Uma operação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) revelou um esquema milionário de fraude eletrônica em Juiz de Fora, na Zona da Mata. A ação, chamada de Operação Curto-Circuito, foi realizada nesta quarta-feira (5) e investiga um grupo suspeito de movimentar cerca de R$ 14,5 milhões por meio de transações consideradas fraudulentas.
Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão. As investigações apontam que o prejuízo causado à instituição de pagamentos envolvida ultrapassa R$ 7 milhões.
Suspeitos teriam criado ciclo de dinheiro falso
Segundo o MPMG, o grupo investigado seria formado por pessoas do mesmo núcleo familiar e empresarial. A suspeita é de que os envolvidos tenham utilizado uma empresa de meios de pagamento controlada por eles para criar operações comerciais fictícias.
O esquema funcionaria por meio de cartões emitidos pela própria empresa dos investigados. As transações eram realizadas em máquinas de pagamento como se fossem compras reais, mas, de acordo com a investigação, os valores retornavam para contas ligadas aos próprios suspeitos e a empresas relacionadas ao grupo.
Com a antecipação desses valores pela instituição financeira, o dinheiro era liberado imediatamente. Porém, as parcelas futuras deixavam de ser pagas, fazendo com que o prejuízo ficasse para a empresa vítima da fraude.
Operação apreende celulares, cartões e veículos
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam materiais que serão analisados pelos investigadores.
Entre os itens recolhidos estão:
- dois veículos;
- 11 celulares;
- cinco notebooks;
- 52 cartões de pagamento;
- seis HDs;
- dois pendrives;
- um cartão de memória;
- dois cadernos com anotações;
- R$ 740 em dinheiro.
Todo o material será submetido a perícia para auxiliar na identificação da participação de cada suspeito no esquema.
Nome da operação faz referência ao golpe
A escolha do nome Curto-Circuito faz referência ao modo de funcionamento da fraude investigada.
Segundo o Ministério Público, em vez de seguir o caminho normal de uma venda legítima, o dinheiro fazia um “circuito fechado”: saía de cartões ligados ao próprio grupo, passava pela estrutura da instituição de pagamento como se fosse uma compra verdadeira e retornava para contas dos suspeitos.
A suspeita é de que o mecanismo tenha criado uma falsa movimentação financeira, sem uma atividade comercial real que justificasse os valores.
Investigação reúne forças contra crimes digitais
A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber), pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Promotoria de Justiça de Juiz de Fora.
A ação também contou com apoio das Polícias Civil e Militar de Minas Gerais. O MPMG afirma que o trabalho integrado busca identificar e responsabilizar grupos envolvidos em fraudes cada vez mais sofisticadas no ambiente digital.