O confronto direto entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) marca o primeiro debate entre os candidatos ao Governo de São Paulo nas eleições de 2026. O encontro começou às 20h deste domingo (9), pelo horário de Brasília, e é acompanhado pelo NC News diretamente da sede do Grupo Bandeirantes de Comunicação.
O debate é mediado pelo jornalista Rodolfo Schneider, diretor-geral de conteúdo da Band e âncora do Jornal da Band e da BandNews FM.
Quatro anos depois de disputarem o segundo turno pelo governo paulista em 2022, Tarcísio e Haddad voltam a protagonizar um confronto eleitoral. Desta vez, os principais embates envolvem educação, segurança pública, combate ao crime organizado, violência contra a mulher e políticas para a região central de São Paulo.
Educação abre o primeiro confronto
A primeira pergunta do debate foi sobre educação. Tarcísio apresentou como prioridades para os próximos anos a alfabetização na idade certa, o Pacto pela Matemática e a formação continuada dos professores.
O governador também defendeu os resultados de sua gestão e destacou políticas voltadas à qualificação dos profissionais e à melhoria dos indicadores educacionais.
Haddad contestou a avaliação e criticou os resultados apresentados pelo atual governo. O candidato afirmou que São Paulo teria passado da terceira para a décima posição no ensino médio, considerando a evolução do próprio estado no período analisado.
O petista também citou os resultados de Piauí, Ceará e Pernambuco e afirmou que São Paulo estaria abaixo da meta nacional de alfabetização. Durante o debate, Haddad mencionou o índice de 61% de crianças alfabetizadas.
Outro alvo de crítica foram as plataformas digitais utilizadas na rede estadual. Haddad afirmou que a tecnologia não pode substituir o trabalho dos professores.
O candidato também questionou a expansão do ensino em tempo integral. Segundo Haddad, cerca de 24% dos estudantes do ensino médio paulista estão matriculados nesse modelo, enquanto o índice seria de aproximadamente 80% no Piauí.
Cracolândia coloca candidatos em lados opostos
A situação da região central de São Paulo provocou outro confronto direto.
Tarcísio defendeu as ações realizadas durante sua gestão e afirmou que o governo estadual atuou de forma integrada nas áreas de assistência social, saúde, habitação e segurança pública.
O governador citou a criação de 700 leitos de retaguarda para desintoxicação e a abertura de 44 casas terapêuticas. Também destacou a parceria com a Prefeitura de São Paulo.
Segundo Tarcísio, a estratégia incluiu ainda a atuação do Ministério Público, investigação policial e inteligência para combater o crime organizado na região. O governador afirmou que as medidas resultaram no fim da Cracolândia.
Haddad contestou a avaliação e criticou a condução da política para a região central. O candidato defendeu a integração entre assistência social, saúde e segurança e citou experiências adotadas durante sua passagem pela Prefeitura de São Paulo, como o programa Braços Abertos.
Crime organizado aumenta tensão no debate
A segurança pública ampliou o embate entre os candidatos.
Tarcísio afirmou que seu governo realizou mais de 500 operações conjuntas com o Ministério Público e a Polícia Federal e citou ações contra o crime organizado nos setores de combustíveis e transporte.
O governador também mencionou a Operação Fideline e ações envolvendo empresas de transporte. Segundo ele, o combate à lavagem de dinheiro e às organizações criminosas continua entre as prioridades da gestão.
Tarcísio defendeu ainda os investimentos em tecnologia e inteligência policial. De acordo com o candidato, a integração entre sistemas como Smart Sampa e Muralha Paulista permite identificar foragidos, veículos clonados e automóveis com alertas de roubo ou furto.
Durante o debate, ele afirmou que São Paulo conta atualmente com 126 mil sensores e que pretende ampliar os investimentos na área.
Haddad questiona resultados na segurança
Na réplica, Haddad contestou os números apresentados por Tarcísio e afirmou que São Paulo ainda enfrenta problemas relacionados ao avanço do crime organizado.
O candidato citou a presença, segundo ele, do Comando Vermelho no estado, principalmente no Vale do Paraíba e em municípios do interior.
Haddad também criticou a condução da Polícia Militar e mencionou investigações envolvendo integrantes da corporação e organizações criminosas.
O petista questionou ainda medidas relacionadas à inteligência e à segurança pública, incluindo o funcionamento das Delegacias da Mulher, o uso de câmeras e o programa Muralha Paulista.
Durante o confronto, Haddad afirmou que os indicadores de violência contra as mulheres pioraram e citou crescimento de 10% nos casos de feminicídio no semestre. Segundo ele, no mesmo período, o país teria registrado queda de 2,5%.
Violência contra a mulher vira novo ponto de disputa
Tarcísio respondeu destacando políticas implementadas pelo governo estadual para a proteção das mulheres.
O governador citou as 144 Delegacias da Mulher, as 235 salas DDM com funcionamento 24 horas, o protocolo Não Se Cale e o Espaço Lilás, estrutura destinada ao atendimento de mulheres dentro da Polícia Militar.
Segundo Tarcísio, a gestão também desenvolve ações preventivas e grupos reflexivos destinados a agressores.
O governador afirmou ainda que os índices de violência contra as mulheres em São Paulo são inferiores à média nacional. Durante o debate, questionou os indicadores de estados como Ceará e Rio Grande do Norte com base nos dados apresentados por ele.
Haddad questiona futuro de Derrite no governo
A atuação do ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite também entrou no confronto.
Haddad questionou Tarcísio sobre as escolhas feitas na área de segurança e perguntou se Derrite voltaria a integrar o governo em caso de reeleição.
Tarcísio defendeu a atuação do ex-secretário e afirmou que São Paulo registrou, durante sua gestão, os menores índices históricos de homicídios, latrocínios, roubos, furtos, roubos de veículos e roubos de carga.
Segundo números apresentados pelo governador, os roubos de carga teriam caído 35%, atingindo o menor patamar histórico.
Tarcísio também afirmou que 173 dos 645 municípios paulistas não registraram nenhum roubo em 2025 e que quase metade das cidades do estado não registrou homicídios no período citado por ele.
Dívida e Propag provocam disputa entre os candidatos
As contas públicas de São Paulo e a relação com o governo federal também provocaram troca de acusações.
Haddad acusou Tarcísio de ter aderido tardiamente ao Propag, programa de renegociação das dívidas dos estados, e afirmou que São Paulo teria deixado de receber recursos por causa da demora.
Tarcísio rebateu e afirmou que o estado não aderiu inicialmente porque, na avaliação do governo paulista, o formato do programa não atendia aos interesses de São Paulo. Segundo ele, após mudanças nas regras, o estado aderiu ao Propag.
O governador também citou repasses aos municípios paulistas e afirmou que sua gestão destinou R$ 9,6 bilhões em 2025, R$ 8,9 bilhões em 2024 e R$ 4,8 bilhões no primeiro ano de mandato.
Haddad contestou a versão e voltou a questionar os valores que, segundo ele, São Paulo teria deixado de receber.
Centro administrativo também entra no debate
A construção do novo Centro Administrativo de São Paulo foi outro tema abordado pelos candidatos.
Tarcísio questionou Haddad sobre a continuidade do projeto caso o petista seja eleito.
Haddad afirmou considerar a iniciativa importante, mas criticou a concentração de recursos na região central e defendeu maior atenção aos municípios do interior.
O candidato também mencionou investimentos federais destinados ao estado e citou ações relacionadas à antiga Favela do Moinho e ao programa habitacional.
Debate mantém clima de confronto
O primeiro debate entre Tarcísio e Haddad é marcado por ataques e respostas diretas sobre temas que devem ocupar espaço central na disputa pelo governo paulista em 2026.
Educação, segurança pública, combate ao crime organizado, violência contra a mulher, habitação e gestão fiscal estiveram entre os principais pontos de confronto.
O NC News acompanha o debate diretamente da sede do Grupo Bandeirantes de Comunicação e atualiza a cobertura com os principais momentos da disputa.