Anunciado nesta quarta-feira (5) como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) está na mira dos órgãos de controle. O Tribunal de Contas da União (TCU) instaurou, em abril de 2026, uma auditoria para investigar a destinação de R$ 6 milhões em recursos públicos enviados pelo parlamentar ao município de São José da Laje, em Alagoas.
Análises técnicas da Controladoria Geral da União (CGU) identificaram indícios de irregularidades em três repasses efetuados por Gaspar entre julho e dezembro de 2024. A verba foi enviada por meio de “transferência especial”, modalidade conhecida como “emenda Pix”, que permite a liberação direta de recursos federais para estados e municípios sem a necessidade de convênios tradicionais.
Posicionamento da defesa e responsabilidade do repasse
Diante das suspeitas, a defesa de Alfredo Gaspar afirmou que todas as suas ações ocorreram dentro da legalidade. Segundo o parlamentar, o envio atendeu a um pedido do primeiro suplente Rodrigo Valença, ex-prefeito da cidade, visando atender às demandas da população local.
Em nota oficial divulgada na época , a assessoria do deputado destacou a tramitação dos recursos e a divisão de atribuições com o município:
“Os valores foram regularmente destinados ao município de São José da Laje, após a apresentação de um plano de trabalho, cabendo à prefeitura a responsabilidade pela execução e correta aplicação dos recursos. O parlamentar confia no trabalho do Tribunal de Contas da União e reafirma a importância da fiscalização rigorosa”.
Desdobramento e fiscalização nacional
A apuração faz parte de um cerco mais amplo. O TCU concluiu recentemente a fase inicial de uma auditoria nacional sobre o uso das emendas Pix, compartilhando os dados com as autoridades competentes para desdobramento nas esferas administrativa, civil e criminal.
A definição sobre eventuais responsabilizações jurídicas caberá aos próximos passos de órgãos como a Polícia Federal (PF), a Procuradoria Geral da República (PGR), a CGU, o Supremo Tribunal Federal (STF) e os processos de tomada de contas do próprio tribunal.