STF investiga repasse de R$ 5 mi ligado ao senador Weverton Rocha

STF apura movimentações financeiras suspeitas envolvendo empresas e o senador Weverton Rocha.
Redação NC News
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Uma transferência de R$ 5 milhões feita pela Qualitech Engenharia Ltda. acende o alerta no Supremo Tribunal Federal e coloca sob escrutínio um circuito de empresas ligado ao senador Weverton Rocha (PDT-MA). A decisão do ministro André Mendonça aponta que o dinheiro saiu da Qualitech para a Petro São Francisco e, no mesmo dia, chegou à DJ Agropecuária, além de outros repasses para a Rocha Holding e uma empresa associada a um aliado político do senador.

O movimento financeiro, segundo a Polícia Federal, integra a hipótese de um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção passiva envolvendo agentes políticos, empresas contratadas por prefeituras do Maranhão e contratos públicos municipais. Os investigadores ainda não falam em culpa, mas tratam o fluxo de recursos como peça central de uma engrenagem que pretendem destrinchar com buscas, quebras de sigilo telefônico e rastreamento bancário.

Rota de R$ 5 milhões e elo com Frederico Campos

No centro do novo foco de interesse está a Qualitech Engenharia. De acordo com a petição 16.435, relatada por Mendonça, a empresa “teria transferido R$ 5.000.000,00 à Petro São Francisco”, que, no mesmo dia, repassou igual quantia à DJ Agropecuária. A DJ já aparece, no inquérito, como destinatária recorrente de valores expressivos.

O ministro registra que outros ingressos na conta da Qualitech foram seguidos de saídas para a Rocha Holding, tratada nos diálogos como instrumento para movimentar valores de interesse de Weverton, e para uma empresa ligada a Erlânio, aliado político do senador. A PF vê nesse encadeamento uma dinâmica de fragmentação e deslocamento de dinheiro por diferentes pessoas e CNPJs, típica, em tese, de operações usadas para ocultar origem e beneficiários.

O empresário Frederico de Abreu Silva Campos entra no caso por sua vinculação à Qualitech Engenharia. O nome dele é citado expressamente na decisão, que o inclui no rol de alvos de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal. Mendonça ressalta que “é preciso esclarecer a origem, lastro contratual e finalidade dos repasses da Qualitech”, sem cravar que haja irregularidade comprovada.

Weverton no centro da engrenagem em apuração

A apuração nasce da análise do celular atribuído a Weverton Rocha, apreendido em fase anterior da investigação. “A investigação foi instaurada a partir de elementos extraídos do aparelho celular atribuído ao Senador Weverton Rocha”, registra o documento do STF. Esses dados foram cruzados com informações de uma operação prévia da PF, batizada de Sem Desconto.

Os investigadores sustentam que o material telemático revela um quadro mais amplo, com circulação intensa de valores entre pessoas físicas e jurídicas, pagamentos em espécie, despesas pessoais, contratos de mútuo e aquisição de imóveis, veículos, aeronaves e propriedades rurais. Partes relevantes dessa movimentação, segundo a PF, passam por empresas de construção civil e por sociedades contratadas por prefeituras maranhenses.

Nesse arranjo, a Polícia Federal atribui a Weverton o papel de formulador de demandas, indicação de beneficiários, cobrança e acompanhamento de repasses, além de interferência em decisões patrimoniais envolvendo imóveis e outros bens. O advogado Willer Tomaz de Souza é descrito como peça de sustentação, ligado a empresas, imóveis, aeronaves e operadores financeiros. A PF afirma que a estrutura sob influência de Willer funcionaria como “verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” colocado à disposição de beneficiários, entre eles o senador.

Empresas da família e contratos públicos sob lupa

A partir de fevereiro do ano passado, a PF diz observar que a movimentação entre os núcleos da suposta lavagem passa a circular de forma mais visível por três empresas: Jota Comunicação S/A, Rocha Holding Patrimonial Ltda. e DJ Agropecuária. A Jota é descrita como elo entre o núcleo familiar de Weverton e o grupo de Willer. A Rocha Holding, como veículo para valores ligados ao senador. A DJ, como destino recorrente de repasses.

Os investigadores apontam também o envolvimento de familiares do parlamentar na administração de negócios. A filha de Weverton aparece como responsável pela gestão operacional e financeira dos postos Petro São Francisco e Petro São José. Um dos imóveis associados ao esquema fica no Lago Sul, área nobre de Brasília, e é tido como residência do senador, embora esteja formalmente registrado em nome de uma empresa ligada a Willer Tomaz. Essa dissociação entre titularidade e domínio econômico é tratada como um dos pontos-chave da apuração.

A PF afirma que parte do dinheiro que alimenta esse circuito teria origem em contratos do INSS relacionados a descontos em benefícios previdenciários, sob suspeita de corrupção passiva, e em contratos de empresas com prefeituras do Maranhão. Nada disso, porém, está confirmado em sentença. A decisão de Mendonça sublinha o caráter provisório da análise e rejeita qualquer leitura de antecipação de culpa.

Buscas, sigilos e efeitos políticos

Para avançar sobre o caminho do dinheiro, o STF autoriza mandados de busca e apreensão contra Frederico de Abreu Campos e outros investigados, além do afastamento do sigilo de dados telefônicos, limitado à localização por antenas de celular. A Corte busca mapear deslocamentos, encontros e eventuais entregas em espécie que possam cruzar com as movimentações bancárias já identificadas.

As medidas atingem empresas de engenharia, postos de combustíveis, holdings patrimoniais e a DJ Agropecuária, que, na avaliação da PF, ocupa papel central na etapa final do fluxo financeiro. A defesa dos citados ainda não se manifesta publicamente sobre a nova decisão. As equipes jurídicas são procuradas pela reportagem, e o espaço permanece aberto para versões, explicações e apresentação de contratos que, em tese, justifiquem os repasses.

No plano político, o caso pressiona o grupo de Weverton no Maranhão, especialmente prefeitos e ex-gestores associados às empresas sob suspeita. O aumento do escrutínio sobre contratos e aditivos tende a impactar o dia a dia de prefeituras e o ambiente de negócios para empreiteiras que operam na região. No curto prazo, o avanço das diligências pode resultar em bloqueios de bens, restrições contratuais e eventual apresentação de denúncias pelo Ministério Público, caso os indícios se consolidem.

A investigação segue em fase de coleta de provas. O futuro do caso depende do que as buscas, os dados telefônicos e a análise dos contratos da Qualitech e das demais empresas tragam à tona. O Supremo reforça que a apuração não equivale a condenação e que o inquérito pode ser arquivado, ampliado ou desdobrado em ações penais, a depender do conjunto de evidências que emergir nos próximos meses.

O que envolve a investigação sobre a Qualitech Engenharia?

A investigação no STF envolve a Qualitech Engenharia Ltda. por repasses de R$ 5 milhões à Petro São Francisco, que no mesmo dia transferiu igual valor à DJ Agropecuária, além de outros envios para a Rocha Holding e empresa ligada a Erlânio, em hipótese de lavagem de dinheiro e corrupção passiva ainda em apuração.

Qual é o papel de Weverton Rocha e de Willer Tomaz no caso?

O senador Weverton Rocha é apontado pela Polícia Federal como possível articulador de demandas, indicações de beneficiários e decisões patrimoniais, enquanto o advogado Willer Tomaz de Souza é descrito como operador de uma estrutura que funcionaria como “hub financeiro, patrimonial e logístico”; ambos são investigados, sem condenação ou culpa estabelecida até agora.


A investigação está em andamento e as suspeitas descritas são hipóteses da apuração. Nenhuma das pessoas citadas foi denunciada ou condenada, e todas têm direito à presunção de inocência. O espaço segue aberto para manifestação das defesas.

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