A Coreia do Sul e os Estados Unidos realizarão, entre 17 e 27 de agosto, uma nova rodada de exercícios militares conjuntos em meio ao aumento das tensões com a Coreia do Norte.
O treinamento, chamado de Ulchi Freedom Shield (UFS), terá participação de cerca de 18 mil militares sul-coreanos e foi planejado para testar a capacidade de resposta dos aliados diante de diferentes tipos de ameaças, incluindo ataques com drones, interferência em sistemas de GPS e operações cibernéticas.
Além da preparação militar, o exercício também terá como objetivo testar operações de emergência do governo sul-coreano.
Os dois países afirmam que os treinamentos têm caráter defensivo e estão voltados exclusivamente para a proteção da Coreia do Sul.
Por que os EUA e a Coreia do Sul farão o exercício?
O principal objetivo é verificar como as forças dos dois países reagiriam a uma situação de emergência na Península Coreana.
O cenário de segurança da região mudou nos últimos anos, principalmente com o avanço dos programas militares da Coreia do Norte.
Além de armas nucleares e mísseis, Pyongyang vem desenvolvendo diferentes sistemas capazes de atingir alvos por terra, mar e ar.
Os exercícios também levam em consideração novas características dos conflitos modernos, como o uso de drones, sistemas não tripulados, guerra eletrônica e ataques digitais.
Segundo o comando militar responsável pelo treinamento, a experiência adquirida por militares norte-coreanos que participaram da guerra na Ucrânia também passou a ser considerada no planejamento dos exercícios.
O que será treinado?
O Ulchi Freedom Shield terá atividades voltadas para diferentes tipos de ameaças. Entre os principais pontos estão:
- combate e resposta a drones;
- proteção contra interferências no GPS;
- defesa contra ataques cibernéticos;
- operações com sistemas não tripulados;
- guerra eletrônica;
- resposta a situações de emergência;
- coordenação entre forças militares e governo.
A ideia é testar não apenas a capacidade dos soldados em campo, mas também a comunicação e a coordenação necessárias para uma eventual crise.
Cerca de 18 mil militares sul-coreanos participarão
A participação sul-coreana deve ficar em aproximadamente 18 mil militares, número semelhante ao registrado em exercícios anteriores.
O treinamento reúne diferentes estruturas de defesa e busca reproduzir situações que poderiam ocorrer em um cenário real de conflito ou emergência na Península Coreana.
Os exercícios fazem parte da cooperação militar permanente entre Seul e Washington.
Por que a Coreia do Norte critica os exercícios?
Apesar de Estados Unidos e Coreia do Sul classificarem o treinamento como defensivo, a Coreia do Norte tradicionalmente considera esse tipo de exercício uma provocação.
Para Pyongyang, a presença de forças militares norte-americanas e sul-coreanas realizando treinamentos conjuntos aumenta o risco de um confronto.
A tensão é especialmente sensível porque as duas Coreias permanecem tecnicamente em guerra. O conflito iniciado em 1950 terminou com um armistício em 1953, mas não houve um tratado de paz definitivo.
Por isso, qualquer movimentação militar de grande escala na região costuma ser acompanhada de perto pelos governos e pelas forças de segurança dos países envolvidos.
Coreia do Norte continua desenvolvendo armas
A realização do exercício ocorre poucos dias depois de a Coreia do Norte lançar um míssil balístico de curto alcance em direção ao mar.
O país continua desenvolvendo armas nucleares, mísseis balísticos e de cruzeiro, sistemas de artilharia e outros equipamentos militares, apesar das sanções impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O avanço desses programas é um dos principais motivos de preocupação para Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão. A estratégia norte-coreana também inclui a manutenção de uma capacidade militar capaz de ameaçar alvos na região.
Relação entre as duas Coreias está cada vez mais tensa
A relação entre Seul e Pyongyang passou por novo período de deterioração.
A Coreia do Norte endureceu sua posição em relação à Coreia do Sul e alterou sua Constituição para retirar referências à reunificação entre os dois países.
O território sul-coreano também passou a ser tratado oficialmente de maneira diferente na definição territorial norte-coreana.
Outra mudança importante foi a reafirmação da Coreia do Norte como potência nuclear e da intenção de continuar desenvolvendo seu arsenal.
O que a guerra na Ucrânia tem a ver com os exercícios?
A guerra na Ucrânia também passou a influenciar o planejamento militar na Península Coreana. Autoridades militares dos Estados Unidos afirmam que soldados norte-coreanos foram enviados para combater na Ucrânia e que esses militares tiveram contato com novas formas de guerra.
Entre as experiências observadas estão o uso de drones, sistemas não tripulados e diferentes métodos de guerra eletrônica.
Para os planejadores militares, essas experiências podem ser incorporadas às capacidades da Coreia do Norte e, por isso, precisam ser consideradas nos treinamentos realizados por Estados Unidos e Coreia do Sul.
Existe risco de uma nova guerra?
A realização do exercício, por si só, não significa que Estados Unidos e Coreia do Sul estejam planejando iniciar uma guerra. O objetivo declarado é preparar as forças militares e o governo sul-coreano para uma eventual emergência.
O problema é que a Coreia do Norte interpreta esses treinamentos de maneira diferente e costuma responder com críticas, ameaças ou demonstrações de força.
Por isso, exercícios militares na região podem aumentar temporariamente a tensão, mesmo quando são apresentados pelos aliados como ações defensivas.
Até o momento, o cenário é de forte tensão militar, mas não há indicação, no material disponível, de que o exercício represente o início de uma ofensiva contra a Coreia do Norte.
O que acontece agora?
O Ulchi Freedom Shield será realizado entre 17 e 27 de agosto. Durante o período, militares dos Estados Unidos e da Coreia do Sul vão executar diferentes atividades de treinamento e simulações relacionadas à defesa da Península Coreana.
As atenções também estarão voltadas para a reação de Pyongyang. Qualquer novo lançamento de míssil, ameaça oficial ou movimentação militar da Coreia do Norte poderá aumentar a tensão durante ou depois dos exercícios.
O cenário também será acompanhado por Japão, China e outros países da região, devido ao impacto que uma escalada militar teria sobre toda a Ásia.
Entenda o contexto
A Península Coreana continua sendo uma das áreas de maior tensão militar do mundo.
Coreia do Sul e Estados Unidos mantêm uma aliança militar e realizam regularmente exercícios conjuntos para aumentar a capacidade de resposta a possíveis ameaças.
A Coreia do Norte considera esses treinamentos provocações e mantém um programa militar que inclui armas nucleares e diferentes tipos de mísseis. O novo exercício acontece em um momento de relações especialmente difíceis entre as duas Coreias.
Ao mesmo tempo, a evolução dos conflitos modernos, com uso de drones, ataques digitais e guerra eletrônica, fez com que os exercícios passassem a incluir ameaças que vão muito além dos combates tradicionais.
O principal objetivo declarado pelos aliados é estar preparado para uma eventual emergência. O desafio será realizar o treinamento sem provocar uma escalada ainda maior com Pyongyang.