O presidente da Câmara, Hugo Motta, anuncia que o diretório do Republicanos na Paraíba vai apoiar a reeleição do presidente Lula nas eleições de 2026. O gesto, feito em solenidade no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, consolida uma aliança que ele costura há meses com o Planalto.
Apoio revelado em posse no TRE da Paraíba
O anúncio ocorre nesta segunda-feira, durante a posse da desembargadora Giovanna Mayer no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba. Em meio a autoridades da Justiça e da política local, Motta decide tornar pública a posição que, segundo ele, já amadurece nos bastidores há algum tempo.
Ele afirma que aguardava apenas o aval da direção nacional do Republicanos para oficializar o movimento no estado. “Eu estava aguardando a posição do partido para que pudesse trazer de público a nossa posição. E a nossa posição está sendo aqui revelada em primeira mão de apoio ao presidente Lula em seu projeto de reeleição”, diz.
Motta afirma que o alinhamento com Lula expressa tanto a linha nacional da legenda quanto a leitura que faz do cenário paraibano. “A tendência nossa aqui na Paraíba, isso já havia sido dito antes, é que caminhamos com o presidente Lula. Nós iremos declarar esse apoio ao presidente porque é o presidente que converge com aquilo que pensamos ser o melhor para o país”, sustenta.
Cálculo eleitoral na Paraíba e projeto familiar
A Paraíba é um dos redutos em que Lula mantém forte presença eleitoral. Essa força nas urnas pesa na decisão de Motta, que tenta construir um palanque robusto para 2026. O apoio ao presidente mira também a disputa pelo Senado, em que ele trabalha abertamente pela candidatura do pai, Nabor Wanderley.
Ao se aproximar de Lula, o deputado busca garantir para o pai um lugar na chapa majoritária em 2026, com o respaldo do eleitorado lulista no estado. A aliança, se consolidada, pode redesenhar a correlação de forças na Paraíba, onde os acordos locais costumam definir o resultado das duas vagas em jogo a cada eleição para o Senado.

O movimento de Motta também envia um recado ao restante do Republicanos. O partido, que decide adotar neutralidade na disputa presidencial em nível nacional, autoriza cada diretório estadual a escolher seu próprio palanque. A Paraíba, agora, se coloca publicamente no campo lulista.
Da cautela ao alinhamento com o Planalto
Nos bastidores de Brasília, a aproximação entre o presidente da Câmara e o Palácio do Planalto se constrói ao longo do último ano. Motta opta por uma linha de diálogo com o governo em votações sensíveis, evitando choque frontal e abrindo espaço para negociações constantes.
Nesse período, ele dá sinais de sintonia com pautas defendidas por Lula e sua equipe. Entre os temas em discussão está o fim da escala de trabalho 6×1, uma das bandeiras que transitam pelo Congresso com apoio do governo, e que Motta ajuda a impulsionar ao pautar debates e articular líderes.
A escolha de um evento do Judiciário eleitoral para anunciar o apoio ilustra o cuidado do deputado em vincular o gesto a uma cena institucional e de alta visibilidade. Ao falar “em primeira mão” no TRE, ele transforma a solenidade em palco político, com audiência qualificada e repercussão imediata entre atores locais.
Republicanos dividido e disputa pela reeleição
A decisão paraibana expõe a estratégia do Republicanos para as eleições de 2026. Depois de meses de pressão de diferentes pré-candidatos ao Planalto, a legenda opta por não fechar questão em torno de um nome nacional e libera os estados para montar palanques próprios, de acordo com seus interesses regionais.
Nesse vácuo, figuras ligadas a campos distintos disputam o apoio do partido. Flávio Bolsonaro tenta levar a sigla para seu entorno político, enquanto outros dirigentes avaliam a conveniência de se aproximar de Lula em redutos onde o presidente mantém alto capital eleitoral. Na Paraíba, Motta decide antecipar a definição.
O gesto amplia o espaço de Lula no Nordeste em 2026 e pressiona adversários locais a reorganizar alianças. Se a parceria se mantém até o início oficial da campanha, o presidente tende a ganhar um palanque reforçado no estado, com o comando da Câmara alinhado e a chance de influenciar diretamente a disputa pelo Senado.
O que vem agora para Lula, Motta e a Paraíba
A partir de agora, o desafio de Motta é transformar a declaração de apoio em estrutura de campanha real. Isso significa amarrar acordos com prefeitos, deputados estaduais e lideranças municipais que orbitam o Republicanos e outras siglas do seu campo, com foco no calendário de 2026.
Para Lula, o apoio público do presidente da Câmara na Paraíba funciona como termômetro da capacidade de ampliar alianças em estados onde já tem vantagem eleitoral, mas ainda disputa espaços com grupos tradicionais. Também serve como sinal a outros diretórios do Republicanos que ainda medem o custo de se aproximar do governo federal.
Até o início formal da campanha de 2026, o tabuleiro ainda pode se mover. Negociações sobre chapas ao Senado, alianças para governos estaduais e divisão de tempo de rádio e TV devem se intensificar. A declaração feita hoje, porém, marca um ponto de não retorno na relação entre Hugo Motta e Lula na Paraíba: ambos agora contam publicamente um com o outro para chegar mais fortes às urnas.