O apartamento que pertenceu ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, será levado a leilão pela Caixa Econômica Federal no dia 20 de agosto. O imóvel foi retomado pelo banco após o não pagamento do financiamento contratado pelo político.
O lance mínimo foi fixado em R$ 644,3 mil, valor 36,2% abaixo da avaliação atual da Caixa, de R$ 1,011 milhão. O apartamento tem 101 metros quadrados, um quarto e fica no terceiro andar de um prédio na Avenida Pasteur.
Por que o apartamento de Eduardo Bolsonaro foi retomado?
Segundo informações do processo, Eduardo Bolsonaro deixou de pagar parcelas do financiamento do imóvel. A Caixa tentou notificá-lo pessoalmente em outubro de 2025, mas não conseguiu concluir a comunicação.
No mês seguinte, o banco realizou três novas tentativas de intimação por meio de edital eletrônico. Mesmo assim, os pagamentos não foram regularizados e a propriedade acabou sendo retomada pela instituição.
A Caixa não informou o valor exato da dívida, alegando que os dados do contrato são protegidos por sigilo bancário e pela legislação aplicável.
Quanto vale o imóvel no leilão?
A avaliação feita pela Caixa aponta valor de R$ 1,011 milhão para o apartamento. O imóvel havia sido comprado por Eduardo Bolsonaro em 2017 por aproximadamente R$ 1 milhão.
Para o leilão, entretanto, o banco estabeleceu lance inicial de R$ 644,3 mil, o que representa desconto de cerca de 36% em relação à avaliação atual.
A venda será realizada por meio de licitação aberta. Nesse modelo, o imóvel fica com o participante que apresentar a maior proposta acima do valor mínimo estabelecido pela Caixa.

Quando será o leilão?
O leilão está marcado para 20 de agosto de 2026.
A transferência do imóvel para a Caixa foi concretizada em fevereiro deste ano. Segundo os registros consultados, houve ainda o pagamento de aproximadamente R$ 31 mil em imposto de transmissão à Prefeitura do Rio.
O imóvel também possui em sua escritura o registro de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de julho de 2025, que determinou a indisponibilidade de bens de Eduardo Bolsonaro. A Caixa não esclareceu se essa decisão interfere de alguma forma na realização do leilão.
Apartamento foi comprado com financiamento
O imóvel de Botafogo foi um dos apartamentos adquiridos por Eduardo Bolsonaro na Zona Sul do Rio.
Registros da compra apontam que parte do pagamento foi feita em dinheiro e que a maior parte do valor, cerca de R$ 800 mil, foi financiada pela Caixa. Na escritura, também aparecem pagamentos realizados em espécie no momento da negociação.
O que aconteceu com Eduardo Bolsonaro?
Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. O ex-deputado perdeu o mandato em novembro de 2025 por excesso de faltas.
Ele também foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por coação no curso do processo. A condenação está relacionada à atuação do ex-parlamentar no exterior durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mais recentemente, a Polícia Federal concluiu um processo administrativo que recomendou a demissão de Eduardo Bolsonaro do cargo que ocupa na instituição desde 2010. A decisão final depende do ministro da Justiça.

Eduardo Bolsonaro se manifestou?
Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação de Eduardo Bolsonaro sobre o leilão. A Caixa informou que não poderia divulgar o valor da dívida por causa do sigilo bancário.
O espaço permanece aberto para manifestação do ex-deputado.
Entenda o contexto
O apartamento de Eduardo Bolsonaro em Botafogo foi retomado pela Caixa depois que o financiamento deixou de ser pago e as tentativas de notificação não resultaram na regularização dos débitos. Agora, o imóvel será colocado em leilão com lance mínimo de R$ 644,3 mil, abaixo de sua avaliação atual de R$ 1,011 milhão.
A disputa está marcada para 20 de agosto. O caso ocorre em meio a uma série de acontecimentos envolvendo o ex-deputado, que vive nos Estados Unidos, perdeu o mandato parlamentar por excesso de faltas e enfrenta outras questões judiciais e administrativas.