CBF divulga áudios do VAR sobre expulsões em Vitória x Palmeiras

Revelados os áudios do VAR que detalham as decisões de expulsão durante o confronto entre Vitória e Palmeiras.
Redação NC News
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A CBF torna públicos os áudios do VAR que embasam as expulsões de Cacá, do Vitória, e Luan Cândido, do Palmeiras, em um dos jogos mais contestados do Brasileirão. As gravações revelam a interpretação da equipe de arbitragem para lances classificados como uso de força excessiva e gesto ofensivo.

Como o VAR chegou ao cartão vermelho para Cacá

Na parte final do primeiro tempo, o zagueiro Cacá trava disputa com Arias, meia do Palmeiras, em lance inicialmente punido apenas com falta. O jogo segue tenso em Salvador, até que o árbitro de vídeo Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira identifica possível entrada violenta.

O áudio divulgado mostra o VAR descrevendo, passo a passo, o que vê nas imagens. “O atacante joga a bola e depois ele (Cacá) acerta. Pega na altura da perna, alto, vou recomendar revisão para cartão vermelho”, afirma Marco Aurelio, já convencido de que o lance foge do padrão de disputa normal.

Na sequência, ele reforça a gravidade do movimento. “Vou recomendar a revisão para um possível cartão vermelho por jogo brusco grave. O jogador que vai dar o carrinho não acerta a bola e com as travas da chuteira acerta na altura da panturrilha do seu adversário com intensidade alta”, descreve, enquanto o árbitro de campo Alex Gomes Stefano se dirige ao monitor.

As imagens mostram Cacá chegando atrasado, com a sola da chuteira exposta, atingindo a perna do palmeirense. Depois de rever o lance de diferentes ângulos, Alex confirma a indicação de expulsão. “Toca na bola, acerta bem acima do tornozelo, perna em riste… vou voltar com cartão vermelho para o número 25 por jogo brusco grave. As travas atingiram a canela do seu adversário, com a perna em riste, com força excessiva”, diz o árbitro, antes de mostrar o cartão.

Gestos, nova expulsão e revolta em campo

A decisão contra Cacá acende o clima no Barradão e cerca a arbitragem de protestos. Jogadores do Vitória cercam Alex Gomes Stefano e reclamam não apenas do vermelho, mas de um lance anterior envolvendo Maurício, meia do Palmeiras, que acerta o braço no queixo de Cacá e abre um corte no defensor.

No tumulto, o zagueiro Luan Cândido, do Palmeiras, faz o gesto de mão na frente do peito, simulando roubo, em direção à equipe de arbitragem. O ato não passa despercebido pelo árbitro de campo, que recebe confirmação pelo vídeo. “Gesto de roubo nitidamente. Número 36 tá em jogo, correto?”, questiona Alex, antes de também mostrar o vermelho para o palmeirense.

A Comissão de Arbitragem da CBF endossa as duas decisões. Em nota técnica, classifica o lance de Cacá como “entrada com uso de força excessiva, atingindo com a sola da chuteira a perna do adversário”, enquadrada como jogo brusco grave, que exige expulsão direta. No caso de Luan Cândido, a comissão considera o gesto ofensivo à arbitragem motivo suficiente para cartão vermelho imediato.

A divulgação dos áudios, porém, não encerra a polêmica. A principal queixa do Vitória recai sobre a não intervenção do VAR no choque entre Maurício e Cacá. O zagueiro baiano deixa o gramado com um corte no rosto e precisa levar cinco pontos, mas o vídeo não chama o árbitro ao monitor. Para o clube, o critério parece incoerente.

Transparência, pressão e impacto esportivo

Com dois jogadores expulsos ainda no primeiro tempo, o cenário da partida muda de forma radical. O Vitória se vê em desvantagem numérica diante de um Palmeiras que já lidera o Campeonato Brasileiro com folga. O time paulista aproveita o espaço, controla o ritmo e constrói uma vitória por 4 a 0, com gols de Maurício, Fabiano (contra), Jhon Arias e Ramon Sosa.

O resultado mantém o Palmeiras disparado na liderança, com 47 pontos, contra 39 do Flamengo, e amplia a sensação de que qualquer detalhe disciplinar pesa demais na disputa pelo título. Para o Vitória, que luta na parte de baixo da tabela, os dois cartões no primeiro tempo atravessam a análise da derrota e alimentam discurso de indignação.

No campo institucional, a CBF reforça a aposta na exposição das comunicações de vídeo em jogos de alto impacto. Os áudios de Vitória x Palmeiras seguem a mesma linha de outras partidas com lances decisivos e polêmicos, em uma tentativa de reduzir a desconfiança em torno do VAR e blindar a arbitragem de ataques públicos.

A estratégia interessa diretamente aos clubes. Dirigentes e comissões técnicas passam a ter material concreto para estudar o padrão de interpretação dos árbitros, sobretudo em lances de jogo brusco grave e de desrespeito à equipe de campo. Jogadores, por sua vez, recebem um recado claro: entradas com sola na altura da canela e gestos que sugerem roubo tendem a ser enquadrados com rigor máximo.

Arbitragem em xeque e próximos capítulos

O efeito colateral é o aumento da pressão sobre cada decisão. Com as falas de VAR e árbitro expostas, qualquer divergência de critério entre jogos vira munição para clubes, comentaristas e torcedores. A não revisão do lance de Maurício vira símbolo dessa cobrança: por que um contato que causa corte e cinco pontos não merece ao menos checagem com potencial de cartão?

Especialistas em arbitragem defendem que a divulgação dos áudios ajuda a explicar o raciocínio de quem apita, mas não elimina o componente subjetivo. O conceito de “força excessiva” e de “jogo brusco grave” continua aberto a interpretações, mesmo com as imagens em alta definição e o recurso do replay.

A Comissão de Arbitragem, porém, aposta na continuidade da prática. A tendência é que decisões de grande impacto, como expulsões diretas, pênaltis em jogos decisivos e lances de possível agressão, sigam acompanhadas de divulgação de áudio em até poucos dias depois da partida. A expectativa é que, com o tempo, jogadores se adequem a um ambiente menos tolerante a entradas temerárias e gestos contra a arbitragem.

Para Vitória e Palmeiras, o jogo fica como estudo de caso. O clube baiano deve seguir cobrando critérios mais uniformes do VAR, enquanto o líder do campeonato avalia como administrar partidas em que perde peça importante logo no primeiro tempo. Em campo e fora dele, os 90 minutos em Salvador reforçam que, no Brasileirão, as decisões do vídeo hoje valem tanto quanto um gol.

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