O senador Flávio Bolsonaro (PL) bateu o martelo e anunciou oficialmente o ex-promotor de Justiça Alfredo Gaspar (PL) como seu candidato a vice-presidente da República. A decisão aconteceu na manhã desta quarta-feira, 5, em Brasília, e consolida uma chapa “puro-sangue” na disputa pelo Palácio do Planalto. Ao escolher Gaspar, Flávio tentar invadir o reduto eleitoral histórico da esquerda no Nordeste e compensar a falta de apoio formal de grandes caciques do Centrão.
Durante o evento de anúncio, Flávio minimizou a ausência de alianças com legendas de peso, como Republicanos, PP e União Brasil. Para demonstrar capilaridade, o candidato destacou que possui o apoio prático e informal das principais vitrines políticas do país.
Ele citou nominalmente o empenho do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e do secretário de Segurança Guilherme Derrite (PP), sugerindo que os melhores quadros dessas siglas já caminham ao seu lado independentemente da burocracia partidária.
O perfil do escolhido: por que Alfredo Gaspar?
O anúncio do vice foi construído sob uma narrativa de combate implacável ao crime e à corrupção. Flávio apresentou Gaspar como a peça-chave para levar prosperidade e infraestrutura ao eleitorado nordestino.
Para facilitar o entendimento, veja os 4 pilares que motivaram a escolha do novo vice:
- Linha-dura na Segurança: Ex-promotor e ex-chefe do Ministério Público estadual, com histórico de combate direto a facções criminosas.
- Atuação em CPI: Forte participação na CPI do INSS, onde defendeu os recursos dos aposentados.
- Algoz da família Lula: Foi o responsável por pedir a prisão de “Lulinha”, filho do presidente, o que atende ao anseio da base mais radical do partido.
- Sotaque Nordestino: Estratégia geopolítica vital para tentar equilibrar a balança de votos na região que costuma decidir as eleições presidenciais.

Foco nas mulheres e “economia do cuidado”
Além da pauta de segurança pública — onde prometeu tolerância zero contra traficantes e milicianos que aterrorizam famílias —, o candidato do PL dedicou boa parte do discurso a propostas voltadas ao público feminino.
Flávio prometeu implantar o que chamou de “o maior programa de proteção e autonomia financeira” para as mulheres. Ele destacou a importância da “economia do cuidado”, ressaltando que o trabalho invisível de cuidar de idosos, filhos e da casa representa bilhões do PIB nacional que nunca foram devidamente reconhecidos pelo Estado.
Ataques fulminantes ao governo
O tom do lançamento da chapa subiu quando o assunto foi o atual governo. Sem poupar adjetivos, Flávio Bolsonaro associou a gestão do presidente Lula a um cenário de degradação moral e desvios milionários, citando nominalmente as suspeitas de corrupção envolvendo a Previdência Social.
“A corrupção, o desvio, o roubo dos aposentados do INSS entrou no gabinete do Lula. O seu Marcola, o próprio Marcola do Lula, está aí sendo acusado de receber dinheiro que provavelmente veio do desvio do INSS. Talvez a coisa mais hedionda das últimas décadas”, disparou o candidato.
Para selar o anúncio e inflamar a militância presente, Flávio encerrou seu discurso com uma indireta clássica aos escândalos políticos do passado.
“A pessoa que tem que ser o meu vice é aquele vice que não volta para a cena do crime e dá a mão para o criminoso. Tenho muita honra de anunciar Alfredo Gaspar”, concluiu.
Reportagem feita por Celso Costa Júnior com colaboração da repórter Maria Paula Meira.