Republicanos não chega a acordo com PL

Sem Republicanos, PL vê encolher o espaço de manobra na direita. A recusa da sigla mais evangélica do país em compor a chapa de Flávio Bolsonaro expõe o jogo difícil do PL em transformar capital político em aliança nacional.
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A decisão, anunciada pelo presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, frustra a estratégia do PL de ampliar o tempo de televisão em torno da candidatura do senador Flávio Bolsonaro. Na prática, também barra a cotação da economista Daniella Marques para compor a vice, nome que vinha sendo articulado como aposta de trânsito junto ao mercado financeiro.

A trajetória da sigla ajuda a entender o desfecho. A base evangélica hoje reunida no Republicanos tem raízes na aliança que levou José Alencar à vice de Lula pelo PL, partido que hospedava a bancada ligada à Igreja Universal. Somente na reeleição, já sob a sigla PRB, embrião da atual legenda, o grupo voltou a compor diretamente com o petista.

De lá para cá, o campo evangélico organizado migrou de forma acentuada para o campo bolsonarista, movimento que se intensificou nos últimos anos e segue dificultando qualquer aproximação direta entre o PT e essa base. Mesmo assim, a cúpula do partido preferiu não embarcar oficialmente na chapa de Flávio.

A decisão repete um padrão já manifestado na federação entre PP e União Brasil, também neutra na corrida nacional, e no próprio MDB, que oficializou independência e liberou diretórios estaduais para alianças conforme a realidade de cada estado.

O resultado é uma fratura territorial. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, lideranças emedebistas se aproximam do campo de Flávio e de nomes como Ronaldo Caiado. No Norte e Nordeste, o partido mantém a tradição de compor com o governo federal.

Esse comportamento não surpreende quem acompanha de perto o Centrão. MDB, União Brasil, PP e o próprio Republicanos operam mais pela lógica dos palanques estaduais do que por um projeto nacional único, e é justamente esse cálculo regional que tem pesado contra o PL na costura da chapa presidencial.

Faltou à candidatura de Flávio um trabalho de bastidores capaz de amarrar, ao mesmo tempo, o apoio das direções nacionais e das lideranças estaduais dessas siglas, hoje divididas entre si.

A resistência do Republicanos chega depois de o PP já ter recusado compor a chapa com a indicação de Tereza Cristina para a vice, outro sinal de que o entorno do PL enfrenta dificuldade em fechar arranjos que pareciam naturais em ciclos anteriores.

Soma-se a isso a exposição de lideranças do PP em investigações ligadas ao Banco Master, fator que reduz o apetite da sigla para se expor em uma aliança presidencial.

Diante desse cenário, cresce a possibilidade de o PL caminhar para outubro com uma chapa mais isolada, sem os reforços de tempo de propaganda e capilaridade que aliados como o Republicanos poderiam oferecer. É o que se chama nos bastidores de chapa “puro-sangue”, formada quase inteiramente por quadros do próprio partido.

O contraste com 2022, quando o entorno bolsonarista contava com uma coligação robusta, é evidente e tende a exigir do PL um esforço redobrado de arrecadação e articulação estadual, justamente nos lugares onde depende de aliados para viabilizar estrutura de campanha.

A leitura que se consolida entre analistas do Centrão é a de uma disputa que deve ser decidida no segundo turno, em um páreo apertado, repetindo o padrão observado quatro anos atrás.

A diferença é que, desta vez, o PL pode chegar a essa etapa decisiva com um cinturão de alianças mais estreito, obrigado a reconstruir, estado a estado, o apoio que não conseguiu consolidar em nível nacional.

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