O Ibovespa fecha esta sexta-feira em queda de 1,65%, aos 172.652,59 pontos, pressionado por balanços fracos de grandes varejistas, enquanto o dólar recua 0,50%, cotado a R$ 5,08.
Varejo pesa e realização em Petrobras inverte o sinal da bolsa
O pregão começa com leve alta na B3, mas o humor vira ainda na manhã, à medida que saem balanços do segundo trimestre e se consolida a leitura de resultados mistos. O setor de varejo, já fragilizado pelo crédito caro, volta ao centro das preocupações e derruba o principal índice da bolsa brasileira.
Lojas Renner desaba cerca de 12% após reportar lucro líquido estável de R$ 404,6 milhões e, sobretudo, cortar a projeção de crescimento da receita líquida neste ano, de 9%-13% para 4%-8%. O ajuste frustra quem contava com uma retomada mais firme do consumo e reaviva dúvidas sobre a capacidade de o varejo reagir mesmo com a queda gradual da Selic para 14% ao ano.
O presidente da companhia, Fabio Faccio, cita o impacto do Mundial de Seleções sobre o fluxo de clientes como um fator relevante para o desempenho recente. “Historicamente, é uma coisa que já acontece, mas acontecia muito concentrado nos dias de jogos do Brasil. Dessa vez foi muito diferente, a redução do fluxo aconteceu durante todo o evento”, afirma.
As ações da Magazine Luiza acompanham o mau humor e recuam cerca de 6%, depois de a companhia voltar ao vermelho. O prejuízo líquido ajustado no trimestre atinge R$ 50,4 milhões, revertendo lucro modesto obtido um ano antes, com queda de 2,6% na receita líquida. O número reforça a percepção de que a recuperação do varejo físico e online ocorre de forma desigual.
Entre as empresas ligadas ao consumo, as quedas se somam a dados ainda duros de renda e endividamento das famílias, o que alimenta a leitura de que o corte de juros, embora bem-vindo, não basta para reanimar de imediato as vendas. Analistas revisam projeções e falam em uma segunda metade do ano mais seletiva para ações do segmento.
Saúde e petróleo destoam, mas não salvam o índice
No lado positivo, o grupo de medicina diagnóstica Fleury oferece um contraponto ao pessimismo. A empresa apresenta lucro líquido de R$ 221,9 milhões no segundo trimestre, alta de 45,7%, e vê suas ações dispararem até 14% ao longo do dia. O balanço, considerado robusto por analistas, sustenta a visão do setor de saúde como porto relativamente seguro na bolsa.
A Petrobras, por sua vez, divulga lucro líquido recorde de R$ 52,4 bilhões, alta de 96,8% em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionada pela combinação de preços internacionais mais altos, maior produção e aumento das exportações. O petróleo tipo Brent opera perto de US$ 83,60 o barril, apoiado em tensões no Estreito de Ormuz e incertezas sobre negociações entre Estados Unidos e Irã.
Apesar do resultado histórico, as ações da estatal escorregam cerca de 0,5%, em um movimento clássico de realização de lucros após a forte alta recente. “Estamos operacionalmente muito bem”, afirma o diretor financeiro, Fernando Melgarejo, em conferência com analistas. A fala reforça a mensagem de estabilidade operacional, mas não impede investidores de embolsar ganhos em meio ao aumento da volatilidade global.
Outras companhias também repercutem seus números. A farmacêutica Hypera avança ao longo do dia, ainda que reduza o ímpeto inicial, sustentada pela aprovação do preço de sua semaglutida injetável, Semavy, pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. “Com a definição do preço pela CMED, a Hypera avança para as etapas finais de produção, distribuição e abastecimento da cadeia, com previsão de disponibilizar o medicamento nas farmácias brasileiras até o final de setembro”, diz a empresa em nota.
No conjunto, porém, a fotografia corporativa mostra um mercado ainda dividido entre histórias de crescimento consistente e empresas que lutam para proteger margens e vendas em um ambiente de custos pressionados e demanda irregular.
Dólar cede com payroll mais fraco e expectativa sobre Fed
No câmbio, o dólar comercial cai 0,50% e encerra a sessão a R$ 5,08, após oscilar entre R$ 5,074 na mínima e R$ 5,104 na máxima do dia. O movimento segue a reação global ao relatório de emprego dos Estados Unidos, o chamado payroll, que surpreende ao apontar fechamento de 23 mil vagas em julho.
A taxa de desemprego americana recua para 4,1%, mas a criação líquida negativa pesa mais na leitura de mercado. A combinação sugere uma desaceleração gradual, sem colapso da atividade, e reduz a urgência de uma política monetária mais dura pelo banco central americano.
“A leitura do mercado é que uma economia criando menos empregos reduz o risco de superaquecimento e, consequentemente, diminui a necessidade de uma política monetária mais restritiva por parte do Federal Reserve”, resume William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue. Menos juros nos EUA significam, em tese, um dólar menos atraente para investidores globais.
O real se beneficia desse cenário, ainda que a cotação siga em patamar elevado, ao redor de R$ 5,08. A valorização da moeda brasileira alivia custos de importadores e de empresas com dívidas em dólar, mas incomoda exportadores e setores que competem com produtos estrangeiros, mais baratos com o câmbio mais fraco.
O recuo da moeda americana ocorre em paralelo ao corte da Selic para 14% ao ano, decidido por unanimidade pelo Banco Central. A combinação de juros ainda altos no Brasil e perspectiva de estabilidade ou queda das taxas nos Estados Unidos mantém atrativo o chamado carrego, o ganho na diferença de juros para quem investe em reais.
PEC do 6×1, juros e volatilidade à frente
No campo político, investidores monitoram a disputa em torno da PEC que pretende extinguir a escala de trabalho 6×1. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirma que ainda não há acordo fechado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para destravar a proposta.
“Não houve nenhum compromisso firmado. Esperamos que esse compromisso seja feito nas próximas semanas”, diz Boulos. Ele fala em duas semanas de esforço concentrado no Congresso antes das eleições e cita mobilizações sociais em defesa da PEC em todas as capitais, previstas para o dia 10 de agosto.
A medida é vista por parte do mercado como potencial fator de aumento de custos trabalhistas em setores intensivos em mão de obra, como comércio e serviços, já sob pressão. A falta de definição mantém o cenário nebuloso para empresas que dependem de jornadas flexíveis, justamente em um momento de ajuste fino de margens.
Nas próximas sessões, a bolsa tende a seguir sensível à bateria de balanços do segundo trimestre e a novos indicadores nos Estados Unidos, em especial dados de inflação e discursos de dirigentes do Federal Reserve. No Brasil, a atenção se volta à comunicação do Banco Central sobre os próximos passos da Selic e ao andamento da agenda trabalhista no Congresso.
A B3 encerra a semana exibindo um Ibovespa pressionado por varejo e consumo, um dólar em acomodação e um investidor mais seletivo, que cobra lucros consistentes e maior previsibilidade regulatória antes de voltar com força para ativos de risco.
Qual foi o fechamento do Ibovespa hoje?
O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, fecha hoje em 172.652,59 pontos, com queda de 1,65% em relação ao pregão anterior, refletindo sobretudo a forte desvalorização das ações de varejistas como Lojas Renner e Magazine Luiza e a realização de lucros em papéis de grandes blue chips.
Como ficou o dólar em relação ao real hoje?
O dólar comercial encerra o dia cotado a R$ 5,08, queda de 0,50% em relação ao fechamento anterior, acompanhando o movimento global após o payroll dos Estados Unidos indicar fechamento de 23 mil vagas em julho e reforçar a expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve no curto prazo.
Por que o Ibovespa caiu no fechamento de hoje?
O Ibovespa cai 1,65% hoje principalmente por causa dos balanços fracos de grandes varejistas, como Lojas Renner, que cortou projeções e desabou cerca de 12%, e Magazine Luiza, que voltou ao prejuízo, somados à realização de lucros em Petrobras, mesmo com lucro recorde, o que derrubou o humor geral na B3.
Qual é o valor do Ibovespa em dólar hoje?
O Ibovespa em dólares hoje gira ao redor de 33,99 mil pontos, obtido dividindo os 172.652,59 pontos do índice pelo dólar a R$ 5,08, o que dá uma referência aproximada para o investidor estrangeiro que acompanha o desempenho da bolsa brasileira em moeda forte e compara com outros mercados globais.
Como o desempenho do dólar impactou o Ibovespa no fechamento?
O dólar mais fraco, cotado hoje a R$ 5,08 após cair 0,50%, alivia custos de empresas endividadas em moeda estrangeira, mas não impede a queda de 1,65% do Ibovespa, já que o índice é dominado por fatores microeconômicos, como balanços corporativos e revisões de projeções, e por ajustes de posições em grandes blue chips.
Quais setores influenciaram o desempenho do Ibovespa no fechamento de hoje?
O setor de varejo e consumo lidera a pressão negativa sobre o Ibovespa hoje, com quedas fortes de Lojas Renner e Magazine Luiza, enquanto saúde, com o bom resultado do Fleury, e petróleo, com lucro recorde da Petrobras, ajudam a limitar perdas, mas não evitam a baixa de 1,65% do índice na B3.