Tebet critica Eduardo Bolsonaro por discurso contra vacinação

Senadora afirma que posicionamento do deputado é contrário à ciência durante aumento de casos de sarampo em São Paulo
Redação NC News
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Simone Tebet, candidata ao Senado por São Paulo pelo PSB, transforma em embate político direto as declarações antivacina de Eduardo Bolsonaro em pleno surto de sarampo no estado. Em resposta ao ex-deputado, ela acusa a família Bolsonaro de usar o negacionismo científico para fragilizar a democracia.

Surto de sarampo acende alerta em São Paulo

O conflito acontece enquanto a rede de saúde de São Paulo corre para conter o avanço do sarampo. O estado registra 23 casos confirmados neste ano, concentrados principalmente na capital, em Guarulhos e em São Bernardo do Campo, cidades que voltam a conviver com uma doença antes considerada sob controle.

Nesse cenário, o Ministério da Saúde recomenda uma dose extra da vacina de sarampo para todas as pessoas de 6 meses a 59 anos que vivem nessas três cidades. A medida tenta barrar novas cadeias de transmissão e reforça a importância da imunização coletiva, especialmente em grandes centros urbanos com intensa circulação de pessoas.

O tema vira combustível imediato para a disputa eleitoral paulista. De um lado, o discurso de liberdade individual de Eduardo Bolsonaro encontra eco em parte de seu eleitorado. De outro, candidatos da base governista e de oposição tentam se firmar como defensores da ciência, das vacinas e da responsabilidade pública.

Vídeo de Eduardo provoca reação em cadeia

O estopim é um vídeo publicado por Eduardo Bolsonaro nas redes sociais. No relato, o ex-deputado conta que foi a uma agência de correios nos Estados Unidos para assinar um documento que isenta sua filha da obrigatoriedade de tomar vacinas para entrar em uma escola no Texas. Ele exalta a possibilidade de recusa como sinal de respeito à liberdade dos pais.

No mesmo vídeo, Eduardo ataca a política de vacinação obrigatória no Brasil e questiona quem responderia por eventuais efeitos colaterais. A mensagem se alinha ao discurso que a extrema direita brasileira difunde há anos, de desconfiança em relação às vacinas e às autoridades sanitárias, e agora volta à cena em meio a um surto de doença altamente contagiosa.

Simone Tebet reage com dureza. Em vídeo e em declarações públicas, ela afirma que “é do DNA da família Bolsonaro ser contra a ciência, não tem como mudar”. A candidata associa a retórica antivacina a uma estratégia mais ampla da direita radical, que, segundo ela, tenta minar instituições e procedimentos democráticos.

Tebet liga negacionismo à crise democrática

A senadora licenciado reforça a conexão entre saúde pública e democracia. “No Brasil não é diferente, a extrema direita, de novo com esse discurso negacionista da vacina – eu que participei da CPI da Covid sei do que eu estou falando, discutindo a legitimidade das urnas, querendo enfraquecer a democracia, porque sabe que a democracia é a voz do povo, e você enfraquecer a democracia, você tem governos autocratas, é método, é da essência, é do DNA da família Bolsonaro ser contra a ciência, não tem como mudar”, afirma.

Ao evocar sua participação na CPI da Covid, Tebet tenta reforçar a imagem de voz experiente no combate ao negacionismo. A estratégia se encaixa na disputa pelo eleitorado de centro urbano, mais sensível a temas como proteção de dados científicos, gestão da pandemia e reconstrução das políticas de vacinação.

As declarações também reativam a curiosidade sobre a trajetória pessoal da candidata, que costuma circular nas redes com buscas sobre “Simone Tebet ministra”, “Simone Tebet partido” ou “Simone Tebet filhos”. A equipe de campanha aposta nesse interesse para aproximar a imagem pública da candidata de uma figura de família comum, em contraposição ao clã Bolsonaro.

Debate na TV expõe racha na direita

A discussão ganha palco maior quando Tebet acompanha o primeiro debate entre candidatos ao governo de São Paulo, promovido pela TV Bandeirantes. No estúdio, ela divide espaço com Marina Silva, da Rede, e com os postulantes Guilherme Derrite, do PP, e André do Prado, do PL, convidados do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, que tenta a reeleição.

Às vésperas de uma campanha estadual decisiva, Tarcísio se vê obrigado a marcar posição distante do bolsonarismo raiz no tema da saúde. Antes do início do debate, ele rejeita o discurso antivacina de Eduardo e faz uma defesa enfática da imunização. “A vacina do sarampo é consagrada e segura. A gente tem feito um esforço muito grande aqui em São Paulo para aumentar a cobertura vacinal”, diz.

O governador cita ações de incentivo à gestão municipal, parcerias com prefeituras e campanhas de mobilização como instrumentos para ampliar a proteção da população. Em seguida, fala diretamente ao eleitor e aos pais preocupados. “Eu recomendo a todos já buscar o posto de vacinação, a buscar a vacinação do sarampo porque ela é fundamental nesse momento”, afirma.

Saúde pública no centro da disputa eleitoral

As falas de Tarcísio evidenciam um incômodo crescente entre políticos de direita moderada com o custo eleitoral do negacionismo. A retomada de doenças preveníveis pressiona governadores e prefeitos a se alinharem às recomendações técnicas, sob risco de responderem por mortes evitáveis e colapso no sistema de saúde.

Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro aposta no discurso de liberdade individual e suspeita sobre o Estado. O cálculo político é claro: reforçar sua base mais radicalizada, mesmo que isso signifique se chocar com o Ministério da Saúde, gestores estaduais e municipais e sociedades médicas. Em meio à corrida eleitoral em São Paulo, o contraste entre essa linha e a de Tarcísio se torna cada vez mais visível.

Na prática, quem mais perde com esse embate são os serviços de saúde e a população vulnerável, que depende da proteção coletiva garantida por altas taxas de vacinação. Cada dúvida plantada contra imunizantes consagrados, como o da tríplice viral que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, dificulta o trabalho diário em postos de saúde, escolas e campanhas de busca ativa.

A próxima etapa desse conflito se desenha em duas frentes: a institucional, com a intensificação das campanhas de vacinação e o monitoramento dos casos, e a política, com a vacina consolidada como tema-chave dos programas de governo, dos debates e da propaganda eleitoral. O desempenho das candidaturas em São Paulo pode indicar até que ponto o eleitorado aceitará, ou rejeitará, o retorno do discurso antivacina ao centro da arena pública.

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