparecem pulverizados entre pessoas físicas e jurídicas.

Samya é apontada como titular de conta “considerada para recebimento de R$ 500.000,00”, frase reproduzida pelo relator ao citar trechos do relatório policial. A mesma decisão registra “transferência de R$ 250.000,00 para Samya oriunda da PETRO SÃO JOSÉ”, empresa ligada ao núcleo familiar do senador por meio da filha, Anna Catarina, que, segundo a PF, administra postos de combustíveis.

O uso da conta pessoal da esposa do senador surge em diálogos interceptados e analisados pelos investigadores. Em conversas de setembro e outubro de 2024, Weverton teria cobrado o repasse de R$ 500.000,00. A interlocutora Fayla, funcionária identificada como responsável pelo “Financeiro WT Fayla Zulmira”, primeiro informa que o valor passaria para uma pessoa jurídica. Depois, comunica a mudança de rota: “Informo que o valor já se encontra na conta PF da Dra Samya”.

Esses trechos são citados pelo ministro para ilustrar o que a PF descreve como dinâmica “não linear” dos recursos, com fragmentação, compensações e deslocamentos entre empresas, contas de familiares, pagamentos em espécie e bens em nome de terceiros.

Hipótese de lavagem e elo com o INSS

A investigação nasce da análise do celular atribuído ao senador, cruzada com dados da Operação Sem Desconto. A PF sustenta, em tese, que o dinheiro que circula na estrutura ligada a Willer Tomaz poderia ter origem em corrupção passiva no ambiente do INSS, no contexto de descontos associativos sobre benefícios previdenciários.

Segundo a representação reproduzida por André Mendonça, Weverton aparece como alguém que formularia demandas, indicaria beneficiários, cobraria pagamentos, acompanharia repasses e interferiria em decisões patrimoniais. Já Willer Tomaz é descrito como responsável por uma rede de empresas, imóveis, aeronaves, funcionários e interlocutores políticos. A PF resume essa estrutura como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” colocado, em tese, à disposição de beneficiários, entre eles o senador.

No núcleo operacional, Fayla surge como peça-chave. A PF diz que ela controla saldos, executa pagamentos, organiza entregas em dinheiro vivo e responde a pedidos diretos de Weverton. A linguagem de “saldos negativos” e “abatimentos futuros” aparece nos diálogos como sinal de uma rotina estável de provisão de recursos, e não de operações esporádicas.

No círculo familiar, o documento atribui funções específicas a cada parente. Samya é descrita como destinatária de valores e participante de tratativas sobre “imóveis, reformas e despesas do casal” por meio da Rocha Holding Patrimonial Ltda. A filha Anna Catarina administraria os postos Petro São Francisco e Petro São José. Irmãs do senador, Geyse e Shainess, são citadas como gestoras de patrimônio e possíveis canais de passagem de recursos.

Imóveis, holding e busca por documentos

O ramo imobiliário ocupa lugar central nas suspeitas. Um dos eixos é a casa no Lago Sul, em Brasília, apontada como residência de Weverton. A PF relata que o senador teria participado das negociações, em contexto em que se mencionaram R$ 4.000.000,00 como sinal e R$ 2.000.000,00 de saldo. A aquisição formal, porém, ficou em nome da WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa vinculada a Willer Tomaz, pelo valor total de R$ 6.000.000,00.

A diferença entre o registro em cartório e o suposto controle econômico é tratada como um dos focos da apuração. Para os investigadores, essa estrutura com holdings, empresas de comunicação, agropecuária e postos de combustíveis ajuda a redesenhar o caminho do dinheiro, dificultando o rastreamento da origem.

O ministro destaca, em sua decisão, que a “busca visa localizar documentos da ROCHA HOLDING, registros relativos a imóveis e reformas, comunicações com WEVERTON, FAYLA, WILLER e ANNA CATARINA”. A ordem abrange Brasília e o Maranhão e quer alcançar contratos, anotações, registros societários e imobiliários que possam confirmar ou refutar a hipótese policial.

A partir de fevereiro de 2024, a PF observa que o fluxo entre os núcleos investigados passa a circular com mais clareza por três empresas: Jota Comunicação S/A, Rocha Holding Patrimonial Ltda. e DJ Agropecuária Comércio e Prestação de Serviços Ltda. Cada uma, segundo o relatório, faria a ponte entre o grupo político de Weverton e a estrutura empresarial associada a Willer.

Medidas ainda são provisórias

Apesar dos valores expressivos e da complexidade descrita, André Mendonça ressalta que o exame é preliminar e não implica juízo de culpa. O ministro acolhe as medidas cautelares para preservar provas, mas lembra que os fatos ainda precisam ser aprofundados pela PF e, mais adiante, pelo Ministério Público e pelo próprio STF.

No caso dos escritórios de advocacia ligados a Willer Tomaz, a decisão sublinha a necessidade de cuidado para não expor outros advogados e clientes alheios às suspeitas. As buscas, segundo o relator, devem se limitar ao que tem relação com os fatos investigados, evitando uma devassa indiscriminada.

As medidas atingem também dados de localização de celulares, a partir de estações rádio-base, para reconstruir deslocamentos de investigados e conferir a coerência de versões sobre encontros e entregas. A PF trabalha com a hipótese de uso intenso de dinheiro em espécie, o que dificulta o rastreio apenas por extratos bancários.

A decisão não registra, até o momento, manifestação pública de Weverton Rocha, de Samya ou de Willer Tomaz. As defesas dos citados serão procuradas pela reportagem, e o espaço permanece aberto para esclarecimentos ou contestações. Todos os mencionados seguem com presunção de inocência e podem apresentar suas versões à Justiça e à sociedade.

Os próximos passos dependem da análise do material apreendido em endereços residenciais e empresariais. Caso os indícios se confirmem, a PF pode pedir novas diligências, oitivas formais e, em estágio posterior, eventual abertura de ação penal. A amplitude dos valores e o envolvimento de contratos públicos municipais sugerem uma investigação de longo fôlego, com impacto direto na política maranhense e em debates sobre controle de benefícios previdenciários.

O que a PF diz que Samya recebeu em sua conta?

A decisão do ministro André Mendonça relata que Samya Rocha, esposa do senador Weverton Rocha, “teria recebido valores superiores a R$ 11.000.000,00 de empresas relacionadas a Willer Tomaz”, sobretudo da Aragão e Tomaz Advogados Associados, além de transferências específicas como R$ 500.000,00 “considerada para recebimento” e R$ 250.000,00 oriundos da Petro São José.

Quais são as suspeitas centrais contra o grupo de Weverton Rocha?

A decisão no STF descreve suspeitas de lavagem de dinheiro e possível corrupção passiva ligada a descontos associativos sobre benefícios do INSS, com o senador Weverton Rocha apontado como beneficiário em tese de um circuito de recursos operado por empresas de Willer Tomaz; as hipóteses incluem uso de familiares, holdings e imóveis para ocultar origem e destino de valores.


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