Eclipse lunar Brasil: Lua ficará 95% vermelha em 27 de agosto

Prepare-se para observar um raro fenômeno lunar visível em todo o Brasil na madrugada do dia 28 de agosto.
Redação NC News
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O céu de agosto reserva dois espetáculos raros: um eclipse solar total no hemisfério norte e um eclipse lunar parcial, com até 95% da Lua avermelhada, visível em todo o Brasil.

Eclipse lunar vai tingir o céu brasileiro de vermelho

O eclipse lunar parcial acontece na passagem da noite de 27 para 28 de agosto, quando o satélite entra na sombra da Terra. O início está previsto para as 23h30 do dia 27, com auge por volta de 1h da madrugada do dia 28, no horário de Brasília.

O fenômeno será visível em todos os estados do país, além de partes das Américas, Europa e África. Em boa parte do território brasileiro, quem olhar para o céu verá a Lua ganhar um tom alaranjado intenso, que deve se aproximar de um vermelho profundo durante o máximo do eclipse.

Segundo a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, o eclipse lunar acontece no momento em que Sol, Terra e Lua cheia se alinham. “Na Lua cheia você tem, nessa ordem, o Sol, a Terra e a Lua. E aí, o Sol batendo na Terra forma essa sombra no espaço, e quando a Lua entra nessa sombra, é que acontece o eclipse”, explica.

Por que a Lua fica vermelha e o que muda neste eclipse

Neste evento, a Lua não entra totalmente na região mais escura da sombra terrestre, a umbra, mas quase. A estimativa é que até 95% do disco lunar fique avermelhado. A parte restante deve permanecer mais clara, criando um contraste visível a olho nu.

A cor incomum é resultado da luz do Sol filtrada pela atmosfera da Terra, que bloqueia tons azuis e violetas e deixa passar faixas vermelhas e alaranjadas. O astrônomo Henrique Amaral, de Campo Grande, traduz o efeito com uma imagem simples: “Na prática, é como se a Lua fosse iluminada simultaneamente por ‘todos os pores e nasceres do sol do planeta’”.

O fenômeno é conhecido popularmente como “Lua de sangue”, mas não tem qualquer relação com mau presságio ou mudanças físicas no satélite. Cientificamente, trata-se de um eclipse lunar parcial, considerado pelos astrônomos quase tão impressionante quanto um total por causa da intensidade da coloração.

Fenômeno acessível e seguro em todo o território nacional

Qualquer pessoa no Brasil consegue observar o eclipse sem equipamentos especiais. Basta ter um horizonte desimpedido e céu relativamente limpo. Não há necessidade de óculos de proteção, filtros ou telescópios; ao contrário dos eclipses solares, olhar para a Lua durante o fenômeno é totalmente seguro.

Henrique Amaral recomenda apenas atenção ao entorno. Locais afastados de postes, fachadas iluminadas e outdoors aumentam bastante a visibilidade. Áreas rurais, praias e praças escuras tendem a oferecer o melhor cenário, sobretudo entre 0h30 e 1h30, quando a Lua deve estar mais escura e avermelhada.

O alcance nacional do eclipse cria uma oportunidade rara para escolas, planetários, observatórios e grupos de astronomia organizarem observações públicas. O fenômeno pode servir de porta de entrada para estudantes e curiosos em temas como órbitas, sombras, luz e influência da poluição luminosa sobre o céu noturno.

Eclipse solar total no norte e alerta para a visão

Duas semanas antes do eclipse lunar, outro alinhamento chama a atenção: um eclipse solar total marcado para o dia 12 de agosto. Desta vez, a Lua nova passa entre o Sol e a Terra e projeta uma sombra estreita sobre o planeta.

A faixa de totalidade, em que o Sol fica completamente encoberto, terá cerca de 300 quilômetros de largura. Países como Espanha, Portugal, Rússia, Islândia e Groenlândia estão no caminho principal da sombra. Áreas vizinhas do hemisfério norte verão o fenômeno de forma parcial.

Josina Nascimento destaca a diferença fundamental em relação ao eclipse lunar. “Só quem está neste caminho é que vê o eclipse do Sol. Esse caminho é um caminho de 300 quilômetros de largura”, diz. Fora dessa trilha, o máximo que se observa é o escurecimento parcial do disco solar ou, em alguns trechos, um anel de luz ao redor da Lua, no chamado eclipse anular.

Ao contrário do evento lunar, a observação do eclipse solar exige cuidados rigorosos. Óculos escuros comuns, filmes fotográficos, radiografias e vidros fumês não protegem a visão. A recomendação é o uso de óculos especiais certificados com a norma ISO 12312-2 ou máscaras com vidro de soldador número 14. Olhar diretamente para o Sol sem essa proteção pode causar queimaduras irreversíveis na retina e até cegueira.

Impacto científico, turístico e ambiental

O calendário astronômico de agosto mobiliza comunidades científicas e educativas dentro e fora do Brasil. Observatórios e universidades já planejam transmissões ao vivo, oficinas e palestras para explicar a diferença entre os dois tipos de eclipse e orientar a observação segura, especialmente no caso do fenômeno solar.

No país, o eclipse lunar parcial tende a impulsionar atividades de turismo astronômico em cidades com céu escuro, longe de grandes centros urbanos. Hotéis, pousadas e agências de viagem começam a explorar pacotes que combinam natureza, observação do céu e experiências de divulgação científica.

A visibilidade do evento em todo o território também reacende o debate sobre a poluição luminosa, que ofusca estrelas e fenômenos celestes. Para astrônomos, o eclipse funciona como vitrine das perdas causadas pelo excesso de luz artificial mal direcionada, abrindo espaço para discussões sobre iluminação pública eficiente e preservação do ambiente noturno.

A médio prazo, especialistas esperam que o interesse despertado pelos eclipses de agosto se traduza em maior engajamento com a astronomia, investimentos em infraestrutura de observação e fortalecimento da cultura científica. Para quem está sob o céu brasileiro, a recomendação principal é simples: reservar a madrugada de 28 de agosto, olhar para cima e deixar a Lua vermelha fazer o resto.

Que horas vai ser o eclipse lunar em agosto no Brasil?

O eclipse lunar parcial de agosto começa no Brasil às 23h30 do dia 27, horário de Brasília, com auge previsto para 1h da madrugada do dia 28, quando até 95% do disco da Lua deve ficar avermelhado e bem visível a olho nu, se o céu estiver limpo.

Quando será o eclipse solar e lunar em agosto?

O eclipse solar total de agosto ocorre no dia 12, visível na totalidade em países do hemisfério norte, enquanto o eclipse lunar parcial acontece na madrugada do dia 28, com início às 23h30 do dia 27 e máximo por volta de 1h, horário de Brasília, visível em todo o Brasil.

Como observar o eclipse lunar visível em todo o Brasil?

Para observar o eclipse lunar parcial de agosto em todo o Brasil basta escolher um local aberto, com visão desobstruída da Lua e pouca iluminação artificial, entre 23h30 e 2h. Não é necessário nenhum equipamento ou óculos especial, apenas céu relativamente limpo e atenção ao horário do auge, por volta de 1h.

O que significa a Lua ficar 95% vermelha durante o eclipse lunar?

O fato de até 95% da Lua ficar vermelha no eclipse indica que quase todo o disco entra na sombra mais escura da Terra, a umbra, recebendo apenas luz solar filtrada pela atmosfera terrestre. Essa filtragem elimina tons azuis e realça vermelhos e alaranjados, criando a chamada “Lua de sangue”.

Quais regiões do Brasil poderão ver o eclipse lunar em agosto?

O eclipse lunar parcial de agosto será visível em todas as regiões do Brasil, do Norte ao Sul, incluindo capitais e cidades do interior, desde que o céu esteja limpo e a Lua acima do horizonte local. A diferença estará apenas nas condições meteorológicas e na intensidade da poluição luminosa em cada área.

Quais cuidados são recomendados para observar o eclipse lunar?

Para observar o eclipse lunar parcial não é preciso proteção ocular, mas vale evitar locais com iluminação intensa, levar agasalho para a madrugada, checar a previsão do tempo e chegar alguns minutos antes do início, às 23h30. Telescópios e binóculos podem ser usados, mas não são necessários para apreciar o fenômeno.


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