Crime organizado provoca momento mais tenso entre Tarcísio e Haddad

Segundo bloco do debate da Band, dedicado às perguntas de jornalistas, teve confronto sobre domínio territorial, segurança pública, economia, tarifas americanas e agronegócio
Redação NC News
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O segundo bloco do debate entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad ao Governo de São Paulo elevou a temperatura do confronto entre os candidatos. Dedicado às perguntas dos jornalistas da Band, o bloco abordou economia, tarifas americanas, agronegócio e, principalmente, segurança pública e avanço do crime organizado.

O momento mais tenso ocorreu durante a discussão sobre o domínio territorial de facções criminosas e a capacidade do Estado de manter o controle de áreas consideradas estratégicas para a atuação do crime organizado.

Haddad propõe gabinete integrado de segurança

Ao responder à pergunta dos jornalistas sobre o avanço das facções, Fernando Haddad defendeu que a segurança pública seja comandada diretamente pelo governador.

O candidato propôs a criação de um Gabinete Institucional de Segurança Pública, presidido pelo governador e formado pelas polícias Civil e Militar, Ministérios Públicos Estadual e Federal, Polícia Federal, Receita Federal e COAF.

Segundo Haddad, a integração dos órgãos seria necessária para organizar as informações de inteligência e combater financeiramente as organizações criminosas. “A questão da segurança pública ficou tão séria que ou ela é um assunto do governador, sem terceirizar, ou não vamos resolver”, comenta Haddad.

Haddad também defendeu o uso de tecnologia e câmeras inteligentes para aumentar a capacidade de resposta das forças de segurança.

“A câmera não pode ser burra. A câmera inteligente tem que ter muita inteligência por trás para a gente poder dar o flagrante”, complementa. O candidato citou ainda a Operação Carbono Oculto como exemplo de cooperação entre órgãos estaduais e federais.

Tarcísio defende operações contra o crime

Na resposta, Tarcísio afirmou que seu governo enfrentou setores e territórios que, segundo ele, durante anos não foram alvo de operações com a mesma intensidade.

O governador citou ações contra o crime organizado nos setores de transporte e combustíveis, além de operações na Baixada Santista e em Paraisópolis. “Nós não estamos permitindo as barricadas em Paraisópolis. Onde teve barricada, a gente vai lá e remove.”

Tarcísio também mencionou a atuação do governo na região do Moinho e afirmou que houve uma operação para combater o tráfico.

“Nós tivemos a coragem, por exemplo, de desmobilizar o Moinho. Ninguém queria entrar no Moinho. E nós fomos lá.”

Na sequência, Tarcísio fez uma acusação direta contra Haddad ao mencionar uma mulher que, segundo ele, teria ligação com o tráfico na região do Moinho e que teria aparecido em um evento ao lado do petista.

Haddad reagiu imediatamente e negou ter conhecimento de qualquer ligação da mulher com o crime organizado. “Se eu soubesse, eu teria dado voz de prisão para ela.”

O candidato pediu respeito ao adversário durante o confronto. “Eu não tenho esse tipo de proximidade com nada do que você está falando. Então você respeita, abaixa essa bola.”

Haddad critica estratégia de segurança

Após o embate, Haddad voltou a questionar a estratégia de segurança adotada pelo governo estadual.

O candidato afirmou que operações policiais, isoladamente, não seriam suficientes para combater organizações criminosas. Haddad defendeu o combate financeiro às facções e afirmou que é necessário atacar a estrutura econômica do crime organizado.

“Ou se combate o organizado, asfixia financeiramente o crime organizado, ou nós vamos continuar vendo Comando Vermelho no Vale do Paraíba.”

Durante a fala, Haddad também citou o que classificou como avanço de milícias na Baixada Santista e em Campinas.

Tarifas americanas entram no debate

Antes da discussão sobre segurança, os jornalistas da Band questionaram os candidatos sobre os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

Haddad defendeu uma atuação conjunta entre União e estados e afirmou que o momento exige união nacional. “É preciso união nacional e senso de responsabilidade.”

O candidato citou o Plano Brasil Soberano e afirmou que o governo federal trabalha para abrir novos mercados para produtos brasileiros.

Segundo Haddad, foram abertos 600 mercados para exportações. Tarcísio, por sua vez, destacou os impactos das tarifas sobre setores da indústria paulista e citou empresas como Caterpillar, em Piracicaba, e Volvo, em Pederneiras.

O governador afirmou que São Paulo adotou medidas para auxiliar as empresas exportadoras, entre elas a antecipação da devolução de créditos acumulados de ICMS e a abertura de linhas de crédito.

Renegociação da dívida volta a provocar confronto

A relação entre São Paulo e o governo federal também voltou ao centro da disputa.

Haddad afirmou que a adesão ao programa de renegociação da dívida poderia ter gerado entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões para o estado em 2025.

Tarcísio rebateu e afirmou que São Paulo não aderiu inicialmente porque o formato do programa, segundo ele, não atendia aos interesses do estado.

O governador afirmou que a adesão ocorreu depois de mudanças nas regras.

Agronegócio também é tema

Os jornalistas da Band também questionaram os candidatos sobre as políticas para o agronegócio e o seguro rural.

Tarcísio destacou a importância do setor para a economia paulista e defendeu a manutenção dos recursos do FEAP e da subvenção ao seguro rural.

Segundo o governador, São Paulo possui o maior programa estadual de subvenção ao seguro rural do país.

Haddad defendeu o fortalecimento do seguro agrícola e a recuperação dos institutos estaduais de pesquisa ligados ao agronegócio.

O candidato também destacou a importância do Plano Safra e da Embrapa.

Tarcísio respondeu citando medidas adotadas durante sua gestão para valorizar pesquisadores, como novo plano de carreira, recomposição salarial e concursos públicos.

Segundo bloco termina com confronto direto

O segundo bloco terminou com o debate ainda mais acirrado entre os candidatos.

As perguntas dos jornalistas da Band levaram Tarcísio e Haddad a apresentar visões opostas sobre segurança pública, crime organizado, economia, relação com o governo federal e agronegócio.

O confronto sobre domínio territorial foi o ponto de maior tensão até agora, com acusações diretas, respostas imediatas e divergências sobre a forma de combater as organizações criminosas.

Enquanto Tarcísio defendeu as operações realizadas durante sua gestão e os resultados apresentados na área de segurança, Haddad cobrou maior integração entre as forças estaduais e federais e defendeu uma estratégia baseada em inteligência e asfixia financeira do crime.

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