STF mira casa de R$ 6 mi ligada ao senador Weverton em Brasília

Ministro André Mendonça autoriza investigação da PF em imóvel de alto valor no Lago Sul ligado a senador.
Redação NC News
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O Supremo Tribunal Federal coloca no centro de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro um imóvel de alto padrão no Lago Sul, em Brasília, avaliado em R$ 6 milhões e apontado como residência do senador Weverton Rocha Marques de Sousa. A decisão, assinada pelo ministro André Mendonça, descreve que a casa foi comprada formalmente por uma empresa ligada ao advogado e empresário Willer Tomaz de Souza, em contexto de apuração sobre possível corrupção passiva no INSS.

Casa no Lago Sul vira eixo da apuração

O imóvel fica na SHIS QI 09, Conjunto 19, Casa 05, uma das áreas mais valorizadas de Brasília. De acordo com a petição 16.435, a Polícia Federal aponta o endereço como “residência de Weverton” e sustenta que o senador participa das tratativas para a compra do bem.

O documento relata negociações em que são mencionados R$ 4.000.000,00 como sinal e R$ 2.000.000,00 como saldo, somando os R$ 6.000.000,00 declarados. A decisão registra que, “nada obstante” essa participação atribuída ao parlamentar, a aquisição formal é feita em abril de 2023 pela WT Administração de Imóveis e Bens S/A, sociedade vinculada a Willer Tomaz.

Segundo o texto assinado por Mendonça, a “dissociação entre a titularidade registral e o alegado domínio econômico” do imóvel se torna um dos pontos centrais da investigação. Em termos práticos, a PF tenta entender quem, em tese, manda e vive na casa e quem efetivamente aparece nos registros do cartório.

Ligação com Operação Sem Desconto e rota do dinheiro

A investigação nasce de dados extraídos do celular atribuído a Weverton Rocha e cruzados com informações da Operação Sem Desconto. Essa operação apura, em tese, possível corrupção passiva no âmbito do INSS, ligada a descontos associativos sobre benefícios previdenciários e à atuação política do senador nesse ambiente.

De acordo com a decisão, a PF enxerga um quadro financeiro “mais amplo”. O material analisado apontaria circulação de valores entre pessoas físicas e jurídicas, uso de dinheiro em espécie, pagamento de despesas pessoais e familiares, além da aquisição ou uso de bens em nome de terceiros e investimentos em imóveis, veículos, aeronaves, propriedades rurais e empresas de radiodifusão.

O relatório policial afirma que os recursos não seguiriam um caminho único entre a suposta infração antecedente, o beneficiário e o ativo final. Em vez disso, seriam fragmentados e deslocados por empresas diferentes, contas pessoais e familiares, operadores financeiros, contratos de mútuo, depósitos em espécie e bens registrados em nome de outras pessoas ou sociedades.

Estrutura atribuída a Willer Tomaz e empresas ligadas

No desenho traçado pela PF e reproduzido por Mendonça, Weverton Rocha aparece como responsável por “formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais”. Já Willer Tomaz é descrito como personagem de sustentação, associado a empresas, imóveis, aeronaves, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos.

A própria PF define, segundo a decisão, que a estrutura ligada a Willer funcionaria como “verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” colocado à disposição de beneficiários, entre os quais estaria o senador. É nesse contexto que surge a WT Administração de Imóveis e Bens S/A, compradora formal da casa do Lago Sul por R$ 6.000.000,00.

O documento cita ainda que, a partir de fevereiro de 2024, as movimentações suspeitas passam a aparecer com mais nitidez em contas relacionadas a três empresas: Jota Comunicação S/A, Rocha Holding Patrimonial Ltda. e DJ Agropecuária Comércio e Prestação de Serviços Ltda. A PF vê a Jota Comunicação como um elo entre o núcleo familiar de Weverton e a estrutura associada a Willer, a Rocha Holding como instrumento para movimentar valores de interesse do senador, e a DJ Agropecuária como destinatária de recursos.

Medidas de busca e sigilo telefônico

Para avançar sobre esse mapa patrimonial e financeiro, a PF pediu ao Supremo medidas de busca e apreensão e o afastamento do sigilo de dados telefônicos, limitado à localização por Estações Rádio-Base (ERBs). O alvo direto são Willer Tomaz, a sociedade Aragão e Tomaz Advogados Associados e outras oito pessoas físicas, suspeitas de participação em atos de lavagem de capitais dos quais o senador seria beneficiário.

A decisão ressalta que o exame é provisório e não implica qualquer juízo definitivo sobre culpa. Mendonça destaca que as medidas têm caráter cautelar e servem para colher provas sobre as hipóteses apresentadas pela PF, entre elas a de que a casa do Lago Sul e outros ativos de alto valor possam ter sido usados para ocultar patrimônio.

O texto ressalta ainda preocupações específicas quando o alvo são escritórios de advocacia, para evitar o alcance indevido a outros profissionais e clientes que não tenham ligação com os fatos investigados. O ministro enfatiza a necessidade de limitar a busca ao que for estritamente relacionado às suspeitas descritas na petição.

Impacto político e próximos passos

A investigação no Supremo atinge diretamente a imagem e a atuação de Weverton Rocha no Congresso. A suspeita, ainda em apuração, de que um imóvel de R$ 6 milhões, usado como sua residência, esteja registrado em nome de uma empresa ligada a Willer Tomaz amplia a pressão por explicações sobre a origem e o controle desse patrimônio.

No plano econômico, empresas voltadas à administração de bens, comunicação, agropecuária e holdings familiares entram no radar, em meio à análise de movimentações fragmentadas e pagamentos em espécie. O caso tende a reforçar exigências de controle sobre operações consideradas atípicas e a atuação de intermediários financeiros e societários.

A defesa de Weverton Rocha e de Willer Tomaz ainda não se manifesta no processo descrito, e os citados têm direito à presunção de inocência. A reportagem procura as defesas e mantém espaço aberto para posicionamentos. Caberá agora ao ministro André Mendonça decidir sobre o alcance concreto das buscas e do acesso a dados telefônicos e, mais adiante, avaliar se os elementos reunidos justificam a abertura de ações penais ou o arquivamento das suspeitas.

O andamento da petição 16.435 permanece sob forte acompanhamento no meio político e jurídico. O desfecho sobre a casa do Lago Sul e demais ativos investigados pode influenciar debates sobre transparência patrimonial, regras de prevenção à lavagem de dinheiro e a relação entre operadores privados e mandatos parlamentares.

O que está em jogo na investigação sobre a casa de R$ 6 milhões ligada a Weverton Rocha?

A investigação na petição 16.435 do STF coloca em foco o imóvel de R$ 6.000.000,00 no Lago Sul apontado como residência de Weverton Rocha, mas registrado em empresa ligada a Willer Tomaz, porque a decisão de André Mendonça vê possível “dissociação” entre o dono formal e o beneficiário econômico, em apuração de lavagem e corrupção passiva ligada ao INSS.

Quem comprou formalmente o imóvel e por que isso levanta suspeitas?

O imóvel na SHIS QI 09, Conjunto 19, Casa 05, é comprado formalmente em abril de 2023 pela WT Administração de Imóveis e Bens S/A, sociedade vinculada a Willer Tomaz, enquanto a PF aponta o endereço como residência de Weverton Rocha, o que leva o STF a tratar a diferença entre registro e uso do bem como possível indício de ocultação patrimonial.

Quais medidas o STF autoriza para aprofundar a apuração sobre o caso?

A decisão de André Mendonça atende à PF ao autorizar medidas de busca e apreensão e o afastamento de sigilo de dados telefônicos, restrito à localização por Estações Rádio-Base (ERBs), contra Willer Tomaz, o escritório Aragão e Tomaz Advogados Associados e outras oito pessoas, com o objetivo de rastrear fluxos financeiros e vínculos com o imóvel e demais ativos investigados.


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